João Pessoa 20/04/2018 18:41Hs

Início » Brasil » MPF reforça pedido de condenação de Zelada e mais 3 réus da Lava Jato

MPF reforça pedido de condenação de Zelada e mais 3 réus da Lava Jato

Lobista Hamylton Padilha e operador João Henriques também são réus. Procuradores pedem devolução de US$ 31 milhões para a Petrobras.

zelada-lava-jatoO Ministério Público Federal (MPF) apresentou na sexta-feira (27) as alegações finais e reforçou o pedido de condenação contra Jorge Luiz Zelada, ex-diretor, e de Eduardo Musa, ex-gerente da área Internacional da Petrobras.

Os procuradores também pediram à Justiça Federal que a pena contra os dois seja maior uma vez que ocupavam cargos públicos quando cometeram irregularades.

“Os motivos dos crimes devem ser valorados negativamente em relação aos acusados Jorge Zelada e Eduardo Musa, haja vista que valeram-se de seus cargos, alta hierárquica na Petrobras, ambos com remuneração significativamente superior a renda média mensal do cidadão brasileiro, para que, assim, obtivessem lucro fácil as custas da estatal”, argumenta o Ministério Público Federal.

Zelada e Musa, com intermédio do lobista Hamylton Pinheiro Padilha Junior e do operador João Augusto Rezende Henriques, são acusados de receber US$ 31 milhões a título de propina a partir de irregularidades em contrato de afretamento de navio-sonda.

O Ministério Público Federal pediu que esta quantia seja devolvida por Zelada e Henriques à Petrobras.

A denúncia contra eles foi aceita pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações penais da Lava Jato, em 10 de agosto deste ano.

O processo teve origem na 15ª fase da operação, e as alegações finais (do MPF e dos advogados de defesa) correspondem à última etapa da tramitação judicial antes da sentença do juiz.

O MPF igualmente reforçou o pedido de condenação para os outros réus deste processo: o lobista Hamylton Pinheiro Padilha Junior e João Augusto Rezende Henriques, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção descoberto na Petrobras.

De acordo com o Ministério Público, a legenda foi responsável pela indicação de Zelada e Musa para os cargos na petrolífera. O partido nega envolvimento nos crimes investigados pela Lava Jato.

Os procuradores ainda solicitaram ao juiz Sérgio Moro a manutenção da prisão preventiva de Zelada e de João Augusto Henriques. Musa e Padilha têm acordo de delação premiada e respondem ao processo em liberdade.

O ex-diretor da área Internacional está detido na Região Metropolitana de Curitiba desde a deflagração da 15ª fase da Lava Jato. Henriques foi detido em meio à 19ª fase da Operação Lava Jato, que foi considerada um avanço nas investigações das 15ª, 16ª e 17ª fases.

O que dizem os advogados
Antonio Augusto Figueiredo Basto, que representa Musa, afirmou ao G1 neste sábado (28) que não iria se manifestar porque não teve acesso ao conteúdo da alegação final.

Para o advogado Celso Sanchez Vilardi, que representa Hamylton Padilha, o pedido de condenação é normal uma vez que o lobista é colaborador da justiça. O reforço no pedido de condenação é decorrência, conforme dito por Vilardi, das confissões feitas por Hamylton Padilha.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do ex-diretor Jorge Zelada neste sábado. Os advogados têm afirmado que não houve irregularidades na contratação de navio-sonda e que faltam provas na denúncia. Além disso, os advogados negam os crimes atribuídos a Zelada, pedindo a absolvição do cliente.

O mesmo ocorreu com a defesa de João Henriques. Em setembro, os advogados afirmaram que Henriques nunca foi operador e que não pagou propina para nenhum partido. De acordo com a defesa, faltam elementos para comprovar os crimes atribuídos ao acusado.

G1.Com