João Pessoa 21/05/2018 06:57Hs

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Defesa de Cunha tenta adiar julgamento no Supremo Tribunal Federal

cunha aperriadoA defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu nesta segunda-feira (29) adiamento do julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o deputado. O Supremo Tribunal Federal marcou o julgamento para a próxima quarta-feira (2).

Os advogados de Cunha alegam que o Supremo não pode julgar se abre ação penal contra o parlamentar sem julgar dois recursos protocolados pela defesa, nos quais os advogados pedem mais prazo para contestação.

O presidente da Câmara foi denunciado em agosto do ano passado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sob a acusação de ter recebido propina para que um contrato de navios-sonda da Petrobras fosse viabilizado.

De acordo com Janot, Cunha recebeu US$ 5 milhões para viabilizar a contratação de dois navios-sonda do estaleiro Samsung Heavy Industries em 2006 e 2007. O negócio foi feito sem licitação e ocorreu por intermediação do empresário Fernando Soares e o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

O caso foi descoberto a partir do acordo de delação premiada firmado pelo consultor Júlio Camargo, que também participou do negócio e recebeu US$ 40,3 milhões da Samsung Heavy Industries para concretizar a contratação, segundo a denúncia.

Em outra acusação, Janot afirma que Eduardo Cunha pediu, em 2011, à ex-deputada e atual prefeita de Rio Bonito (RJ) Solange Almeida a apresentação de requerimentos à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara para pressionar o estaleiro, que parou de pagar as parcelas da propina.

Segundo Janot, não há dúvida de que Cunha foi o verdadeiro autor dos requerimentos. A prefeita foi incluída no processo. Cunha nega todas as acusações a afirma que não vai deixar o cargo.

Datafolha: 76% querem renúncia de Eduardo Cunha da Câmara

aPesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta segunda-feira (29) pela Folha de S.Paulo apontou que 76% dos eleitores defendem que o presidente da Câmara, Eduardo Cunh (PMDB-RJ), renuncie ao cargo. O número é 11 pontos superior ao apurado pela pesquisa em dezembro. Apenas 12% são contra a renúncia de Cunha, que será julgado no STF nesta quarta-feira (2). Caso o inquérito seja aceito pelo plenário da Corte, o deputado peemedebista se torna réu e responderá por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Cunha também é investigado no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar, acusado de mentir aos colegas na CPI da Petrobras quando disse que não possuía contas na Suíça.

Jornal do Brasil