João Pessoa 16/08/2018 20:20Hs

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Marqueteiro diz em delação que Leonardo Picciani pediu parcela de contrato de publicidade do Ministério da Saúde

Ministro teria proposto o pagamento de 4,5% da receita bruta da agência em contrato. Valor foi reduzido a 3%, mas licitação foi suspensa.

Leonardo Picciani durante entrevista em Brasília (Foto: Adriano Machado/Reuters)

 O marqueteiro Renato Pereira afirmou em sua delação, que ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal, que foi chamado para participar de uma reunião com o ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), para tratar de facilidades para que a sua agência, a Prole, ganhasse uma licitação de publicidade no Ministério da Saúde. A pasta era, na época, também era ocupada pelo PMDB, partido de Picciani.

Segundo o depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República, a primeira reunião teria sido em um escritório de advocacia no Rio de Janeiro, em 2015.

Picciani teria perguntado a Renato Pereira se a Prole, agência do marqueteiro, teria interesse em participar, mediante uma remuneração de 4,5% da receita bruta da agência para o ministro. De acordo com o depoimento, esse era o valor que a outra agência, a Propeg, também pagava.

Por conta desse percentual, Renato Pereira diz que desistiu de participar da licitação. Em uma segunda reunião, na casa de Leonardo Picciani, o ministro teria proposto ao marqueteiro o pagamento de 3%. Desta maneira, o acordo foi fechado.

Após o acordo, Renato Pereira diz que foi a Brasília para uma reunião com um funcionário do Ministério da Saúde, onde ficou acordado que a Prole seria uma das agências vencedoras da conta de publicidade da pasta, mas, após o impeachment de Dilma Rousseff, a família Picciani perdeu a influência do Ministério da Saúde e a licitação, que já estava acertada, foi suspensa.

Ministério do Esporte

Em 2016, Renato Pereira disse que voltou a se reunir com Picciani, que havia sido nomeado ministro do Esporte. No novo encontro, dessa vez no gabinete do ministro, Renato Pereira fechou o acordo em que a Prole ganharia a licitação para a pasta. Logo em seguida, Pereira afirmou que desistiu de assumir a conta, pois não seria lucrativa, devido a estrutura que teriam que montar em Brasília.

 Em nota, a defesa de Leonardo Picciani disse que a acusação é “fantasiosa” e que, apesar de não ter conhecimento da delação de Renato Pereira, afirma que ele nunca tratou com o então ministro da Saúde na época, Marcelo Castro, sobre qualquer licitação na pasta que ele comandava.

“Todas as minhas conversas podem se dar em público, uma vez que não pratiquei nem pratico qualquer irregularidade. Já me encontrei com Renato Pereira, mas não me recordo o local e nem quem solicitou que o atendesse. A denúncia é uma mentira de quem quer se livrar da cadeia acusando outros sem provas”, diz a nota.

G1