João Pessoa 18/06/2018 11:20Hs

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Moro torna réu ex-tesoureiro do PT que teria usado escola de samba para lavar dinheiro e mais 13

Responsáveis pela construção de centro de pesquisas da Petrobras teriam pago R$ 20 milhões em propina.

paulo-ferreira-escola-de-sambaPaulo Ferreira rege escola de samba em Porto Alegre – Divulgação

SÃO PAULO – O juiz Sérgio Moro aceitou nesta segunda-feira denúncia contra 14 envolvidos em irregularidades na construção do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), da Petrobras, no Rio de Janeiro. Entre os réus estão o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, oito xecutivos de empreiteiras e quatro operadores de propina. Todos foram alvo da 31ª fase da Operação Lava Jato e deverão responder por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, o Consórcio Novo Cenpes (OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Schahin Engenharia e Construcap CCPS Engenharia) pagou R$ 20 milhões, entre 2007 e 2012, em propina para conseguir o contrato. O valor do contrato, que foi previsto em R$ 850 milhões, superou R$ 1 bilhão.

Assad, Morales e Trombeta atuavam como profissionais da lavagem, e disponibilizavam dinheiro em espécie às empreiteiras para que fossem feitos os pagamentos a agentes públicos ou políticos. Segundo a denúncia, Morales e Trombeta teriam lavado R$ 2,8 milhões do Consórcio Novo Cenpes. Adir Assad, por sua vez, movimentou R$ 2,1 milhões recebidos da Carioca Engenharia.

Romano recebeu dinheiro das empresas Construbase (R$ 480.000,00), Schahin (R$ 224.094,66) e Construcap (R$ 341.900,00).

Outros US$ 711 mil foram transferidos por um dos dirigentes da Carioca para um banco na suíça e, posteriormente, repassado a Mário Goes e Pedro Barusco, que não foram denunciados por já serem colaboradores da Lava-Jato.

A Operação Abismo incluiu construtoras que participaram esporadicamente do cartel da Petrobras, como Construcap e Construbase, além de outras de grande porte, como Carioca Engenharia, OAS e o Grupo Schahin. Também foi identificada a participação de operadores de propina, como Adir Assad, Roberto Trombeta, Rodrigo Morales, e Alexandre Romano, ex-vereador do PT que se tornou operador e assinou acordo de delação premiada. Também os donos da Carioca Engenharia se tornaram colaboradores da Lava-Jato.

Com a aceitação da denúncia, além do ex-tesoureiro do PT e do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, os seguintes representantes de empresa – Agenor Franklin Magalhães Medeiros (OAS), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS), Ricardo Backheuser Pernambuco (Carioca Engenharia), José Antônio Marsílio Schwarz (Grupo Schahin), Genésio Schiavinato Júnior (Construbase), Erasto Messias da Silva Júnior (Construtora Ferreira Guedes), Edison Freire Coutinho (Grupo Schahin), Roberto Ribeiro Capobianco (Construcap).

Não foram denunciados os representantes da WTorre, que segundo o executivo Ricardo Pernambuco, teria aceitado receber R$ 18 milhões para se retirar da disputa, embora tenha ficado em primeiro lugar na licitação. Com a saída da empresa, o Consórcio Novo Cenpes pode firmar o contrato.

O Globo