João Pessoa 25/05/2018 22:38Hs

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Ato no Rio contra a redução da maioridade penal pede saída de Cunha da presidência da Câmara

Os manifestantes criticaram a manobra política feita por Cunha ao convocar uma nova votação

cunha golpistaUm ato mobilizado por estudantes através do Facebook reuniu uma multidão na Candelária, no Centro do Rio. Os estudantes pedem a saída do deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara, e querem pressionar as autoridades contra a redução da maioridade penal.

Os manifestantes se reuniram às 17 horas, na parte de trás da Igreja da Candelária. Com bandeiras, cartazes e gritos de guerras, eles seguiram para o gabinete do deputado no Rio, que fica na Avenida Nilo Peçanha.

O presidente regional da União Estadual dos Estudantes (UEE-RJ), Leonardo Guimarães, classificou de golpe a manobra regimental que permitiu a aprovação da matéria e disse que é possível reverter a votação em segundo turno: “É unanimidade nos movimentos estudantis: nós somos contra a redução da maioridade penal. A solução para a violência não passa pela redução nem por mais cadeias.”

“Nós precisamos nos unir para derrotar esses caras nas ruas, já que infelizmente, ainda tem gente que faz o favor de votar nessas pessoas. Nós, jovens, estudantes, temos uma responsabilidade muito grande em nossas mãos. Nós precisamos mudar o rumo desse país”, comentou Pedro Luis Neves, que portava um cartaz com os dizeres ‘Redução não, a solução é a educação’.

Rael Oliveira, um dos integrantes do movimento RUA, lembrou que para se tomar uma atitude que seja capaz de diminuir a violência no país é preciso reconhecer os problemas históricos do país, que estão enraizados na sociedade.

“É nítido que precisamos reduzir a violência no Brasil. É preciso reconhecer na raiz os elementos que produz essa violência. A falta de investimentos na educação pública, a hipócrita guerra às drogas, e sem dúvidas um país que foi fundado no racismo são alguns desses elementos. A indignação frente ao golpe do Eduardo Cunha não pode e não vai nos abater”, explicou Rael.

Aline dos Santos lembrou que Eduardo Cunha foi colocado no poder graças aos eleitores cariocas, já que o mesmo é filiado ao PMDB-RJ, e foi eleito Deputado através das eleições no estado do Rio de Janeiro. Segundo Aline, o mesmo povo que o colocou no poder, não vai medir esforços para tira-lo de lá.

“Nós precisamos lembrar que foi esse estado, o Rio, quem elegeu este homem deputado. E esse mesmo estado, vai se unir de norte a sul para retira-lo do poder. Não nos falta presídios, não precisamos de mais cadeia. Precisamos é de mais faculdades, mais educação, mais empregos e salários decentes”, criticou Aline.

Carla França, tem apenas 24 anos, é mãe de um menino de 6, moradora da comunidade da Rocinha, na Zona Sul, ela diz que a redução tem como meta diminuir a violência nos locais em que ela já é reduzida, como nos bairros nobres.

“Como mãe, eu nunca ficaria tranquila sem estar com o meu filho em casa e saber que vou poder confiar na educação que ele vai receber. Com ele nas mãos do sistema carcerário, não é possível saber o que está acontecendo com ele. Essa ideia de redução é apenas para dar paz aos bairros nobres, para a classe média. Quem apoia a redução da maioridade penal não se importa com a paz nos locais que realmente precisam de paz, como as comunidades e os bairros mais pobres”, disse Carla.

Carla França criticou também os nomes mais conhecidos da bancada conservadora, como Paulo Maluf, Marcos Feliciano e Jair Bolsonaro.

“Um homem que é procurado pela Interpol por desvio de dinheiro público, como é o caso do deputado Paulo Maluf, dar uma declaração dizendo que os direitos humanos são para humanos direitos parece até uma piada. Homens como Paulo Maluf, Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano não nos representam. Pelo contrário, nos envergonham.” Encerrou.

A juventude demonstrou força e união e acabou saindo vitoriosa na derrubada da PEC 171, no dia 30 de junho. No entanto, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), colocou em votação, no dia seguinte, uma emenda que fazia pequenas alterações no texto original, retirando os crimes de tráfico de drogas, roubo qualificado, terrorismo e tortura, e colocou novamente em votação, que foi vencida pelos interesses do presidente da Câmara.

O diretor eleito de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), Felipe Garcez, afirmou que ainda haverá muita mobilização nas ruas contra a PEC e ressaltou que, se for preciso, a UNE recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida. “A UNE é contra essa proposta, que quer encarcerar a juventude brasileira, e tem feito mobilizações em todo o país. A solução é mais escolas”, disse Garcez, que deve tomar posse no próximo dia 14 em Brasília.

Jornal do Brasil