João Pessoa 21/07/2018 13:11Hs

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Geddel é absolvido da acusação de tentar evitar delação de Funaro

Para juiz do DF, não há provas de que ex-ministro tenha coagido mulher de delator

Geddel Vieira Lima, durante reunião no Palácio do Planalto 

BRASÍLIA – O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, absolveu o ex-ministro Geddel Vieira Lima do crime de obstrução de justiça. Ele era acusado de tentar atrapalhar a delação de Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador de políticos do MDB em esquemas de corrupção. Mas o juiz entendeu que não havia provas contra Geddel. O ex-ministro está preso atualmente por outro motivo: a ocultação de R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Geddel teria tentado constranger Funaro, de modo a evitar que ele delatasse irregularidades envolvendo a Caixa Econômica Federal (CEF), banco do qual o ex-ministro já foi vice-presidente. Os investigadores do caso afirmam que, entre maio e junho de 2017, Geddel enviou mensagens à esposa de Lúcio Funaro, Raquel Pitta Funaro. Ela entregou cópias da tela do aplicativo. Nas mensagens, Geddel é identificado como “Carainho”. Além disso, teria feito constantes telefonemas. Na época Funaro estava preso e havia rumores de que poderia firmar um acordo de delação, o que viria a ocordo.

Vallisney disse que não há dúvidas de que houve ligações e mensagens. Mas ponderou que “não há prova de que os telefonemas tenham consistido em monitoramento de organização criminosa, tampouco de que ao mandar um abraço para Funaro, nos telefonemas dados a Raquel, o acusado Geddel, de maneira furtiva, indireta ou subliminar, mandava-lhe recados para atender ou obedecer à organização criminosa.”

O juiz ainda afirmou: “Tampouco há prova de que as investigações foram abaladas ou prejudicadas pelo contato de Geddel com a esposa do réu Lúcio. De fato, as provas colhidas durante a instrução criminal demonstram que Raquel Pitta não se sentiu intimidada ou coagida com as ligações de Geddel, tampouco tais ligações tiveram o condão de influenciar a decisão de Lucio Funaro acerca da colaboração premiada.”

Vallisney destacou que a própria Raquel Pizza disse que “já mandou foto de sua filha para o acusado, conduta claramente contrária à atitude de uma mãe que esteja se sentindo coagida ou atemorizada”.

Geddel foi preso preventivamente pelo próprio Vallisney em julho do ano passado em razão da suposta tentativa de atrapalhar a delação. Depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) mandou soltá-lo. Em setembro, após a descoberta dos R$ 51 milhões, foi preso novamente.