João Pessoa 24/05/2018 18:04Hs

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Presos ficam quase 10 horas em conferência por celular

Grupo ligado ao PCC discutia a compra e venda de drogas no Paraguai e na Bolívia; ligações aconteciam semanalmente com criminosos

Os celulares estão cada vez mais parecidos com computadores, e portanto, mais visados por hackersAs conferências aconteciam toda a semana e reuniam em média quatro pessoas que discutiam compra e venda de drogas (iStockphoto/ThinkStock)

A Polícia Federal flagrou uma conferência via celular de quase 10 horas entre três bandidos e dois presos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. A conversa aconteceu em fevereiro de 2011 e foi interceptada com autorização judicial, dentro da Operação Leviatã, de combate ao tráfico internacional de drogas. Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, os criminosos são ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Na teleconferência, o grupo discutia a compra e venda de drogas no Paraguai e na Bolívia, o envio de entorpecentes para São Paulo e os investimentos que devem ser feitos com o dinheiro. As gravações da PF iniciaram em outubro de 2010 e duraram até maio de 2012, quando foi deflagrada a operação da PF, com 25 pessoas denunciadas. A Polícia Federal obteve informações ainda sobre acesso dos presos à internet e à TV dentro da penitenciária.

De acordo coma PF, as conferências aconteciam toda a semana e reuniam em média quatro pessoas. Um dos telefonemas chegou a ter a participação de nove pessoas, sendo seis presos. A data das teleconferências dependia dos agentes penitenciários de plantão e das rondas nas celas, o que desperta a suspeita de conivência dos agentes. A cada dia, um detento diferente era colocado para falar ao celular em nome da facção, que depois se reunia para tomar uma decisão e retornava a ligação com o anúncio.

Questionada sobre o assunto, a Secretaria de Administração Penitenciária não respondeu diretamente sobre a descoberta. Informou que 8.335 telefones celulares foram apreendidos nas 152 penitenciárias do estado. Do total, 4.578 estavam em presídios de regime fechado e 3.757 em unidades de regime semiaberto, nas quais o condenado tem acesso ao ambiente externo durante o dia.

Na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde a PF flagrou as conferências, foram retidos doze  telefones, sendo oito com visitantes, antes de eles entrarem na unidade. Em relação ao uso de internet e TV, a secretaria negou que os presos usem o primeiro, mas disse que o acesso a TV é autorizado e está previsto no regimento.
 

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