João Pessoa 18/08/2018 18:01Hs

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Para analista canadense, Lula no ministério seria confissão de culpa

lula culpaO ex-presidente Lula e o governo Dilma Rousseff foram tema de debate entre brasilianistas na RFI.REUTERS/Paulo Whitaker

Em debate nos estúdios da RFI em Paris, na noite desta sexta-feira (11), o professor da Universidade de Montreal Philippe Faucher, especialista em questões brasileiras, disse que a ideia de Luiz Inácio Lula da Silva assumir um ministério no governo Dilma Rousseff seria ruim para ambos e um “tipo de confissão” de culpa do ex-presidente.

“Não levo essa proposta a sério”, afirmou Faucher. “Para Dilma, seria uma grande confissão de fracasso, dizer que precisa de Lula no governo. E, para Lula, dizer que precisa se refugiar no governo para não ser incomodado pela polícia, também seria um tipo de confissão”, explicou o professor, autor de diversos estudos sobre o país, entre eles “As Duas Faces do Brasil Emergente”.

O debate, transmitido em francês, também reuniu o analista político Gaspard Estrada, do Observatório Político da América Latina da Universidade Sciences Po. Ele também não acredita que Lula aceitará um ministério. Ambos concordaram que as recentes investidas do poder judiciário contra o ex-presidente Lula foram abusivas – tanto a condução coercitiva conduzida pela Polícia Federal na semana anterior quanto o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público de São Paulo na véspera.

“O juiz que pediu a prisão preventiva alegou que Lula incitou a população contra o poder judiciário. Mas a prisão é que poderia gerar este efeito, ao parecer um complô contra Lula, incitaria ainda mais seus apoiadores”, disse Faucher. “Os argumentos jurídicos são muito fracos”, concordou Estrada.

Para o analista francês, “Lula continua associado à imagem do Brasil próspero”. Por isso “houve surpresa quando se associou seu nome à corrupção e ao enriquecimento pessoal, porque isso não corresponde a sua trajetória.”

 Fim do progresso social

O declínio econômico do Brasil foi apontado pelos dois debatedores como um dos pontos que impedem a presidente Dilma Rousseff de reagir politicamente. “Houve progresso social nos anos Lula e agora isso acabou. Hoje podemos ver que as classes emergentes são precárias, elas tinham acesso ao crédito e agora não conseguem pagar”, afirmou Estrada. “A crise econômica atinge o dia-a-dia das pessoas, principalmente estas 40 milhões que haviam conquistado um novo status ao ter acesso a bens de consumo duráveis”, complementou.

Estrada não arriscou apostar em um destino político para Dilma Rousseff e destacou como uma das grandes dificuldades para seu mandato manter uma maioria no congresso. Já o canadense Philippe Faucher acredita que Dilma resistirá. “Está claro que seu mandato terminou, mas ela não vai sair”, afirmou o professor, que passará os próximos seis meses em Paris como titular da cátedra França-Quebec na Universidade Paris III.

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