João Pessoa 18/06/2018 11:12Hs

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Temer vê saída via economia; Meirelles pode ser nome para 2018

"Quem vai sobrar" é pergunta cada vez mais frequente em Brasília

Henrique-MeirellesComo hoje é uma miragem política essa ideia de antecipar a eleição presidencial de 2018, estão se tornado cada dia mais frequentes em Brasília as seguintes perguntas. Quem vai sobrar? Quem estará em condição de concorrer a presidente?

Marina Silva (Rede) ainda terá de passar pelo teste da Lava Jato. Era vista como a principal potencial herdeira da atual crise, mas teve de responder à possibilidade de ser acusada na delação de Leo Pinheiro, da OAS. Ainda tem condição de jogo, mas sofreu, no mínimo, um arranhão. Ela negou ter pedido caixa 2 à OAS ou autorizado algum auxiliar a fazê-lo na campanha de 2010.

No PSDB, Aécio sofre novo revés na Lava Jato, com mais uma acusação de Sérgio Machado. Há rumores de que Serra será atingido por delações da Odebrecht. Os tucanos perderam cacife nas pesquisas eleitorais.

Lula (PT) poderá concorrer, mas, antes, precisará vencer suas batalhas na Lava Jato, o que não será fácil. Outros petistas, como Jaques Wagner e Fernando Haddad, seriam alternativas petistas, mas também teriam dificuldade diante da crise do partido.

Há o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, do PDT, que pode concorrer pela centro-esquerda. Um nome vindo do Judiciário, como o do ex-presidente do Supremo Joaquim Barbosa, sempre é lembrado, apesar de ele negar ter intenção eleitoral.

Entre os atuais governistas, o mais viável hoje, até pela distância da Lava Jato e da política eleitoral, é Henrique Meirelles, ministro da Fazenda. Se o governo Temer superar as crises política e econômica, Meirelles poderá ser o herdeiro do atual campo governista. Foi candidato pela última vez em 2002, quando se elegeu deputado federal. Mas abriu mão do mandato para virar presidente do Banco Central na administração Lula.

Aliás, Meirelles é amigo de Lula, que queria indicá-lo para ministro da Fazenda de Dilma, o que acabou sendo feito por Temer. Se o petista ficar fora do jogo em 2018, Lula não trataria Meirelles como inimigo. Mas o ministro da Fazenda ainda tem uma dura missão a executar e adversários de governo a superar. Logo, não será uma candidatura fácil. É grande a incerteza que a Lava Jata produz a respeito da sucessão presidencial de 2018.

A saída é pela economia

A delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, trouxe um desgaste de imagem bem no dia em que o presidente interino, Michel Temer, apresentou a principal proposta econômica de seu governo, a emenda constitucional que prevê um limite para o crescimento dos gastos públicos.

A ideia era criar um fato positivo para preparar terreno para o primeiro pronunciamento oficial de Temer ao país, previsto para amanhã. Agora, essa estratégia está em xeque. O governo avalia se manterá o pronunciamento e lida com um problema que traz a Lava Jato para dentro do Palácio do Planalto. Logo, o impacto imediato é ruim.

No curto prazo, será preciso ver se haverá efeito negativo sobre a governabilidade de Temer e sobre a estratégia para aprovar em definitivo o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. A delação de Machado envolve 25 políticos de sete partidos.

A base de apoio que hoje está com Temer desejará a volta de Dilma? Provavelmente, não. Os partidos envolvidos e grandes caciques citados, como o peemedebista Renan Calheiros, o tucano Aécio Neves e o democrata José Agripino Maia, atuarão para paralisar votações no Congresso? Dificilmente.

A única saída que Temer e seus aliados têm para manter o poder e ficar nele é dar solução à crise econômica. O tempo da Justiça, de apuração dessas acusações, é diferente do da política, ainda mais para um governo que, no melhor cenário, tem dois anos e meio pela frente.

Portanto, o foco de Temer será continuar a lutar para aprovar medidas econômicas, diz um interlocutor do presidente. Dilma caiu porque não soube dar respostas às crises política e econômica. As pedaladas fiscais são o pretexto. A Lava Jato foi um complicador.

Por ora, Temer ainda tem margem para se defender. Negou a acusação e isso vai ser discutido na Justiça. No entanto, na economia não há tempo a perder. Se deixar a política contaminar negativamente a ação do governo e falhar na economia, como fez Dilma, correrá risco maior de perder o poder. A saída é pela economia.

IG