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Paulo Roberto diz que arrecadou R$ 30 milhões para ‘caixa dois’ de Cabral e Pezão em 2010

Procuradoria decide pedir abertura de inquérito no STJ contra governador e ex-governador do Rio

pezao_cabral_2014.1O governador Pezão e o ex-governador Cabral no Palácio Guanabara, em 2014

BRASÍLIA — O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou em depoimento de sua delação premiada que arrecadou R$ 30 milhões em recursos para “caixa dois” da campanha de Sérgio Cabral para governador e Luiz Fernando Pezão para vice, ambos do PMDB. Pezão é o atual governador, sucedendo Cabral. Diante das evidências relatadas pelo ex-diretor da estatal, a Procuradoria Geral da República (PGR) já decidiu que vai pedir abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra os dois.

O foro para investigação de governadores é o STJ. Cabral, sem mandato, já não tem mais foro, mas responderá a inquérito no STJ por conta da conexão aos fatos supostamente praticados por Pezão. A PGR vai encaminhar o pedido de abertura de inquérito até a próxima quarta-feira. O outro governador a ser investigado, também por meio da instauração de um inquérito, é Tião Viana (PT), do Acre. Ele é suspeito de ter recebido R$ 300 mil do esquema, conforme os delatores Paulo Roberto e o doleiro Alberto Youssef.

Segundo o delator, os recursos para campanha de Cabral e Pezão vieram de empresas que atuavam na obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Ainda de acordo com Costa, o consórcio Compar, formado pelas empreiteiras OAS, Odebrecht e UTC, contribuiu com R$ 15 milhões. O restante foi pago por outras empresas, como Skanska, Alusa e UTC, disse o delator. O ex-diretor afirma que os pagamentos eram “propina”.

“Cada empresa deu ‘contribuição’, no total de R$ 30 milhões. O Consórcio Compar ‘pagou’ R$ 15 milhões; o restante foi dividido entre as outras empresas, entre elas Skanska, Alusa e UTC”, diz resumo do termo de declaração 4 de Costa.

O ex-diretor narrou uma reunião na qual compareceram representantes das empresas Skanska, Alusa, e Technint onde foi discutido o pagamento de uma “ajuda” para a campanha de 2010 à reeleição do governador Sérgio Cabral. De acordo com Paulo Roberto, a reunião foi agendada pelo então secretário da Casa Civil do governo do Rio, Regis Fischner.

“A operacionalização do pagamento ocorreu entre as empresas e Regis. O dinheiro saiu do caixa das empresas”, afirmou Paulo Roberto.

De acordo com o depoimento de Paulo Roberto Costa, o então secretário da Casa Civil de Cabral, Régis Fichtner, foi quem fez a “operacionalização” dos repasses.

Costa contou que teve uma reunião no primeiro semestre de 2010 com Cabral, Pezão e Fitchner para tratar das contribuições à campanha. Posteriormente, o ex-diretor pediu às empreiteiras que fizessem doações para o “caixa dois” de Cabral.

PARA CABRAL, DENÚNCIA É ‘MENTIRA’. PARA PEZÃO, ‘ABSURDA’

Em nota, o ex-governador Sérgio Cabral declarou que a denúncia é “mentirosa”. “É mentirosa a afirmação do delator Paulo Roberto Costa. Essa reunião jamais aconteceu. Nunca solicitei ao delator apoio financeiro à minha reeleição ao governo do Estado do Rio. Todas as eleições que disputei tiveram suas prestações aprovadas pelas autoridades competentes. Reafirmo o meu repúdio e a minha indignação a essas mentiras”, afirmou Cabral.

Pezão classificou a denúncia como “absurda” e disse que as afirmações precisam ser comprovadas.

— Continuo a reafirmar que nunca tive essa conversa sobre a qual ele fala. Isso nunca existiu. Sinceramente acho um absurdo. As pessoas com delação premiada têm de ter mecanismos que comprovem as acusações que fazem. Não podem jogar um negócio assim no ar — afirmou, acrescentando que aguardará a continuidade das investigações.

Em nota, o governador acrescentou que está à disposição da Justiça e do Ministério Público, caso seja necessário. “Nada chegou oficialmente para mim. Venho enfrentando as especulações sobre a citação do meu nome me colocando à disposição do STF, STJ e MP. Para mim, é uma surpresa muito grande ter meu nome mencionado. Tenho profundo respeito pela Justiça e torço para que essa investigação fortaleça a nossa democracia”, declarou.

Fichtner também se manifestou por nota, em que disse ter ficado “surpreso” e “indignado” ao saber da denúncia, por meio da imprensa. “Nunca participei de nenhuma reunião em que o então Governador Sérgio Cabral tivesse solicitado ao Sr. Paulo Roberto Costa ajuda para a arrecadação de recursos para a sua campanha. Nunca participei de nenhuma reunião com o Sr. Paulo Roberto Costa e representantes das empresas Skanska, Alusa e Techint, muito menos para tratar de arrecadação de recursos para campanha. Nunca me reuni com representantes do Consórcio Compar para qualquer finalidade, muito menos para tratar de contribuições de campanha”, afirmou, acrescentando que tomará “medidas cabíveis” contra Paulo Roberto.

Este depoimento do ex-diretor foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), foro dos governadores de estado. O GLOBO já revelou que o Ministério Público Federal pedirá abertura de inquérito contra Pezão no STJ.

O Globo