João Pessoa 26/05/2018 21:46Hs

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Eduardo Cunha afirma que não pensa em renúncia

Presidente da Câmara é investigado por envolvimento na Lava Jato

lava jato cunhaO presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sinalizou nessa sexta-feira, dia 24, que não tem intenção de renunciar ao cargo mesmo se for denunciado por envolvimento na Operação Lava Jato.

Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, Cunha descartou deixar a Casa depois de ser acusado por Júlio Camargo, consultor da Toyo Setal e delator, de cobrar propina de US$ 5 milhões em um contrato de sonda da Petrobras.  “A eventual denúncia, se ocorrer, terá de ser apreciada pelo plenário do STF. Não cogito qualquer afastamento”, afirmou ele, que nega a acusação.

Por ser tratar de uma denúncia contra o presidente da Câmara, o caso deve ser analisado pelos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Planalto tem esperança que a denúncia seja realmente analisada pelo STF e que breque as movimentações do peemedebista, que desde fevereiro deste ano, quando foi eleito para o posto, vem articulando derrotas significativas contra o governo federal. Ele, no entanto, ironiza a torcida pela renúncia. “Se o Planalto tivesse força para fazer alguém, o presidente teria sido Arlindo Chinaglia e não eu”, declarou à publicação sobre o candidato do PT-SP apoiado pelo governo que foi derrotado por ele no comando da Casa.

Auxiliares da presidente observam as atitudes de Cunha com cautela, já que acreditam que ele usará o recesso parlamentar de julho para buscar novos aliados.

Entenda a Operação Lava Jato

Operação Lava Jato

Deflagrada em março de 2014, a operação da Polícia Federal investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteras e políticos do país. Estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres da maior estatal do país, esteja na casa de bilhões de reais. No esquema, que dura pelo menos dez anos, grandes empreiteiras organizadas em cartel pagavam propina para altos executivos da estatal e outros agentes públicos. O valor da propina variava de 1% a 5% do montante total de contratos bilionários superfaturados. Esse suborno era distribuído por meio de operadores financeiros do esquema.

Primeira fase

A Polícia Federal dá início a Operação Lava Jato, fruto de investigações de lavagem de dinheiro feitas desde 2009. Na primeira fase, são cumpridos mais de 80 mandados de busca e apreensão, 18 de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 19 de condução coercitiva (quando o suspeito é levado para prestar depoimento) em seis estados e no DF. Entre as prisões está a do doleiro Alberto Youssef, apontado como responsável no esquema. Na ação, também foram encontrados R$5 milhões em dinheiro e 25 carros de luxo, joias, quadros e armas. A polícia calcula que a quadrilha, da qual Youssef fazia parte, teria movimentado ao menos R$ 10 bilhões em dez anos.

Folhapress
O doleiro Alberto Youssef é apontado como responsável pelo esquema

Segunda fase

Mais seis mandados de busca e apreensão são cumpridos e um de prisão temporária: a do ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Segundo a PF, suspeitas – como uma Land Rover comprada de presente – ligavam o nome de Costa a Youssef e a quadrilha de doleiros.

Daniel Marenco/Folhapress
Ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa

Terceira fase

A ação buscou provas sobre a ligação de Costa com Youssef. A Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, e a empresa Ecoglobal Ambiental, de Macaé (RJ), foram alvos de investigações da PF. Documentos e R$ 70 mil em dinheiro foram apreendidos na sede da estatal. O nome do ex-deputado federal Luiz Argôlo surge como aliado de Alberto Youssef.

Band.com