João Pessoa 24/05/2018 11:42Hs

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Advogados deixam clientes e julgamento do ‘Caso Asfora’ é adiado

O julgamento sobre a morte do então vice-governador eleito da Paraíba, Raymundo Yasbeck Asfora, previsto para acontecer nesta quinta-feira (13) em Campina Grande, foi adiado após os dois advogados de defesa abandonarem o caso. O juiz Alberto Quaresma marcou a nova data para o julgamento no dia 21 de março de 2013.

O advogado Henriquemar Dutra, representante da viúva Gilvanete Vidal, e o advogado Paulo Agra, que defendia o fotógrafo Marcelo Marcos da Silva, pediram o afastamento do caso. Sheyner Asfora assumiu a defesa da viúva e Raimundo Tadeu Licareão representará o fotógrafo. O juiz Alberto Quaresma ainda designou dois defensores públicos que devem receber o caso, se houver nova renúncia dos advogados de defesa.

De acordo com o promotor Osvaldo Lopes Barbosa, os 14 volumes do caso contêm vasto material pericial e depoimentos apontando para várias versões, porém uma prova ainda não revelada deverá ser fundamental para comprovar que houve o homicídio da vítima, no dia 6 de março de 1987, em sua residência na granja Uirapuru, no bairro de Bodocongó. Segundo o promotor, o Ministério Público pretende apresentar os novos argumentos apenas no dia do novo julgamento marcado.

A viúva de Asfora, Gilvanete Vidal de Negreiros Asfora e o fotógrafo Marcelo Marcos da Silva, na época apontados como suspeitos de ter envolvimento com a morte, devem ir novamente a júri popular após decisão em 2009 da ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mantendo entendimento do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB). O caseiro João da Costa, também relacionado no caso como réu, já morreu.

Juiz Alberto Quaresma remarcou júri para 2013. (Foto: Taiguara Rangel/G1)Juiz Alberto Quaresma remarcou júri para 2013
(Foto: Taiguara Rangel/G1)

O júri presidido pelo juiz Alberto Quaresma será realizado no auditório do 2º Tribunal do Júri do Fórum Affonso Campos, em Campina Grande, no dia 21 de março de 2013. Os 25 jurados selecionados devem comparecer ao local e, destes, sete serão sorteados para participar do julgamento. Em seguida, o Ministério Público procederá ao interrogatório dos réus e o mesmo procedimento será realizado pelos advogados de defesa, ambos com duas horas e trinta minutos de prazo.

Depois, o promotor terá uma hora e trinta minutos para réplica e os advogados terão a seguir o mesmo prazo. O juiz Alberto Quaresma então indagará aos jurados sobre possíveis dúvidas surgidas no decorrer do julgamento e se estão aptos a votar. Os sete procedem ao voto secreto e logo após o magistrado já prolata a sentença, inocentando ou condenando os réus.

À época dos fatos, o Ministério Público da Paraíba denunciou os acusados por homicídio qualificado, por impossibilidade de defesa da vítima. No primeiro julgamento em Campina Grande, a maioria dos jurados entendeu que Raymundo Asfora teria cometido suicídio e os suspeitos foram absolvidos. A pedido dos advogados de parentes, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB) anulou a sentença. Os réus, por sua vez, recorreram ao STJ, mas tiveram o recurso especial negado.

“O julgamento anterior foi anulado porque foi colocado um quesito específico aos jurados para responderem se houve homicídio ou suicídio, mas o júri não tem atribuição para isso, o jurado não é um perito. O entendimento do TJ foi mantido no STJ e os autos retornaram ao Tribunal do Júri de Campina Grande, chegando às minhas mãos recentemente”, concluiu o promotor Osvaldo Barbosa.

O representante do Ministério Público estadual afirmou ainda que os peritos criminais Domingos Techetto, especialista em balística, e Genival Veloso de França, professor de Medicina Legal, apresentam laudos periciais que corroboram com a pretensão de comprovar o assassinato de Raymundo Asfora.

“Pretendemos provar definitivamente, para que fique registrado na História, que Raymundo Asfora foi realmente assassinado”, afirmou o promotor Osvaldo Lopes. “O que vai ser discutido é a negativa de autoria por parte dos réus. Vou provar que ele foi assassinado e vamos dar uma satisfação à sociedade trazendo à tona esta prova, mostrando que não houve suicídio. Meu empenho é para mostrar ao Brasil que ele foi assassinado e acabar de vez por todas com essa versão de suicídio, em respeito à memória dele”, explicou.

História
Nascido na capital cearense Fortaleza, Raymundo Yasbeck Asfora desembarcava em Campina Grande aos 12 anos de idade, em companhia dos pais libaneses no ano de 1942. Aos 18 anos militava nos movimentos estudantis, atuando na luta pela restauração do Grêmio Estudantil Campinense, conquistando a construção da ‘Casa do Estudante’ mais tarde seria nomeada ‘Casa Félix Araújo’.

Cursou a Faculdade de Direito na cidade de Recife, em Pernambuco, retornando a Campina Grande no ano de 1952 para assumir a Secretaria de Serviço Social na gestão do prefeito Severino Cabral. Sua colaboração o leva a ser eleito vereador de Campina Grande em 1955, tornando-se o líder da oposição ao prefeito Elpídio de Almeida.

Foi eleito deputado estadual em 1958. Em 1964 assumiu, como suplente, mandato na Câmara Federal de Deputados e posteriormente retornou à bancada em 1982. Em 1976, é eleito vice-prefeito de Campina Grande na chapa de Enivaldo Ribeiro, cumprindo mandato de 1977 a 1982. No ano de 1986, aceitou a indicação do seu nome para vice-governador, sendo eleito junto ao governador Tarcísio Burity governador em 15 de Novembro de 1986.

Além de jurista e político, Raymundo Asfora é coautor de uma das mais populares composições musicais da região, em parceira com Rosil Cavalcante, considerada um hino não-oficial de Campina Grande e intitulada “Tropeiros da Borborema”.

G1