João Pessoa 26/05/2018 06:24Hs

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Mulheres ganham mais espaço no mercado de trabalho

O nível de ocupação geral no Brasil cresceu 11,3% na última década, impulsionado principalmente por uma maior atuação delas, aponta o IBGE

Pollyane Lima e Silva
IBGE: mulheres aumentaram sua participação no mercado de trabalho 7 vezes mais do que os homensIBGE: mulheres aumentaram sua participação no mercado de trabalho 7 vezes mais do que os homens (Thinkstock)

O tempo em que a Amélia cantada por Mário Lago era a “mulher de verdade” ficou para trás desde que, nos anos 70, filhas e esposas das famílias brasileiras trocaram o fogão por “trabalhar fora”. A dona de casa tradicional, se mantida a tendência identificada pelo IBGE no Censo 2010, é um modo de vida em extinção no Brasil. O capítulo Trabalho e Rendimento do estudo, divulgado nesta quarta-feira, mostra que o período entre 2000 e 2010 foi decisivo para a transformação do mercado de trabalho em favor do sexo feminino. O crescimento da participação das mulheres na população ocupada – ou seja, que trabalha e produz renda – é quase sete vezes maior que o dos homens.

A diferença entre os sexos no nível de ocupação da população é um dos destaques da amostra apresentada nesta manhã. Do levantamento anterior, de 2000, para o atual, o nível de ocupação das pessoas com 10 anos de idade ou mais cresceu 11,3%. A população ocupada passou de 47,9% para 53,3%. E o ingresso no mercado foi maior entre as mulheres. As brasileiras ocupadas eram 35,4% em 2000, e, em 2010, passaram para 43,9%. O aumento na proporção de trabalhadoras foi de 24%. Eles ainda são maioria entre os brasileiros ocupados, representando 63,3% da força de trabalho. Mas o acréscimo de pessoas do sexo masculino no mercado foi de apenas 3,5%. Entre as regiões, a maior presença das mulheres foi observada no Norte, onde a ocupação delas no período subiu 28,3%, e no Centro-Oeste, 28%. No Nordeste constatou-se o aumento mais tímido, de 20,9%.

“O nível de ocupação feminina vem em uma tendência forte de crescimento. Isso também é resultado do grau de instrução, que é mais alto entre as mulheres”, destaca Vandeli Guerra, técnica do IBGE. A participação delas no mercado de trabalho aumenta à medida que avançam no estudo, movimento que se mostrou inverso nos homens. Entre as mulheres ocupadas com 25 anos de idade ou mais, 50,1% têm ensino médio ou superior completo, enquanto 61,3% dos trabalhadores homens são sem instrução ou terminaram apenas o ensino fundamental.

Rendimentos – Apesar dos avanços, a histórica desvantagem para as mulheres em relação aos salários pagos persiste. Dois fatores influenciam essa diferença: a quantidade de horas trabalhadas e os setores em que predominam trabalhadores e trabalhadores. “O confronto das distribuições dos dois sexos por horas trabalhadas mostrou ainda que a parcela das pessoas que trabalhavam menos de 40 horas semanais foi maior no contingente feminino e este diferencial ocorreu em todas as faixas de idade”, resume o estudo do IBGE. No geral, 80,4% dos homens trabalham mais de 40 horas por semana. Já entre as mulheres, 78,2% não passam de 39 horas semanais.

Há maior concentração feminina em setores com remuneração mais baixa. A participação das mulheres é maior nos setores de serviços domésticos, que recebe 92,7% das empregadas nessa categoria, seguida de educação (75,8%) e saúde humana ou serviços sociais (74,2%). Já entre os homens, a predominância é no mercado de construção, onde eles representam 96,5% dos trabalhadores. “Mesmo a pequena proporção masculina ocupada na área de serviços domésticos, por exemplo, consegue trabalhar como motorista. Ou seja, ambos estão no mesmo mercado, mas ele recebe mais que uma faxineira”, compara Vandeli.

Por tudo isso, enquanto os homens têm um rendimento médio mensal de 1.451, o das mulheres fica em 1.070 reais. Ainda assim, no geral, o valor pago por todos os trabalhos tiveram um aumento de 5,5% de 2000 para 2010, e um ganho real de 15,8%. Neste caso, as mulheres também têm forte representatividade, puxando para baixo o rendimento médio geral dos trabalhadores com 15 anos de idade ou mais: 65,6% dessas pessoas ocupadas recebem menos de dois salários mínimos por mês. Esse valor equivale a 1.022 reais, de acordo com o salário mínimo de 510 reais utilizado pela pesquisa. Com o salário mínimo atual de 622 reais, essa quantia gira em torno de 1.244 reais.

 

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