João Pessoa 16/08/2018 04:18Hs

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‘A oposição ganha um aliado para derrubar o governo’

Deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP) é um dos principais mosqueteiros de Eduardo Cunha para tocar um processo de impeachment de Dilma na Câmara

paulinho da forçaO deputado Paulo Pereira da Silva, um dos mosqueteiros de Eduardo Cunha na Câmara: “O governo da Dilma apaga fogo com gasolina”(Sergio Lima/Folha imagem/VEJA)

O pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff está nas mãos do mais novo inimigo declarado do Palácio do Planalto: Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados. O peemedebista promete apresentar um parecer nos próximos trinta dias. Para ala mais radical da oposição, o desembarque de Cunha é o movimento que faltava para o afastamento da presidente do cargo se cristalizar como pauta de discussão entre os deputados. “Agora nós temos um aliado importante na Câmara e podemos pensar mais seriamente em uma derrubada do governo”, diz o aliado de Cunha e defensor do impeachment, deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP). Leia a entrevista ao site de VEJA.

Para a oposição, o que significa o rompimento de Cunha com o governo? Desde o dia em que a Dilma reassumiu o governo eu trabalho para derrubá-la. Falta muito tempo para terminar o governo dela, três anos e meio, e o Brasil não aguenta uma gestão incompetente e inconsequente como essa. O governo da Dilma apaga fogo com gasolina: deveria ser o primeiro a tentar fazer um acordo com o Eduardo Cunha e tentar conviver com ele. Mas jogam sujo com as pessoas ao invés de trazê-las para o lado. Tentaram jogá-lo na lama, como estão tentando com todo mundo. Eu acho que agora nós da oposição temos um aliado importante na Câmara e podemos pensar mais seriamente em uma derrubada do governo.

Essa virada para a oposição, então, reforça o pedido de impeachment? Acho que sim. Eu trabalharia com algo um pouco mais complicado do que isso. A primeira coisa é trabalhar por um entendimento entre o PMDB e o PSDB. Refazer aquela aliança antiga que foi rompida na eleição de 2006. Com isso, nós formaríamos um campo democrático e se poderia fazer uma coalizão para dirigir o Brasil nesses três anos e meio. A gente poderia trabalhar com o impeachment da Dilma e, ao mesmo tempo, instalar o parlamentarismo. A ideia é que seja um pouco parecido com o modelo francês, em que o presidente da República, que ficaria a cargo de Michel Temer, tem poderes importantes. A Câmara e o Senado comandariam o governo. Na medida em que os dois partidos se juntam, eu acho que a gente vai ser um polo aglutinador dos menores partidos e de todos aqueles que estão insatisfeitos com o governo. Essa seria uma alternativa para a gente trabalhar no mês de agosto ou setembro.

Qual a influência do Cunha nesse contexto? O Eduardo é, atualmente, o deputado mais influente da Câmara. É o presidente e tem grande poder de articulação com outros partidos e deputados. O Eduardo é o grande eleitor da Câmara e, com a opinião de oposição dentro do Parlamento, muda toda a correlação de forças. Nós já tínhamos imprimido várias derrotas as governo nesses seis meses de mandato e agora melhora essa relação no Congresso. A oposição passa a ter o grande deputado da Casa.

Qual a disposição que ele mostrou para isso? Ele vinha tendo dificuldade de colocar o assunto em discussão porque achava que ainda não tinha maioria, os 342 votos necessários para aprovar o impeachment, e que, então, era preciso um pouco mais de tempo. Mas, agora, na oposição, a gente pode acelerar esse processo.

O que seria aprovado primeiro: o impeachment ou o parlamentarismo? Se a gente fizer um acordo geral, é possível fazer as duas coisas junto: aprova-se o impeachment e em seguida o parlamentarismo. Basta ter maioria na Câmara, e eu acho que esses dois partidos podem aglutinar os demais insatisfeitos.

Quais argumentos poderiam sustentar um pedido de impeachment? As declarações dos delatores, que vivem ganhando manchete nacional, e o nome da Dilma foi citado várias vezes. O problema todo é que o procurador atual é mais um procurador dela do que da República. Mas, assim que a gente tiver esse acerto político, as condições estão dadas. Eu acho que, para citar um caso, a Dilma vai perder no julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU) por unanimidade. Se as contas da presidente forem rejeitadas, o que mais precisa para cassá-la? Nada.

O Cunha também foi citado por delatores. O problema é que o procurador está fazendo o jogo pesado do governo. Ele pega um desses delatores e pressiona até falarem algo que querem ouvir. E aí isso vira notícia nacional. Muito disso que é veiculado a gente sabe que é por causa da pressão. Eu não vejo nenhum problema de estar fazendo uma aliança com o Cunha porque eu não acredito que ele está envolvido nisso. Ele virou o principal personagem que tem criticado o governo. E o governo está fazendo de tudo para envolvê-lo nos escândalos.

O senhor também foi citado. Sim. O Ricardo Pessoa [da UTC] disse que me deu 500.000 reais em 2012. Esse dinheiro foi declarado na campanha para prefeito de São Paulo. O procurador força a barra para citar alguma coisa contra a oposição e o Pessoa falou. Mas comigo não tem problema, até porque ele deu o dinheiro oficialmente.

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