João Pessoa 24/06/2018 08:55Hs

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Família vai doar órgãos de médica morta na Linha Vermelha

marido da médicaO cirurgião plástico Renato Palhares, marido da médica Gisele Palhares Gouvêa, de 34 anos, afirmou que a família vai doar as córneas da jovem morta após uma tentativa de assalto na Linha Vermelha, na noite deste sábado. Segundo o cirurgião, a mulher era uma pessoa extremamente solidária e já tinha manifestado o interesse em ser doadora de órgãos. Gisele tinha participado de inaurugações em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e estava voltando para a casa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

Gisele Palhares Gouvêa foi morta durante tentativa de assalto na Linha Vermelha

— Minha mulher era um anjo. Eu sou médico e ela não precisava trabalhar, mas ela fazia questão de ajudar as pessoas. Ela ficava muito mais feliz atendendo as pessoas em Iguaçu do que fechada em um consultório na Barra — contou o marido, o médico Renato Palhares.

Marido da médica Gisele afirma que a família vai doar as córneas dela

O velório de Giselle será hoje em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Já o enterro está previsto para acontecer amanhã às 14h. Muito abalado, Renato pediu que o secretário de segurança José Mariano Beltrame tome providências.

— Estou abismado com a violência do Rio. Vim pedir que as autoridades repensem a segurança da cidade. Não podemos viver nestas condições. Peço diretamente ao secretário José Mariano Beltrame, que me conhece e conhece a Gisele, que tome providências. É um absurdo o que foi feito, de forma covarde. Mais uma vida ceifada de maneira brutal. Esses bandidos não podem ficar impunes

Em viagem à França, o cirurgião plástico Renato manifestou o interesse em presentear a mulher com um carro blindado.

— Lá, a violência do Rio está repercutindo muito. Na viagem, chegamos a comentar em comprar um carro blindado para ela, porque não dava para a Giselle ficar na Barra ilhada. Ela gostava de ir em Nova Iguaçu, só que o problema é a Faixa da Gaza que fica no caminho que é a Linha Amarela e Vermelha — disse o médico.

Preocupados com a insegurança, o pai da médica, o aposentado Usias Moura Gouvêa, de 75 anos, lamentou não der dado tempo de trocar carro, que já seria blindado neste próximo mês.

— Não deu tempo. Eles iam trocar o carro e blindar o veículo porque a segurança está como está… — afirmou o pai da jovem.

O aposentado lamentou a morte da filha e criticou o governo.

— Estamos vivendo em insegurança total. Nossas autoridades estão mais preocupadas com olimpíadas e obras faraônicas. Estamos a mercê da própria sorte e eu perdi uma joia — lamentou Usias.

Tentativa de assalto

Depois de sair de Nova Iguaçu, onde trabalhava, Gisele teve o carro abordado por assaltantes entre a Pavuna e São João de Meriti, por volta das 19h, e foi baleada. Ela havia participado da inauguração de uma unidade de reabilitação do Centro de Acolhimento ao Deficiente (CAD), no bairro Monte Líbano, em Nova Iguaçu três horas antes do crime. A médica passava pela Linha Vermelha para voltar para casa, na Barra da Tijuca.

Ela chegou a ser encaminhada para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, mas não resistiu. O crime foi registrado inicialmente na 39ª DP (Pavuna), mas será transferido para a DH. O carro onde a médica viajava, um Land Rover, já foi periciado.

Em nota, a Prefeitura de Nova Iguaçu informou que está cobrando das autoridades de segurança pública “o máximo empenho nas investigações para identificar os autores deste crime” e agradeceu o trabalho da médica, que foi diretora geral da Clínica da Família de Vila de Cava, no mesmo município.

Leia a nota da Prefeitura de Nova Iguaçu, na íntegra:

A Prefeitura da Cidade de Nova Iguaçu torna público seu agradecimento ao exemplar trabalho que a médica Gisele Palhares Gouvêa realizou na saúde pública do município como Diretora Geral da Clínica da Família de Vila de Cava. Doutora Gisele, uma profissional querida pela comunidade do bairro de Nova Iguaçu, onde viveu toda sua infância, adolescência e juventude, estava a caminho de sua residência, na Barra da Tijuca, apos um sabado de trabalho,quando foi assassinada a tiros, na altura de São João de Meriti, na entrada da Via Dutra para a Linha Vermelha. Além de se solidarizar com a família e os amigos de Gisele, a Prefeitura está cobrando das autoridades de segurança pública o máximo de empenho nas investigações para identificar os autores deste crime que deixa Nova Iguaçu chocada.

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