João Pessoa 17/07/2018 09:59Hs

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VLT faz o primeiro teste com trem energizado na Praça Mauá.

Eduardo Paes disse que pretende aplicar uma multa para quem não pagar passagem.

vltPela primeira vez, a composição do VLT passeou pelos trilhos já instalados –

RIO — Uma garoa fina começava a cair na Praça Mauá, na manhã deste sábado, quando, pela primeira vez, uma composição do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) passeou pela estrutura montada naquele trecho da Zona Portuária. A composição de oito módulos, que recebeu o nome de João do Rio, um dos principais cronistas da vida carioca no início do século XX, percorreu em baixa velocidade cerca de 150 metros — estacionado ao lado do Museu de Arte do Rio, o trem foi até a estátua do Barão de Mauá, no coração da praça.

Despojado, o prefeito Eduardo Paes acompanhou o teste e chegou a dirigir o trem, orientado por um maquinista francês, ao lado do filho Bernardo, de 11 anos. Ele garantiu que as obras estão dentro do prazo.

— Daqui a pouco, as pessoas vão ver o VLT passando pela Rio Branco. É uma supertransformação numa cidade que sempre apostou muito no carro e esqueceu o transporte público de qualidade. A gente sabe que ainda há muito a se fazer, mas é importante ver o Rio avançando — disse o prefeito, que chegou na praça fazendo uma transmissão ao vivo pelo celular para cerca de 300 seguidores.

Das 32 estações do sistema, apenas três (rodoviária, Central e estação das barcas) terão catracas para o controle de entrada e saída de passageiros. Portanto, na maioria das estações, o pagamento será feito de forma voluntária, algo inédito no país e que vai depender da boa-fé das pessoas. De acordo com Paes, além de fiscalização, haverá uma multa para os “espertinhos”, cujo valor ainda será definido. A medida requer, no entanto, uma mudança na legislação.

— É óbvio que não será “liberou geral”, com as pessoas fazendo o que querem. É uma mudança cultural. Em outros países, já é assim. A gente quer apostar no respeito do cidadão. Essa experiência de civilidade será muito importante — destacou Paes, que se esquivou de perguntas sobre os casos de agressões a mulheres por parte de assessores do alto escalão e do secretário Pedro Paulo.

Caso o passageiro não pague a passagem, a Guarda Municipal e a Polícia Militar poderão ser acionadas para retirá-lo do veículo. Também haverá fiscais que, munidos de máquinas, vão poder verificar, pelo cartão de embarque, se o usuário validou a viagem.

INTEGRAÇÃO COM OUTROS MODAIS

O plano do VLT também prevê a integração do sistema aos ônibus urbanos, BRTs, trens, metrô e barcas, com utilização do Bilhete Único. A tarifa ainda será definida, mas o prefeito já garantiu que haverá uma terceira integração. Pelas regras atuais, os passageiros só podem fazer duas integrações pagando uma mesma tarifa.

— No caso do VLT, a prefeitura vai subsidiar. Terá sempre a possibilidade de se fazer uma terceira viagem. A gente ainda está ajustando alguns detalhes, mas o VLT é o integrador de todos os modais — afirmou Paes.
Eduardo Paes acompanhou o teste e chegou a dirigir VLT – Fábio Guimarães / Agência O Globo
Responsável pelas obras na Zona Portuária, o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (Cdurp), Alberto Silva, afirma que 95% dos trilhos do VLT estão em obras. Ao todo, o sistema terá 28 quilômetros de extensão e 32 estações — dez a menos do que foi previsto inicialmente na licitação.

— No fundo, o que tivemos hoje (sábado) foi um teste real. Agora, o resultado será analisado para vermos se precisará de algum reajuste. À medida que os trilhos forem sendo ampliados, os testes serão realizados para garantir que os trens entrem em operação assim que todo o trajeto for concluído — afirmou o presidente da Cdurp.

INAUGURAÇÃO ESTÁ PREVISTA PARA ABRIL

Pelo cronograma, o primeiro trecho do VLT começa a funcionar em abril, com 18 estações. A linha ligará a Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont, passando pela Avenida Rodrigues Alves, Praça Mauá e Avenida Rio Branco. O tempo estimado para o percurso é de 30 minutos.

Entre agosto e setembro, está prevista a inauguração de outras 11 estações, entre a Central e a Praça Quinze. Já o trecho da Avenida Marechal Floriano, entre Central e Rio Branco, com três estações, só deve entrar em operação em 2017. Quatro estações (Rodoviária Novo Rio, Central do Brasil, Aeroporto Santos Dumont e Praça Quinze) serão cobertas, assim como as do BRT Transcarioca e Transoeste.

O projeto está custando R$ 1,156 bilhão. Desse total, R$ 624 milhões são da iniciativa privada. O restante vem de recursos repassados pela União. Ao todo, são 25 anos de concessão, sendo 22 de operação e três de obras.

PASSEIO INESPERADO

Neste sábado, a professora de literatura Catarina Schumann, de 65 anos, levou seus alunos para o Museu de Arte do Rio (MAR). O que não estava programado é que ela, nove alunos e duas mães seriam os primeiros passageiros a testar o VLT depois do prefeito. A professora conseguiu autorização para embarcar, percorreu o mesmo trajeto que Eduardo Paes e aprovou o novo transporte.

— Estou bastante feliz. Foi uma experiência bastante positiva pelo conforto, pela tranquilidade. O passar sobre os trilhos é bastante suave. Foi muito bom. Todos os transportes poderiam ser assim no Rio. Pena que não é — opinou.

O VLT tem capacidade para 420 passageiros e percorrerá o trajeto em uma velocidade média de 15 km/h. Dependendo do trecho, como a Praça Mauá, onde há muitos pedestres, não passará de 5 km/h.

Segundo a prefeitura, o VLT funcionará 24 horas por dia, todos os dias da semana. O tempo de espera poderão variar entre 3 e 15 minutos, dependendo do horário e local. De madrugada, os veículos circularão de 30 em 30 minutos. Segundo a Cdurp, Quando estiverem em operação, as seis linhas do sistema terão capacidade para transportar até 300 mil passageiros por dia.
O Globo