João Pessoa 25/05/2018 01:26Hs

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Marx Beltrão é investigado por desvio de R$ 43 milhões da educação

PGR APURA ESQUEMA NA GESTÃO DE EX-PREFEITO, MINISTRO DO TURISMO

O ministro do Turismo Marx Beltrão (PMDB-AL) foi alvo de reportagem que denunciou um desvio de mais de R$ 40 milhões de recursos da Educação, em sua gestão na Prefeitura de Coruripe, no Litoral Sul de Alagoas. A denúncia foi exibida no quadro ‘Cadê o dinheiro que estava aqui?’, na noite deste domingo (07), no programa do Fantástico, da TV Globo.

Na reportagem, o procurador da República em Alagoas, Marcelo Lobo, confirma que a Procuradoria Geral da República (PGR) já recebeu a documentação do Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas, sobre a investigação da conduta de Marx Beltrão, sob a perspectiva criminal, devido à prerrogativa de foro do ministro.

O esquema que envolveu 29 pessoas e mais de 25 empresas, para desviar R$ 43 milhões de verbas para ações no ensino público, merenda, transporte escolar e construção de escolas, financiadas pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

“Manicure, motorista, vigia da prefeitura, enfim, de pessoas de origem humilde que eram manipuladas por esse grupo que direcionou licitações e desviou recursos públicos da Prefeitura de Coruripe”, disse Marcelo Lobo.

Segundo a reportagem, o ministro é alvo de outras nove ações em que o MPF pede sua condenação por improbidade administrativa.

‘PARAÍSO DOS LARANJAS’

SERVENTE DIZ QUE VIROU LARANJA AO BUSCAR EMPREGO (REPRODUÇÃO GLOBO)

A reportagem citou o belíssimo muncípio litorâneo de Coruripe como o paraíso dos laranjas, ao mostrar que, de 49 licitações da Prefeitura de Coruripe, em 2011 e 2012, 41 foram vencidas por empresas que tinham o mesmo contador. Sendo que 14 delas compartilhavam o mesmo número de telefone. E ainda foram admitidas como regulares a participar do certame, mesmo sem apresentar a certidões exigidas por lei.

Segundo o procurador do MPF em Alagoas, a esposa do contador Manoel de Souza Filho, tinha uma empresa que dividia o mesmo endereço com a empresa da mulher do diretor do departamento de compras de Coruripe, Francisco Beltrão, que é primo do prefeito. E ambas as empresas de ambas disputaram licitação e venceram, quando a irmã do prefeito, Jeanine Beltrão (PRB), era secretária de educação. Jeanine hoje é prefeita de Jequiá da Praia.

Segundo as investigações, o chefe de compras da Prefeitura de Coruripe também foi sócio do contador que é acusado de abrir as empresas participantes do esquema. “A mulher do chefe do setor de compras, o cunhado e o sogro constituíram empresas com essa finalidade criminosa, que é desviar os recurso de Coruripe”, disse o delegado da Polícia Federal Daniel Granjeiro.

O servidor da secretaria da Educação, Diego Calixto, é apontado como operador da lavagem de dinheiro do esquema. Dezenas de cheques da Prefeitura de Coruripe, que somam mais de R$ 1 milhão, foram sacados na boca do caixa pelo servidor considerado um “entreposto financeiro” do esquema, pelos investigadores.

PROFESSOR DA FGV VÊ QUE CORRUPTOS AGEM SEM TEMOR NO INTERIOR DO BRASIL

‘ESQUEMA TOSCO’

O professor da Fundação Getúlio Vargas, Michael Mohallem, considerou tosco o método do esquema denunciado. “Ao mesmo tempo que a Lava Jato mostra um alto grau de sofisticação, a gente vê a persistência e a existência de fraudes evidentes como estas. São fraudes toscas. Passou a ser uma atividade arriscada, em Brasília, se envolver em esquema de corrupção. Mas essa realidade parece não ter chegado aos pequenos municípios do Brasil”, disse o integrante da FGV.

Enquanto o contador afirmou que nenhuma dessas empresas havia sido aberta ilegalmente e sem a presença dos respectivos empresários, o servente de pedreiro José Claudio dos Santos disse à reportagem que entregou documentos para a suposta quadrilha, imaginando que seria para obter um emprego. Ele está há dois anos desempregado, fazendo bico. “Era um emprego. Eu não sabia que era negócio de empresa, não”, disse o servente, usado como laranja no esquema.

ESTRANHAMENTO ELEITORAL

Em nota enviada à TV Globo, a prefeita Jeanine Beltrão negou qualquer irregularidade à época em que esteve à frente da Secretaria de Educação de Coruripe. Ela ressaltou que não responde a processo ou inquérito relativo a verbas do Fundeb. E disse estranhar o fato de, depois de cinco anos de investigação, o fato ressurja no ano eleitoral, quando seu irmão Marx Beltrão é um dos pré-candidatos a senador, com proposta de renovação política.

Assim como sua irmã, Marx Beltrão respondeu por meio de nota, negando responder inquérito relativo à investigação citada na reportagem, e apontou avanços no ensino público sob sua gestão. Ele defendeu que se qualquer irregularidade for identificada, sejam punidos os responsáveis.

“O ministro estranha que o caso tenha voltado a público em ano eleitoral, quando o projeto de renovação política em Alagoas se prepara para enfrentar as forças da continuidade no Estado”, diz o trecho final da nota de Marx Beltrão. (Com informações do Fantástico).

Diário do Poder