João Pessoa 19/08/2018 19:26Hs

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Marido faz cova para mulher debaixo da cama

O filho mais velho do casal procurava a chave de casa que havia caído no chão. Ao pegar uma vassoura para puxar o objeto debaixo da cama, ela caiu em um buraco

covaAs agressões começaram no primeiro ano de casamento. Com 20 e poucos anos, a estudante sonhava construir uma vida ao lado do marido. Ela só não esperava passar metade dela apanhando. Apanhou uma, duas, três vezes. Aos 40, resolveu denunciar e descobriu que o homem que amava planejava a morte dela.
Sexta-feira 13, em Vila Velha. O filho mais velho do casal procurava a chave de casa que havia caído no chão. Ao pegar uma vassoura para puxar o objeto debaixo da cama, ela caiu em um buraco. O jovem de 17 anos estranhou e levantou o colchão. Naquele momento ele descobria o pior lado do pai: ele havia cavado uma cova para enterrar a mãe, debaixo da cama do casal.
A perícia constatou que o buraco era exatamente do tamanho da estudante e que estava sendo construído há algum tempo. A vítima procurou a polícia, que expediu mandado de prisão contra o estoquista de 38 anos. Ele foi preso uma semana depois, por uma equipe da Delegacia de Homicídios e Proteção a Mulher.
Emprego para atrair acusado
Para conseguir prender o suspeito, policias da DHPM ligaram para o estoquista, que estava desempregado, e simularam oferecer emprego para ele.

“O delegado Felipe Pimentel entrou em contato com ele dizendo que era do Rh de um supermercado. Ele marcou com ele na sexta-feira no local, mas o suspeito não foi. Depois ele ligou dizendo que teve um problema e acabamos remarcando um encontro para ontem”, disse Adroaldo.

Nesta segunda (23) à tarde, os delegados Adroaldo e Felipe foram até o bairro Aribiri, onde o estoquista estava morando com a mãe. Eles descobriram que o rapaz voltaria a residência para almoçar e esperaram no local. Porém, ele novamente não apareceu e a polícia saiu em busca do suspeito.

“A mãe disse que ele estava trabalhando em uma oficina, então nos dividimos e procuramos pelo bairro. O delegado Felipe acabou o encontrando e efetuou a prisão”, disse Adroaldo.

Para o delegado, a ação rápida da polícia evitou que algo pior acontecesse à vítima.

“Havia perigo iminente de morte. A minha preocupação era com a vida dela, por isso acatei o pedido de ajuda e fui atrás do suspeito. Fiz minha função”, disse.

Entrevista

“Vou viver com medo pelo resto da vida”

Assim definiu a estudante o sentimento de descobrir que o marido cavava a própria cova dela.

Como soube da cova?

Assim que meu filho descobriu o buraco, ele ligou para minha mãe e disse a ela que ele havia encontrado a cova onde o pai dele iria me enterrar. Eu estava no serviço e atendi uma ligação da minha mãe desesperada. Quando cheguei em casa, não acreditei no que vi.

O que sentiu ao ver que ele cavava um buraco em baixo da cama de vocês?

Fiquei muito assustada, porque ele não passou um dia fazendo aquilo, foi tudo bem planejado. A primeira oportunidade que ele tivesse ele ia me matar e me jogar ali. Acho que quando eu o denunciei ele já planejava fazer isso, pois me bateu até eu perder os sentidos.

Não desconfiou em nenhum momento do que ele estava fazendo?

Não. Eu passo o dia fora de casa e acredito que ele aproveitou quando meus filhos estavam na escola. Eu cheguei a perceber que havia uma terra estranha no quintal, mas ele disse que estava fazendo um jardim. Na verdade era a terra da minha cova.

O que pensa em fazer?

Não quero voltar a pisar naquela casa, eu ainda estou em choque. Deus colocou um delegado na minha vida para prendê-lo. A prisão é um alívio para mim, mas vou viver com medo, porque da última vez o juiz o soltou em menos de um dia e alegou que ele não apresentava perigo para a sociedade. Mas e para mim e para meus filhos? Não tem perigo? É uma mistura de decepção e medo.

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