João Pessoa 28/05/2018 01:18Hs

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‘Não temos dúvida de que o professor é culpado’, afirma delegado

Segundo o titular da 38ªDP, depoimentos mostram que Gustavo Montalvão Freixo realmente induziu seus alunos a usarem drogas e que teve relação sexual com uma menor

droas e sexoRio – Preso no início da manhã desta quarta-feira na casa de seus pais, em Maricá, na Região dos Lagos, o professor de História, Gustavo Montalvão Freixo, de 31 anos, foi apresentado na 38ªDP (Irajá). Segundo o titular da delegacia, Paulo Henrique da Silva Pinto, não há dúvidas de que Gustavo praticou todos os crimes de que está sendo acusado, como tráfico de drogas, induzimento e instigação ao uso de drogas e estupro de vulnerável.

“Nem a polícia, nem o Ministério Público, nem o juízo têm dúvidas sobre a culpa dele na prática dos crimes”, disse o delegado.

Como o blog Justiça e Cidadania publicou com exclusividade na última segunda-feira, a luta de um pai de uma das vítimas pela verdade revelou que na aula extra na casa de um dos estudantes, promovida por Gustavo para sete alunos — cinco meninas e dois meninos, de 13 a 15 anos — houve uso de LSD, uma droga sintética, e que o professor fez sexo com uma aluna. De acordo com Paulo Henrique, todos os depoimentos mostram que Gustavo é culpado.

“Os depoimentos são muito consistentes, minuciosos e bem detalhados. A gente não tem dúvida de que o cenário que nos foi passado através das declarações é o que realmente ocorreu”, afirmou.

Gustavo Montalvão confessou informalmente que participou da aula extra (festa), mas nega que tenha levado drogas para o local. No ambiente onde foi realizada a festa, um globo espelhado foi encontrado pela dona da casa. O acusado nega ter comprado a droga, mas o delegado afirma que isso é impossível. “Desde a inauguração da 38ªDP nunca ocorreu apreensão de LSD”.

Juiz diz que Gustavo usava sua influência para que os alunos usassem drogas

O professor teve a prisão decretada pela Justiça na terça-feira. Na decisão, o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 32ª Vara Criminal afirmou que, com base no depoimento das vítimas e dos parentes, o professor promovia uma espécie de ‘Sociedade dos Poetas Mortos’ às avessas, ou seja, ao contrário. No filme, lançado em 1990, o ator Robin Williams interpreta um professor que incentiva os alunos a pensar, método repudiado pela direção da escola ortodoxa. O que não é o caso de Gustavo Freixo, que usava a sua influência para que usassem drogas.

Em outro trecho da decisão, o magistrado lembra a importância dos professores, inclusive na Constituição de 1988. Alexandre Abrahão ressalta ainda que, além de dar droga aos alunos, ele se aproveitou das adolescentes, que, sob efeito do ácido, não podiam oferecer resistência para prática de sexo e atos libidinosos.