João Pessoa 21/06/2018 12:16Hs

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US$ 300 mil teriam sido repassados à campanha de Dilma

propina dilmaBRASÍLIA (AE) – Em depoimento à CPI da Petrobras na Câmara, ontem, o ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, relacionou o recebimento de propina do esquema de corrupção na estatal à campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010, quando ela foi eleita presidente pela primeira vez. Segundo Barusco, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recebeu US$ 300 mil para engordar o caixa da campanha.

Na delação premiada que fez à Polícia Federal em 21 de novembro de 2014, Barusco havia dito que o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, solicitou a um representante da empresa SBM Offshore US$ 300 mil “a título de reforço de campanha durante as eleições 2010, provavelmente atendendo a pedido de João Vaccari Neto, o que foi contabilizado pelo declarante (Barusco), à época, como pagamento destinado ao Partido dos Trabalhadores”.

Ontem, em depoimento de mais de cinco horas, Barusco foi questionado duas vezes sobre o assunto. Ao deputado Delegado Waldir (PSDB-GO), disse que “aqueles 300 mil (não citou a moeda) que eu disse de reforço de campanha foi na campanha presidencial de 2010”, afirmou, lembrando que os candidatos naquele ano eram Dilma Rousseff, pelo PT, e o hoje senador José Serra, pelo PSDB.

Algumas horas depois, indagado pelo deputado Efraim Filho (DEM-PB), reafirmou que a doação era para a campanha presidencial. “Foi solicitado à SBM um patrocínio de campanha, só que não foi dado por eles (empresa) diretamente. Eu recebi e repassei (o dinheiro) num acerto de contas em outro recebimento”, afirmou. Questionou-se qual a campanha. “Foi a campanha 2010”, respondeu. Foi então questionado para a campanha de quem os recursos foram repassados. “PT, para João Vaccari Neto”, afirmou.

O relator da CPI, o petista Luiz Sérgio (RJ), minimizou as declarações de Barusco. “O que ouvi é que ele disse que participou apenas da negociação de percentuais, mas não afirmou ali nem trouxe dados novos acerca de se o Vaccari recebeu ou não ou como recebeu. Ele não trouxe nenhum dado novo a respeito desse tema”, afirmou em entrevista após a sessão.

O presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), classificou as declarações como “relevantes”, mas defende que ainda é cedo para se tirar conclusões. “Isso é um processo que temos que adentrar nessas investigações. Foram declarações relevantes, mas temos outros depoimentos marcados para que, ao final, o relator possa ter a sua conclusão. Espero eu que uma conclusão imparcial e isenta de interferências”, disse Motta.