João Pessoa 25/04/2018 06:38Hs

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A empresários, Levy defende recriação de ‘monstro’ CPMF.

Ministro afirma que tributo é importante para reconquistar confiança

levy cpmfSÃO PAULO e BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a defender nesta quinta-feira a recriação da CPMF como forma de assegurar um Orçamento equilibrado e com superávit de 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) para 2016. Segundo ele, essa sinalização clara do governo na frente fiscal é indispensável para a reativação da atividade econômica no país. Falando a empresários da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) – cujo presidente, Paulo Skaf, encabeça uma campanha nacional contra a criação de novos impostos -, Levy referiu-se à CPMF como “esse monstro”.

— Sei que os senhores aqui não gostam desse monstro (a CPMF), mas depois que ele foi criado, as coisas se estabilizaram, a confiança foi retomada, e o país voltou a crescer – disse ele, em referência ao ajuste promovido pelo governo Fernando Henrique Cardoso, em 1999. — Na virada de 2000, o país já crescia 4,5%.

Levy reafirmou a importância do tributo, neste momento, acrescentando que a CPMF é um imposto que todo mundo paga. Se gasta mais, disse ele, o contribuinte paga mais, é “automático, transparente”:

— Sem a CPMF, haverá R$ 32 bilhões a menos no Orçamento de 2016, que é um Bolsa Família, ou quase tudo que é gasto com o seguro-desemprego. Sem o tributo, haverá mais intranquilidade. A CPMF deve ser vista num contexto de que o governo vai avançar em reformas importantes no lado do caixa. É uma ponte para o futuro, para que o país volte a crescer.

ORÇAMENTO DEFINIDO

Levy também afirmou que é fundamental que o Orçamento de 2016 seja definido o quanto antes para que os agentes econômicos saibam das “regras” e passem a tomar decisões, tirando a economia da situação atual. Segundo ele, com a definição da questão fiscal, em dois trimestres a economia tende a começar a reagir.

— É preciso saber quais são as regras para haver jogo. Entrar em campo sem regras é pelada, não é jogo — disse ele.

 

— É por isso que a economia não vai crescer este ano. E a principal ferramenta para se ter essa confiança é ter um Orçamento crível, com as receitas necessárias para sustentar os gastos — acrescentou.

Para o ministro, o país precisa discutir “francamente” as estratégias para restabelecer o equilíbrio fiscal, definindo gastos que devem ser cortados e fontes de receitas. Nesse processo, Levy defendeu que o governo adote mecanismos de avaliação da eficiência dos seus gastos, como fazem países como Holanda e Estados Unidos.

ENCONTRO COM BRADESCO

No final da tarde, Levy se encontrou com o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e se reuniu com empresários da construção civil, aos quais o disse que o governo está trabalhando para baixar custos nos investimentos de infraestrutura:

— É um setor que vai trazer muito investimento, principalmente no ano que vem. Ainda mais nesse cenário de acerto da questão fiscal.
O Globo