João Pessoa 22/09/2017 02:42Hs

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Acusação contra “quadrilhão” deixa Palácio do Planalto em alerta

Prisão de Geddel também preocupa a cúpula peemedebista da Câmara, da qual Temer faz parte (Foto: PR)

As conclusões do inquérito da Polícia Federal que investigou o chamado “quadrilhão” do PMDB na Câmara – grupo o qual o presidente Michel Temer (PMDB) fez parte – acenderam o sinal amarelo no Palácio do Planalto. Para auxiliares de Temer, o relatório final da PF, apontando que integrantes do PMDB participavam de uma organização criminosa, tem tudo para turbinar uma segunda denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente. Além de uma iminente delação do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), também partícipe do grupo.


No momento em que o Planalto avaliava que as prisões do empresário Joesley Batista e do executivo Ricardo Saud, ambos da JBS, poderiam enfraquecer uma nova acusação contra Temer, o relatório da PF causou preocupação. Além disso, o documento cita o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso após uma operação da PF que encontrou R$ 51 milhões em apartamento usado por ele em Salvador, na Bahia.

O Planalto teme que o falastrão Geddel acabe fazendo uma delação premiada e envolva Temer na prática de crimes. Em conversas reservadas, aliados do presidente têm receio de que Geddel se transforme em um “novo Antonio Palocci”. Ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos do PT, Palocci acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na semana passada, de fazer um “pacto de sangue” com a Odebrecht para receber R$ 300 milhões em propinas.

Desde que a PF descobriu malas de dinheiro atribuídas a Geddel, o governo e a cúpula do PMDB tentam se descolar do ex-ministro. “Acho que quem tem que explicar é a Polícia Federal e, eventualmente, se [Geddel] tiver algum tipo de relação, ele também deve explicar”, afirmou o senador Romero Jucá (RR), presidente nacional do PMDB. “Cada um responde pelos seus atos”, emendou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (RS).

Na avaliação do núcleo político do governo, Janot não deixará o cargo, no fim desta semana, sem apresentar nova denúncia contra Temer. Com esse diagnóstico, ministros já retomaram as conversas para pedir a deputados de seus partidos que não abandonem o presidente se outra acusação contra ele chegar ao plenário da Câmara.

Além de Temer e Geddel, participam do grupo o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), preso desde outubro de 2016, e Henrique Eduardo Alves (RN). Os atuais ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, também estão implicados no processo.

DP