João Pessoa 26/05/2018 15:28Hs

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Bandidos que mataram mulher em tentativa de assalto na Tijuca têm histórico de roubos a lojas

A polícia já identificou os três bandidos envolvidos na tentativa de assalto à papelaria Kalunga, na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, na tarde desta quarta-feira, quando uma pessoa morreu e outra foi baleada. De acordo com o delegado Evaristo Pontes, da Delegacia de Homicídios da Capital, o trio tem várias passagens pela polícia, com histórico de roubos a estabelecimentos comerciais.

As investigações ainda buscam esclarecer se Valdiza Mota Souza, de 60 anos, foi vítima de um crime de “saidinha de banco”, já que ela havia saído de uma agência da Caixa Econômica antes de entrar na papelaria, ou se o alvo dos assaltantes era a loja.

Ainda não temos essa certeza. Segundo as primeiras informações colhidas com testemunhas, a senhora que morreu baleada teria saído de uma agência bancária e entrado na loja. Mas já sabemos que eles (os bandidos) foram em direção ao segurança da loja para rendê-lo. Por isso, acreditamos que provavelmente eles queriam assaltar a loja – disse o delegado.

A “longa ficha corrida” dos criminosos também reforça essa tese.

– Os três têm várias passagens pela polícia e histórico de roubos a lojas – afirmou Pontes, acrescentando que não pode dar mais detalhes da investigação neste momento para não atrapalhar a ação da polícia.

A loja Kalunga, na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, permaneceu fechada nesta quinta-feira
A loja Kalunga, na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, permaneceu fechada nesta quinta-feira Foto: MARCOS DE PAULA

A dona de casa Gabriela Mandarino, de 30 anos, mora no prédio ao lado da papelaria Kalunga e, nesta quarta-feira, acompanhou assustada o trabalho da polícia, que realizou perícia no local do crime.

– Do meio do ano passado para cá, este já é o quarto assalto de que temos notícia nesta papelaria. O segurança armado da loja não inibe a ação dos bandidos. No carnaval, a loja de eletrodomésticos que fica do outro lado da rua também foi assaltada. Na última quinta-feira, presenciei a moça sendo esfaqueada pelo ex-marido no Shopping 45, na Praça Saens Peña. Isso tudo é muito triste. Saio o mínimo possível de casa. Matriculei minhas filhas num colégio próximo de casa, para não circular muito com elas pela rua. Estou apavorada com toda essa insegurança – contou.

Marido conta que mulher tinha medo de sair na rua

Valdiza trabalhava desde dezembro do ano passado como operadora de caixa num supermercado na Tijuca, próximo ao local do crime. À sua gerente, ela avisou que aproveitaria a sua hora de almoço para sacar dinheiro na Caixa Econômica e comprar um cartucho de impressora na papelaria. Como a funcionária não voltava e a notícia do crime já circulava no bairro e nos sites de notícia, a gerente, que se identificou apenas como Priscila, foi até a Kalunga.

– Ela era uma pessoa ótima – disse Priscila, após se certificar com a polícia sobre a identidade da mulher caída na entrada da loja.

Marido de Valdiza, Manoel Mota Souza, também funcionário de um supermercado, contou que a mulher tinha muito medo da violência do Rio. O casal, que mora no Catumbi, tem dois filhos, de 23 e 29 anos.

– Ela era uma pessoa muito boa. Não merecia. Ela dizia que tinha muito medo dessa violência, de sair na rua e, infelizmente, aconteceu. Vou tentar digerir tudo isso, mas está difícil. Não estamos seguros em lugar nenhum. O nosso filho mais novo é muito agarrado com ela. Não sei como será. Ele vai sofrer muito – lamentou.

O enterro de Valdiza será nesta sexta-feira, às 15h30, no Cemitério do Catumbi.

Troca de tiros com segurança

Na ação, o funcionário da papelaria Felipe Jacson Emerique também foi baleado. Atingido no abdômen, ele passou por cirurgia no Hospital Federal do Andaraí, na noite de quarta-feira. Policiais da Divisão de Homicídios da Capital recolheram imagens de câmeras de vigilância para investigar a ação.

– Eram três bandidos. Um casal numa moto e um homem a pé. A mulher ficou na moto, enquanto os dois homens, com pistolas, entraram na loja. Quando começou o tiroteio, a mulher atirou para dentro da papelaria. O casal fugiu na moto e o segundo homem, a pé – contou uma testemunha que preferiu não se identificar.

Tentativa de salvar a vítima

O cabo do Exército Felipe César, de 24 anos, chegou segundos depois da ação e ajudou a socorrer a mulher baleada. Segundo ele, uma médica que passava pelo local tentou reanimar a vítima durante 40 minutos, mas ela não resistiu.

– Ela estava caída na entrada da loja. Foi desesperador. A médica fez massagem cardíaca e ia dando ordens, pedindo agulhas, soro. Quem estava no local buscou os materiais em farmácias. Eu, a médica e mais um rapaz nos revezamos por cerca de 40 minutos fazendo massagem cardíaca, mas quando a ambulância chegou, a senhora já estava morta – contou Felipe.

O estudante Vinícius Rodrigues, de 29 anos, assistiu à tentativa de salvar a mulher baleada:

– As pessoas tentaram ajudar. A médica chegou a colocar soro na veia da senhora baleada. Está complicado morar aqui na Tijuca e no Rio como um todo. Fico com medo de sair de casa.

Em nota, a Kalunga confirmou o caso e disse que “está colaborando com as autoridades para o rápido esclarecimento dos fatos”. A empresa afirmou ainda que “e prestará toda a assistência necessária”.

Assalto na mesma rua

Na manhã desta quinta-feira, uma loja de departamentos na mesma rua da Tijuca foi assaltada. O 6º Batalhão de Polícia Militar foi acionado após relatos de que criminosos praticaram um roubo no estabelecimento localizado na Rua Conde de Bonfim, na altura do Largo da Segunda-feira. Ninguem foi preso. Internautas relatam que os bandidos estavam vestidos com uniformes de gari.

Em 2018, entre janeiro e março, a região da 19ª DP (Tijuca) havia registrado somente um caso de latrocínio, mesmo índice do primeiro trimestre do ano passado. Os dados do Instituto de Segurança Pública revelam ainda que no primeiro trimestre deste ano a área foi palco de 33 roubos a estabelecimentos comerciais contra 22 no mesmo período de 2017, quando as estatísticas podem ter sido prejudicas por uma greve na polícia.

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