João Pessoa 25/06/2018 18:11Hs

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Cunha afirma que governo não conseguirá cumprir nova meta fiscal.

Presidente da Câmara criticou Joaquim Levy e disse que ministro da Fazenda "não tem o que reclamar" do Congresso.

eduardo cunha presidente 1BRASÍLIA – Após receber a visita do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou acreditar que a nova meta fiscal anunciada pelo governo na semana passada não será cumprida. Segundo Cunha, a reunião, que durou cerca de uma hora, realizada a pedido de Barbosa, tinha como objetivo tratar da tramitação do projeto sobre o tema.

– Essa meta do jeito que está colocada não será cumprida porque tem três variáveis de difícil cumprimento. Ele (Nelson Barbosa) concorda comigo que governo tem que mandar o projeto de repatriação. Sem isso, torna difícil cumprir parte da meta e mesmo assim é receita incerta. Mesmo que o governo mande, não se tem a garantia de que aquele montante vai ser atingido. Sobre as concessões, também é difícil saber se o governo vai concluir esse ano e se o mercado vai aceitar o pagamento daquele valor. E o novo refis que lançaram é também incerto, por estimular uma perda de arrecadação nos próximos três meses. São três metas duvidosas – afirmou o peemedebista.

Cunha comentou ainda a mudança negativa na perspectiva da nota de classificação de risco do Brasil, feita nesta terça-feira pela agência Standard & Poor’s. O presidente da Câmara citou a crise política e a “incapacidade” do governo em cumprir compromissos como fatores que podem levar a um rebaixamento do grau de investimento do país.

— As condições para um rebaixamento de grau de investimento do Brasil se dão por dois motivos: deterioração da atividade econômica e incapacidade de cumprir os compromissos, tanto que estamos tendo que revisar a meta. Segundo, pela crise política, que restringe os horizontes para se consertar os problemas da economia. São fatores preocupantes. Começou um processo que vai ser replicado pelas três agências de investimento. É preocupante sim, um sinal de alerta importante – pontuou.

 

 CRÍTICAS A LEVY

O deputado também rebateu a fala da presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira, em reunião de coordenação com ministros. Segundo Cunha a Operação Lava-Jato não foi a responsável pela queda de um ponto do PIB. O deputado disse, porém, que a retração dos investimentos das empresas afetadas pela operação pode contribuir para a desaceleração da atividade econômica.

— Não acho que a Lava-Jato é culpada pela queda do PIB, ninguém é maluco. Agora, a queda do PIB vai ser muito maior do que ela (Dilma) anunciou daquilo que pode ter sido impactado pela Lava-Jato. Um componente que pode ter agravado é, não a Lava-Jato em si, mas as empresas que estão envolvidas na Lava-Jato, pela retração nos investimentos e das obras públicas decorrentes disso, como a Petrobras. Causa impacto na economia sim, não se pode desprezar esse fator, mas não que a Lava-Jato tenha causado queda do PIB.

Cunha atacou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por ter afirmado que o Congresso enfraqueceu a meta fiscal do governo.

– Talvez ele que não saiba lidar com a economia ou lidar com o Congresso. Todas as medidas do chamado ajuste fiscal dele foram aprovadas pela Câmara. Não tem o que reclamar. Agora, se o ajuste fiscal dele tinha R$ 25 bilhões de expectativa de aumento de receita e o país perdeu nesse ano R$ 122 bilhões de arrecadação tributária, não foi o Congresso que deprimiu a economia – criticou.

 O Globo