João Pessoa 24/06/2018 22:45Hs

Início » Brasil » Depoimento de Eduardo Cunha à CPI da Petrobras vira ato de desagravo

Depoimento de Eduardo Cunha à CPI da Petrobras vira ato de desagravo

PSDB e PT elogiam o presidente da Câmara; apenas Clarissa Garotinho o questionou

eduardo cunha em depoimentoBRASÍLIA – O depoimento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na CPI da Petrobras, para tentar esclarecer as acusações de que teria recebido dinheiro de propina do esquema na petroleira, virou um grande ato de desagravo a ele, protagonizado por quase todos os partidos — exceto por parte da deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), que questionou Cunha:

— Trata-se de uma reunião vergonhosa essa. Porque trata-se de uma reunião de felicitação. E eu achava que estava em uma reunião de CPI. Quantas vezes e onde o senhor esteve com Youssef? Por que razão Youssef esteve com o senhor? Quantas vezes esteve com Fernando Soares, em quais circunstâncias? Qual é a relação do senhor com o doleiro Funaro?

Ivan Valente (PSOL-SP) também questionou o presidente da Câmara.

— Como o presidente da Câmara representa um Poder, Vossa Excelência veio ofensivamente, se adiantou. Queria saber se Vossa Excelência aceitaria também se adiantar e quebrar os sigilos fiscal, bancário do senhor — disse Valente. — Protocolamos hoje (quinta) a convocação de várias pessoas (Fernando Soares, Youssef, Careca). Peço que possamos aprovar esses requerimentos com rapidez. É importante até para que o senhor possa, inclusive, desmoralizá-los aqui, publicamente.

Na defesa de Cunha — que afirmou que o Ministério Público escolheu a quem investigar e teve motivação política, além de voltar a atribuir a inclusão de seu nome na lista como uma forma de transferir a crise política do Palácio do Planalto para o Congresso Nacional —, as disputas políticas foram deixadas de lado, e o que se viu foi a união entre o PSDB e o PT na alternância de elogios ao presidente da Câmara. Os dois lados, no entanto, têm objetivos diferentes: o PSDB, por meio do discurso de seu líder, Carlos Sampaio (SP), procurou desacreditar a delação premiada do ex-policial Jayme Oliveira Filho que acusou Cunha e o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) de receberem dinheiro do esquema de fraudes. Já o líder do PT, Sibá Machado (AC), ao elogiar Cunha procura desanuviar o ambiente tenso entre ele e o Planalto.

— Não há nenhum fato que relacione o seu nome a esta lista. Não há nenhuma razão para ver seu nome citado — afirmou Sibá. — Essa é opinião é da minha bancada e acredito que deve ser uma opinião comum. Esperamos separar as disputas políticas dos fatos concretos. E o fato concreto é que o nome citado para uma abertura de investigação, não há culpabilidade. Ficou uma disputa de nome que entra e nome que sai e isso é extremamente maldoso para os citados, para a classe politica.

Sibá colocou em dúvida até mesmo o instrumento de delação premiada. Sem citar nomes, ele se referiu, de forma indireta, ao depoimento do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco que quarta-feira confirmou, na CPI, que fez várias reuniões com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para dividir o dinheiro da propina.

— Essa história de que esta num lado da rua ou do outro eu não quero entrar. O problema está onde tudo começou. Muitas das coisas veiculadas são com base nas falas destas pessoas. Vale a palavra desta pessoa, e só a palavra, nada além da palavra? Confio nas suas palavras. A delação premiada está por um fio.

O deputado Arthur Maia (SD) também foi puro elogios a Cunha.

— A vinda de Vossa Excelência é um desagravo a esta Casa e a todos os deputados. O pedido de investigação traz para o conjunto da Casa uma condição de dúvida. Quero parabenizá-lo pela sua brilhante contribuição.

O líder do DEM, Mendonça filho (PE), disse que estava satisfeito com os esclarecimentos prestados por Cunha.

O líder da minoria, Bruno Araújo (PSDB-PE), foi outro a rasgar elogios a Cunha destacando a “qualidade” de sua defesa no conteúdo e sua “firmeza”.

— Vossa Excelência é mais presidente hoje do que às vésperas dessa lista — afirmou Araújo.