João Pessoa 27/05/2018 12:01Hs

Início » Cidades » Simone comemora quatro décadas de carreira com show a preço popular

Simone comemora quatro décadas de carreira com show a preço popular

Ingresso de apresentação da cantora no Vivo Rio custará R$ 1

simone 40 anos d carreiraRio – Em mais de 40 anos de carreira — comemorados em 2013 e prosseguidos até agora com o giro de sua turnê ‘É Melhor Ser’, chegando ao Vivo Rio hoje com ingressos a R$ 1 —, Simone vendeu discos, fez sucesso e emplacou hits. Mais conhecida como intérprete, só não venceu a timidez na hora de compor. Tem poucas composições suas gravadas. “Em geral, minhas composições eu não mostro pra ninguém, nem pra mim”, diz, rindo. “No álbum ‘É Melhor Ser’ aumentou um pouquinho, já foram duas: uma com a Zélia (‘Só Se For’), grande amiga e parceira, e a carta que a Fernanda Montenegro escreveu pra mim (‘A Propósito’), daí criei coragem e fiz a melodia. Ultimamente, estou me reaproximando do violão. Pode ser que venham algumas coisas por aí”.

O show que apresenta neste fim de semana no Rio é, por sinal, composto apenas por canções feitas por autoras. Dolores Duran (‘A Noite do Meu Bem’), Isolda (‘Outra Vez’, sucesso de Roberto Carlos), ‘Candeeiro’ (Teresa Cristina), ‘Primeira Estrela’ (Luli e Lucina)… A ideia é lançar um olhar sobre o seu ofício nas últimas décadas, e homenagear as autoras, muitas delas colegas de gravadora e de programas de televisão de Simone nos anos 70.

“A partir dessa época, houve um florescimento muito grande. A composição no Brasil era quase exclusiva do homens”, recorda Simone, que também incluiu autores que dividiram trabalhos com autoras — ‘Canteiros’, música de Fagner sobre poesia de Cecília Meirelles, e ‘O Tom do Amor’ (feita por Moska e Zélia Duncan) estão no roteiro.

Concebido por Simone e dirigido pela atriz Christiane Torloni (com cenografia de Hélio Eichbauer), o espetáculo estreou em setembro de 2015 em Belo Horizonte e foi direto para Porto Alegre e São Paulo. Deveria ter sido trazido para o Rio em 23 de outubro de 2015 no Rio, mas Simone teve hepatite medicamentosa. “Nunca tinha tido. tive que parar para descansar e, agora, estou aqui novinha em folha. Estou ótima!”, conta. Apesar de já terem sido vendidos ingressos na época, há uma cota disponível na bilheteria a partir das 13h de hoje.

O valor de R$ 1 pelo ingressos (que acaba sendo reduzido a R$ 0,50 para quem paga meia-entrada) surgiu após Simone conseguir ter sua segunda turnê patrocinada. Ela diz trabalhar com patrocínios apenas desde 2009 e acredita que os preços dos grandes shows têm ficado cada vez mais injustos para o público.

“Eles estão exorbitantes e sempre foram. Ao mesmo tempo, montar uma estrutura de turnê é caríssimo e complexo. Qualquer agente que dificulte o acesso das pessoas à arte é terrível, e o preço é um deles”, lamenta a cantora, que viu os ingressos desaparecem em minutos nos lugares onde apresentou o show. O objetivo é ficar rodando por meses na estrada com esse preço — ao fim da turnê, o montante (pequeno) arrecadado deverá ser destinado a alguma instituição de caridade. “Este é a segunda turnê patrocinada e, quando saiu, no início do ano passado, sentenciei: ‘Vai ser agora!’ E, por mim, só seria assim daqui pra frente.”

Em quatro décadas, foram vários shows memoráveis. “Não posso deixar de citar minha parceria com o diretor Flávio Rangel, nos espetáculos ‘Pedaços’ (1979), ‘Amar’ (1982) e ‘Delírios e delícias’ (1983). ‘Sou eu’ (1992), dirigido pelo Ney Matogrosso, ‘Brasil’ (1997), que marca minha longa parceria com José Possi Neto, também foram muito especiais.”

Saudades do Canecão

Com um disco ao vivo clássico gravado no antigo Canecão (em 1980, com o sucesso ‘Tô Voltando’), Simone lamenta bastante que o espaço, hoje entregue à Universidade Federal do Rio de Janeiro, não esteja sendo mais utilizado. “Acho desolador não só pelo fechamento do espaço em si, mas pela falta de respeito com a nossa memória musical. A música brasileira passou pelo Canecão, ele foi o cenário de momentos épicos, pra mim e pra todos que passaram por lá. E agora está lá sucateado, um amontoado de escombros. A situação do Canecão diz muito sobre como o Brasil trata a própria história”.

O Dia