João Pessoa 28/05/2018 01:30Hs

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Suposto serial killer é indiciado por morte de três mulheres em Goiânia

serial killer 111A Polícia Civil concluiu os três primeiros inquéritos contra o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 26 anos, que confessou à polícia ter cometido 29 homicídios em Goiânia. O suposto serial killer foi indiciado pelas mortes de Juliana Neubia Dias, de 22 anos, Rosirene Gualberto da Silva, 29 anos, e Arlete dos Anjos Carvalho, de 16 anos.

Os três casos eram investigados pela força-tarefa criada, no dia 4 de agosto, para apurar uma série de assassinatos praticados por um motociclista contra mulheres em Goiânia.

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (21), o delegado Murilo Polati, titular da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), informou que o inquérito sobre a morte de Rosirene Gualberto, assassinada no dia 19 de julho, será o primeiro a ser encaminhado à Justiça, ainda nesta tarde. Segundo ele, é sobre esta denúncia que está baseada a prisão preventiva de Tiago e o prazo para apresentação do inquérito termina à meia-noite. O vigilante foi indiciado por homicídio duplamente qualificado.

De acordo com Polati, dentre as provas reunidas pela polícia que incriminam Tiago está o laudo de exame balística, que teve resultado compatível entre a bala recolhida no corpo de Rosirene e a arma apreendida com o vigilante. Além disso, Tiago foi fotografado por um radar ao cometer uma infração nas proximidades do local do crime, minutos depois do homicídio.  Na foto, o motociclista usa uma mochila idêntica à apreendida na casa do vigilante.

Comparação entre o retrato-falado feito por irmã de vítima de homicídio e foto de Thiago Henrique Gomes da Rocha, suposto seria killer, em Goiânia, Goiás (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Comparação entre o retrato-falado (esq.) e foto de
Tiago Rocha (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Outra prova apresentada pela polícia é um retrato-falado feito pela irmã da vítima. A imagem foi produzida logo após o homicídio durante o depoimento da irmã, mas só foi divulgada nesta sexta-feira.

“Mantivemos ele sobre sigilo até porque já tínhamos outro retrato falado que foi divulgado e espalhado em redes sociais causou um temor muito grande na sociedade. Não tínhamos porque, sem provas técnicas que colocassem essa pessoa como autor do crime, divulgá-lo”, explica Polati.

Ainda segundo o delegado, além das semelhanças entre o retrato-falado e a fisionomia de Tiago, a irmã da vítima também o reconheceu como autor do crime após sua prisão.

Crimes
A Polícia Civil afirma ter certeza da autoria de Tiago em 16 crimes. Segundo Polati, o Instituto de Criminalística ainda não finalizou os laudos, mas já constatou que os exames de balística foram positivos para a arma apreendida com o vigilante em 13 homicídios.

São eles os casos de: Ana Maria Victor Duarte, Bárbara Luiza Ribeiro Costa, Lílian Sissi, Wanessa Oliveira Freire, Mauro Ferreira Nunes, Thamara da Conceição, Taynara Rodrigues da Cruz, Isadora Aparecida Cândida, Janaína Nicácio, Bruna Gleycielly, Pedro Henrique de Paula Souza e Ana Karla Lemes da Silva.

A expectativa do delegado é de que na próxima semana o Instituto de Criminalística finalize os documentos e os envie à Polícia Civil para conclusão destes inquéritos.

Assim como a maioria das outras vítimas, Artele foi morta a tiros por um motociclista, que fugiu sem levar nada. Segundo informações da Polícia Civil, a vítima estava na residência de uma amiga quando resolveu voltar sozinha para casa a pé, na noite do dia 28 de janeiro deste ano. Ao passar pela Rua Potengui, no Bairro Goiá, ela foi abordada por um motociclista que efetuou os disparos. O caso dela só passou a ser apurada pela força-tarefa depois que o próprio Tiago, após ser preso, confessou ter cometido o crime.

Suposto serial killer, vigilante Tiago da Rocha é transferido para a CPP, em Aparecida de Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Tiago da Rocha ao ser transferido para a CPP
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Rosirene Gualberto foi assassinada no dia 19 de julho, no Setor dos Funcionários. A PM relatou na época do crime que ela estava acompanhada da irmã em um VW Gol, quando elas foram abordadas pelo homem armado que se aproximou em uma motocicleta e deu voz de assalto. Segundo a polícia, o suspeito exigiu que as vítimas entregassem as chaves do carro. Enquanto ela procurava, o criminoso efetuou vários disparos que atingiram as duas e fugiu, sem roubar nenhum pertence delas. A irmã de Rosirene sobreviveu.

Menos de uma semana depois, no dia 25 de julho, um motociclista atirou em Juliana Neubia, que estava dentro de um Fiat Palio, com o namorado, parada em um semáforo no Setor Jardim América. De acordo com relatos do companheiro da vítima à Polícia Militar, o suspeito parou ao lado do carro e efetuou diversos disparos. Um deles atingiu o rosto da garota. O rapaz e uma amiga que também estavam no carro não se feriram.

Prisão
Tiago da Rocha foi preso na capital no dia 14 de outubro, em Goiânia. Na ocasião, ele confessou à Polícia Civil ter matado 39 pessoas desde 2011. Entretanto, segundo informou o delegado titular da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), Murilo Polati, o vigilante prestou novos depoimentos na companhia de advogados e reduziu o número de confissões para 29.

Entre as vítimas estão 15 dos 17 crimes investigados, inicialmente, por uma força-tarefa da Polícia Civil, formada por 16 delegados, 30 agentes e 10 escrivães, que começaram a atuar no dia 4 de agosto após uma série de assassinatos cometidos contra mulheres por um motociclista, na capital. Os outros assassinatos seriam contra homossexuais e moradores de rua.

O vigilante ficou em uma cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) por oito dias. No local, segundo revelou o delegado Eduardo Prado, o suspeito afirmou aos policiais que “estava com vontade de matar”.

No dia 22 de outubro, Tiago foi transferido para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional, em Aparecida de Goiânia, onde está isolado dos demais detentos. Mesmo escoltado por 20 policiais, ele conseguiu agredir um fotógrafo com um chute no abdômen antes de ser colocado no carro. No dia seguinte, o delegado Murilo Polati afirmou, durante entrevista coletiva, que o vigilante voltou a fazer ameaças de morte, desta vez, para os detentos do Núcleo de Custódia.

Entretanto, a unidade informou esta semana que o jovem não tem apresentado sinais de agressividade e passa a maior parte do tempo lendo na própria cela. “Desde a chegada dele ao Complexo Prisional, não manifestou nenhum comportamento anormal. Ele está com a rotina normal: banho de sol, alimentação, está sendo acompanhado por psicólogos e não manifestou nenhum comportamento agressivo”, relatou o gerente regional prisional, Leandro Ezequiel.

G1