João Pessoa 18/07/2018 22:28Hs

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PF intima ‘Charles’, ex-assessor de Palocci na Casa Civil

Nome foi citado por dois delatores do petrolão. Alberto Youssef teria feito a ele pagamento de 2 milhões de reais destinados à campanha de Dilma em 2010

paloççi caso-republicaAntonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

A Polícia Federal vai ouvir o ex-assessor especial da Casa Civil Charles Capella de Abreu nesta quinta-feira. Conforme revelou VEJA, o lobista Fernando Baiano contou à força-tarefa da Operação Lava Jato que participou pessoalmente de uma negociação que levou 2 milhões de reais do petrolão à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010 – o acordo foi fechado no comitê eleitoral em Brasília depois de uma reunião entre Baiano, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o ex-ministro Antonio Palocci. Coordenador-geral da campanha, o ex-ministro recomendou que acertassem a logística do repasse do dinheiro com “o Dr. Charles”, seu assessor no comitê.

O pagamento foi feito pelo doleiro Alberto Youssef. Em depoimento prestado à Polícia Federal em 29 de outubro, Youssef detalhou o repasse, feito em dinheiro vivo no Hotel Blue Tree, na Avenida Faria Lima, em São Paulo, a um emissário que ele não soube dizer quem era. E reforçou a suspeita de que “Charles” seja mesmo o ex-assessor especial da Casa Civil Charles Capella de Abreu.

A PF mostrou uma foto de Charles Capella de Abreu para Youssef para saber se poderia ser ele o emissário que recebeu o dinheiro da propina da Petrobras. “Reconhece como sendo possível que a foto seja de tal pessoa referida acima, para a qual entregou os 2 milhões de reais em notas cuja maioria (cerca de 85%) eram em cédulas de 100,00 reais por ordem de Paulo Roberto Costa”, registra o depoimento. Em termos de probabilidade porcentual, Youssef disse acreditar que tenha “70% a 80% de certeza” se tratar da mesma pessoa.

Acareação – No ano passado, o ex-diretor Paulo Roberto Costa disse que o ex-ministro Antonio Palocci, então coordenador da campanha de Dilma, lhe pedira 2 milhões de reais. O dinheiro, segundo ele, foi providenciado pelo doleiro Alberto Youssef. Ouvido, o doleiro afirmou que desconhecia a existência de qualquer repasse a Antonio Palocci. A CPI da Petrobras chegou a promover uma acareação entre os dois para tentar esclarecer a divergência. Sem sucesso. Baiano contou detalhes que não só confirmam as declarações de Paulo Roberto e de Alberto Youssef como ampliam o que parecia apenas mais uma fortuita doação ilegal de recursos.

A suposta contradição entre Youssef e Paulo Roberto sobre a entrega do dinheiro também foi esclarecida. Depois da versão apresentada por Baiano, o doleiro foi novamente ouvido. Ele A suposta contradição entrenão mentiu ao afirmar que nunca entregara dinheiro a Antonio Palocci. Por uma razão: ninguém lhe informou que aquela entrega atendia a uma solicitação do ex-ministro. Youssef, que era o distribuidor de propinas aos parlamentares do PP, contou que, no dia indicado, ele de fato encheu uma mala com maços de dinheiro, amarrou outros pacotes ao próprio corpo e dirigiu-se num carro blindado para o hotel Blue Tree, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.

(Com Estadão Conteúdo)