João Pessoa 18/06/2018 11:16Hs

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Jornal revela áudio em que jurado admite manipulação de notas do carnaval no Rio

Fabiano Rocha, que seria responsável pela apuração no quesito Bateria, foi afastado horas antes dos desfiles

RAINHA CARNAVALUma gravação em áudio bastante comprometedora coloca em dúvida a credibilidade do carnaval do Rio de Janeiro. Segundo informações do Jornal Extra, Fabiano Rocha, jurado do quesito Bateria na apuração carioca, admite que existe manipulação de notas entre as escolas de samba – ele foi afastado horas antes dos desfiles.

“É natural que, para as escolas que eu tirei ponto ano passado, eu dê uma moralzinha a mais, de repente até com 10. É um rodízio natural”, disse Fabiano a uma mulher não identificada. “É muito possível que eu vá tirar (pontos) da Beija-Flor, do Salgueiro, da Tijuca”, continua o jurado no áudio.

Para Fernando Horta, presidente da Unidos da Tijuca, que teve acesso à gravação no sábado que antecedeu os desfiles do Grupo Especial, o áudio prova que sua agremiação não foi beneficiada em momento algum, como afirmou o coordenador da comissão de carnaval da Beija-Flor, Laíla.

“O que me deixou mais revoltado é que o Laíla deu uma declaração de que Fabiano ia prejudicar só a Beija-Flor, o Salgueiro e a Imperatriz. Mas a Liga já tomou as providências necessárias”, disse Horta.

No final das contas, a Mangueira foi a grande campeã do carnaval carioca em 2016 com homenagem a Maria Bethânia. A Unidos da Tijuca ficou na segunda posição, apenas 0,10 pontos atrás da líder (269,80 a 269,70), mesma pontuação que a Portela, que ficou em terceiro. A Estácio de Sá foi rebaixada.

Confira a transcrição completa dos áudios que o Extra divulgou:

“Em off, até por uma questão política e inteligente de me manter, é natural que as escolas que eu tirei ponto ano passado, eu dê uma moralzinha a mais, algumas de repente até com 10. E escolas que eu dei 10 ano passado… É um rodizio natural, possivelmente eu vou beliscar alguma coisinha esse ano. A não ser que venha muito foda, é muito possível que eu vá tirar da Beija-Flor, que eu vá tirar do Salgueiro, que vá tirar da Tijuca. É muito possível. É uma questão de política, de inteligência. Já sabendo que o esquema é assim, tem que ser inteligente. Eu não posso perder a boquinha, perder o network, por ideologia. Ideologia não paga conta, não”.

“O Salgueiro vai se f… Que que acontece? Tem muito crente na parada, e crente sabe que é um bicho radical, arbitrário, e o enredo não está favorecendo. Eles vão tomar pau numa porrada de coisa. Aquele negócio da Viviane Araújo… legal, bonito, bacana, mas a ‘crentaiada’ não desce na cabeça deles. Crente é uma raça que vai na igreja e quebra a imagem da Nossa Senhora e acha que está certo. Você acha que vai convencer crente do contrário?”

“Se eu quiser tirar um ‘decimozinho’, dois, dá para tirar. Perfeito não fica, cara. Se fosse assim, os discos de escola de samba, os CDs, seriam gravados com 200, 300 ritmistas. Como que são gravados? É um repique, um surdo, um surdo de segunda, de terceira, uma caixa de som. É assim que grava. Ali no meio da muvucada toda, tem sempre um tamborim que sobra, um chocalho que sobra, uma caixa desencontrada. É que a gente vê pelo todo. Lembra ano passado, que eu não ia dar 10 para o Salgueiro e acabei dando? Teve umas sobrinhas, teve um leve desencontro. Mas falei: ‘tudo bem, passou’. Ele chega com 10, mas nas primeiras passadas o 10 já vai indo embora. A gente dá 10 às vezes porque… não tem perfeito, o 10 é o que vai para o menos imperfeito, não tem muito o que inventar. Todas têm deficiência, um probleminha aqui, ali, todas tem.”

IG