João Pessoa 18/06/2018 15:29Hs

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Irritado com enchentes na cidade, prefeito de Maricá ataca Pezão no Rio de Janeiro

Washington Quaquá chamou governador de 'incompetente'. Secretaria confirmou cinco mortes por causa de alagamentos

enchentes riioRio – O temporal que atingiu o Estado do Rio deixou um rastro de destruição, mortes e confusão. A Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos contabilizou cinco mortes —uma em Silva Jardim, outra em Saquarema e três em Araruama, na Região dos Lagos. A Prefeitura de Araruama, no entanto, nega as vítimas. Já a morte de um menino de 3 anos em Cachoeiras do Macacu, confirmada pela prefeitura local, ficou de fora da estatística do estado.

Em Maricá 360 pessoas estão desabrigadas, de acordo com cálculos da prefeitura. Ou 650, segundo o estado. Já a Secretaria Estadual de Defesa Civil informou apenas que não tinha dados sobre os estragos causados pelas chuvas e os próprios municípios é que deveriam cuidar do assunto.

O tempo também fechou na política. Aliado do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT) o chamou de incompetente e usou palavra de baixo calão ao se referir a ele, responsabilizando o estado pela enchente na cidade. Segundo o prefeito, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) proibiu o município de limpar os canais.

“Por isso a água não escoou”, esbravejou Quaquá, em entrevista em vídeo postado no site ‘Lei Seca Maricá’. A reportagem tentou contato à noite com o governador, mas não conseguiu. No condomínio do Minha Casa Minha Vida em Maricá moradores precisaram de barcos, retroescavadeiras e caminhões para deixar o local. Três homens foram presos, acusados de saques.

Milhares de pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas por causa da chuva que começou na noite de domingo e continuou por toda a segunda-feira. A previsão é de que o tempo permaneça fechado até sexta-feira, segundo o meteorologista Caetano Mancini, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos.

Em Araruama, segundo o prefeito Miguel Jeovani (PMDB), há 840 pessoas desalojadas ou desabrigadas. “Famílias perderam tudo. Em algumas ruas, a água chegou a um metro e meio de altura. Limpamos os rios, mas a chuva veio com muita força”, lamentou o prefeito, que decretou estado de emergência. Em Saquarema, Fernando Cordeiro Ferreira, 55, foi arrastado pela correnteza e morreu. A prefeitura, até ontem à noite, não tinha fechado o número de pessoas que tiveram que deixar suas casas.

Em Cachoeiras de Macacu, além da queda de uma barreira que causou a morte de uma criança, cerca de 2 mil pessoas estão desabrigadas. “O prejuízo foi grande na área rural, que ficou isolada. Cinco pontes foram destruídas”, relatou o vice-prefeito Edson Cosendey (PDT). Em Silva Jardim, 300 pessoas estão desabrigadas e 50 desalojadas.

No Rio, a Defesa Civil registrou um deslizamento em Santa Teresa. Hoje acontece a primeira reunião entre equipes da prefeitura e da Nasa para iniciar um projeto de monitoramento de risco e resposta a desastres. Em São Gonçalo, que teve ao menos 70 desabrigados, equipes passaram o dia retirando lixo das ruas.

Tristeza, revolta e saques

Desolado, Átila Gomes, de 32 anos, estava sentado num sofá velho e molhado, no meio da rua, olhando para um fogão: “Foi isso que me restou.” Além da tempestade que deixou bairros de Maricá submersos, como Itaipuaçu, moradores ainda enfrentaram outro drama: os saques nas casas do Condomínio Carlos Marighella, do Minha Casa Minha Vida.

Paulo Álvares, 50 anos, não reside no local, mas encarou a enchente para ficar ao lado da mãe, Maria do Carmo Álvares, de 70. Ela não quis sair com medo de ter sua casa invadida por ladrões. “Não posso deixá-la sozinha, ela não quer deixar as coisas para trás”, disse. Ele estava em cima de uma retroescavadeira, que retirava os moradores das casas inundadas.

Revoltados, moradores não perdoaram três homens acusados de saquear o local. Cercaram os suspeitos e quase protagonizaram um linchamento. Por cerca de 100 metros, eles apanharam de uma pequena multidão, contida pela Guarda Municipal. A PM também foi chamada para tomar conta do local.

Alguns moradores disseram que já enfrentaram problema semelhante anteriormente. E que realmente uma dragagem deveria ter sido feita para se evitar o problema. Falou-se até em desviar curso de canal.

O Dia