João Pessoa 20/06/2018 15:04Hs

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‘Não me arrependi de expor minha homossexualidade’, diz Sandra de Sá

sandra de sáSandra de Sá está renovando os ares. Agora, além de se dedicar à música, a cantora começou a empresariar novos talentos. MC Gibi, aquele do hit ‘Senta Essa Bunda No Chão’, é a bola da vez. Na entrevista a seguir, Sandra fala sobre a carreira paralela; ‘Lado B’, o disco que acaba de ser lançado; sua homossexualidade revelada no ano passado e a ligação com o Flamengo.

Você está empresariando cantores do funk agora. Significa que cantar virou uma profissão secundária para você?
Não cara, não é isso. Eu acho bom poder agregar, trazer para você pessoas que você acredita e gosta. E não é só empresariar! Eu preciso de empresário também para mim. Nós temos uma empresa e estamos trazendo para essa empresa pessoas novas.

Quem é que você está empresariando?
Tem o MC Gibi e também outro artista que o meu filho Jorge está trazendo. Na oportunidade certa a gente fala. Eu só posso dizer que é do segmento sertanejo.

É fácil descobrir novos talentos?
Poxa… É tão fácil. Só não acha novos talentos quem não quer, principalmente aqui no Brasil! Aqui é o berço das artes. Em cada esquina, tem alguém muito bom, bom para caraca, fazendo uma coisa legal para caraca! Então, é só fato de você ter a possibilidade de sentir a vibração, a sensibilidade… Acho que é que nem um casamento, um namoro, entendeu? Quando você sente atração por aquilo e quer trabalhar junto.

Quem são os funkeiros que se destacam no cenário atual na sua opinião?
Tem muita gente fazendo música legal! Eu idolatro os garotos do Passinho. O Biel é bacana e tem outros da rodinha dele, da parada dele, que são excelentes. O Gibi pode estar explodindo agora, mas já tinha músicas estouradas antes com outros artistas. Só que a música explode e fica estourada por aí, entendeu? Eu destacaria as pessoas do funk consciente. Gente que está levando o funk a sério.

Existe preconceito contra o funk ainda?
Ah, tem preconceito contra tudo! Até ficar falando nesse negócio é preconceito. Acho que ele existe entre aquelas pessoas que não gostam e julgam, mas eu acho que a gente não tem que ficar prestando atenção muito nisso, não… A elite diz que não gosta, mas é só um funkeiro explodir que vai logo para a elite! As socialites começam a vibrar! Acho que cabe a nós, artistas que estamos no meio da música, focar mais em fazer o nosso trabalho e deixar o pessoal que está doido ficar maluco por aí.

Os jogadores de futebol apoiam muito o movimento do funk, né? Neymar sempre lança um funk em campo.
Eles gostam, né, cara? Eu acho que é a onda deles, é a cara, da mesma forma que acontece nos Estados Unidos: os caras do basquete curtem o hip hop, funk e rap. Acho que é natural, mas penso que isso acontece no esporte de uma forma geral!

Você sempre foi um ícone da soul music nacional. Como avalia hoje a música brasileira?
A música brasileira vai muito bem, obrigada! A gente não pode confundir música brasileira com o que você ouve no rádio, com o que você vê na TV. Ainda mais agora que tem o lance das redes sociais que você vê muita coisa legal! A música negra brasileira, a música popular brasileira, a música brasileira continua aí da melhor qualidade.

O que você não ouve?
Não sei, cara! Se tiver rolando uma música que eu não estou a fim de ouvir, eu não ouço. De repente, uma mesma música que eu ouvi ontem, hoje eu posso não estar muito a fim de ouvir. Mas eu gosto de tudo, gosto de geral.

O que você acha do funk ostentação que está na moda agora?
Para mim não está na moda agora, porque isso nos Estados Unidos já rola há muitos anos. Mas é aquilo: acho que quando a pessoa faz de uma forma consciente é legal. O que não é legal é a pessoa que faz só para ganhar um troco e ficar famoso. Se a pessoa de cara demonstrar que é uma coisa honesta, beleza! Eu estou aplaudindo.

Você está lançando um CD?
O disco já está nas lojas e se chama ‘Lado B’. Tem duas músicas inéditas e as outras são canções que ficaram, que a gente grava e não ouve nas rádios, que as pessoas não conheceram… Então, a gente ouve e fica falando: ‘Pô, que pena que essa música não chegou junto, não colou!’ Então, eu peguei algumas músicas dessas e estou lançando. Aí surgiram duas músicas inéditas incríveis e eu coloquei. É um CD com sete músicas.

No ano passado, você deu uma entrevista para Marília Gabriela falando da sua homossexualidade. Você se arrependeu?
Não me arrependi de expor minha homossexualidade, não.

Como foi a repercussão?
Ah cara, eu não critico! Porque é a mesma coisa de sempre: uns agridem, outros aplaudem, outros dão parabéns, outros mandam eu ir para qualquer lugar… Mas isso são coisas que acontecem, a vida da gente é assim mesmo. O importante é que tem muito trabalho, tem muita coisa para me preocupar.

Você mora há cinco anos com uma joalheira. Por que não fala dela?
Pra quê? Não tem a ver com o sentimento e sai informações até erradas. Acho que isso não vem ao caso.

Seus pais moram em Pilares. Eles nunca quiseram sair de lá?
Por mim nem eu saía. Até para mim foi difícil sair porque é o nosso berço, nosso canto. Meu pai foi morar lá com 8 anos de idade, minha mãe nasceu lá, eu nasci lá. Quando eu engravidei, meu filho nasceu lá, foi criado lá, então, a gente é muito ligado a Pilares.

Você sempre vai visitar seus pais?
Nem é tão assim… Eu vou visitar o nosso canto, nossa família… Então, nem é uma questão de visitar! É uma questão de respirar.

Como era a sua relação com o Cazuza?
Cazuza era padrinho do meu filho. Essa é uma ligação maior do que tudo.

Vocês eram muito amigos, né? Vocês eram parceiros em tudo assim, nas loucuras? Nas viagens?
A gente tocava muito junto, a gente era bem parceirão nos pensamentos. A gente conversava muito. É uma história, um laço grande…

Tem alguma história com o Cazuza engraçada que você conte para a gente, para relembrar?
Tem várias! Ele sempre foi um anjo da guarda, um guardião, e quando eu estava grávida, ele não queria que eu fizesse extravagância de jeito nenhum. Uma vez, no aniversário dele, eu bebi um golinho de uísque e ele pegou o copo da minha mão, me deu o maior sermão!

Você é membro da Sociedade Viva Cazuza?
Eu acho que todo mundo que está junto, que pensa positivo, eu acho que é, né?

Uma curiosidade… De onde surgiu essa sua alergia a limão?
Ah, nem fala o nome desse negócio! Desde pequena eu odeio limão! Uma vez, viajei com a família para a Ilha de Paquetá. Na praia, eu dei mil caldos na minha prima. Aí, quando cheguei em casa, fui dormir. Acordei com a minha prima esfregando limão no meu nariz! Não gosto nem de lembrar que me arrepia!

Qual é a sua relação com o Flamengo?
Paixão, amor, loucura, sanidade, insanidade, tudo.

E com a Mangueira?
Também! Caprichosos de Pilares, Mangueira e Flamengo mandam no meu coração. Agora tenho uma paixão maior, que é a Embalo Carioca, uma escola do grupo B aqui do Rio. Eles me escolheram para enredo de 2016. Essa escola passou a ter um pedaço do meu coraçãozinho.

Por que você não fala sobre Tom Saga, pai do seu filho Jorge?
Eu falo adoidado, inclusive eu estou aqui com ele no estúdio agora! Nossa amizade é íntima! Somos grandes amigos, não tem essa não, sou amigona dele! Inclusive uma das músicas do CD é do pai do meu filho.

De onde vem esse seu bom humor?
Da alegria de viver! De respeitar o que Deus me deu. Deus me deu uma vida inteira para viver! Eu não posso ficar desperdiçando pensando em coisas que não vão me acrescentar em nada, que não vão me levar a nada. Eu quero sempre o bem, eu sou uma pessoa do bem.

O que é que você acha desses programas de música que hoje estão bombando, tipo o ‘The Voice Kids’?
Fico assim pensando: meu Deus, esses programas quando acabam muitas vezes você não lembra mais quem ganhou. Você não tem uma continuidade dos empresários, das gravadoras, da própria TV para dar uma força para esses artistas.

O Dia