João Pessoa 28/05/2018 09:49Hs

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Após Caravana da Oposição, Fulgêncio explica irregularidades e justifica supersalário no Trauminha

Secretário também comentou sobre inquérito do MPF: “Assumo que nós deveríamos ter feito a resposta de maneira mais rápida”

O secretário de Saúde de João Pessoa, Adalberto Fulgêncio, comentou em entrevista ao programa Rádio Verdade, da Arapuan FM, nesta quarta-feira (29), sobre a visita da ‘caravana da oposição’ ao Ortotrauma de Mangabeira (Trauminha), com objetivo de fiscalizar as instalações e apurar denúncias de usuários da unidade hospitalar. A superlotação e um supersalário de médico foram o foco das denúncias dos vereadores.

Sobre a superlotação, principal alvo das denúncias tanto dos vereadores quanto dos usuários, Fulgêncio preferiu desconversar e entoou afirmativas referentes a negligências sanitárias praticadas pelos camaristas e imprensa durante visita na unidade. “Tenho que concordar com a crítica da oposição sobre a maneira em que o vereadores e o deputado Aníbal Marcolino. Vou chamar atenção. Não tem sentido. Os vereadores e a imprensa foram a lugares que não deveriam ter acesso, como bloco cirúrgico e UTI, mas isso não justifica qualquer reação não urbana [civilizada]. Nesse sentido, vamos chamar atenção para tentar superar isso”, declarou o secretário.

O salário de um médico, que chegou a receber R$ 42 mil,  foi tachado como “supersalário” pelos integrantes da caravana, e também alvo de críticas. O secretário de Saúde argumentou com carga horária, atividades desenvolvidas e especialidades dos profissionais. Conforme Fulgêncio, é preciso entender que há diferenciação nos pagamentos, porque há pagamentos de plantões e cargas horárias são diferentes. “Tem médico que cumpre 20h, 30h, até 60h”, disse.

Ainda comentando sobre as remunerações, o secretário também salientou que outro elemento que pesa no salário é a produção. “O Trauminha tem este médico, inclusive, como plantonista e diretor clínico. Junto ao CRM, ele acompanha o tratamento, a equalização do hospital. A partir do momento que nós colocamos a Dra. Fabiana, Dr. Jorge e diversos coordenadores. Lá dentro do Trauminha tem uma rotatividade de cirurgias que não tinha antes. Ainda sobre esse salário, teve um pagamento atrasado desse profissional [apontado como beneficiado pelo “supersalário”], que a gente já terminou de pagar esse valor”, afirmou Fulgêncio.

Adalberto Fulgêncio analisou o funcionamento do Ortotrauma, e admitiu lapsos na gestão da unidade. Para o secretário, o fundamental é que o Trauminha está rodando. “Ali se faz, em média, 450 cirurgias por mês e atende toda a região metropolitana do Estado. Tem gente hoje de Mari para tirar um gesso e por isso que o ambulatório está lotado. O ambulatório que é feito para retorno de pacientes, mas tem que atender essas demandas”, declarou.

Inquérito do MPF

O procurador da República Sérgio Rodrigo Pimentel de Castro Pinto, do Ministério Público Federal (MPF), instaurou um inquérito civil para investigar as causas da não disponibilização de insumos básicos para pessoas com deficiência pela Secretaria de Saúde de João Pessoa. Fulgêncio, que não se pronuncio à época, tratou sobre o assunto nesta quarta-feira (29) durante a entrevista. O secretário admitiu demora no envio dos pedidos do MPF.

“Nós recebemos do Ministério Público e Defensorias Públicas Estadual e Federal diversos pedidos de informação. Houve realmente uma demora no envio da resposta, mas já conversamos com o procurador Guilherme, que foi substituído pelo procurador Sérgio Rodrigo Pimentel de Castro Pinto. Esse inquérito foi aberto e já está devidamente respondido. Nós temos sim a disponibilização de insumos para as pessoas com deficiência”, afirmou Fulgêncio.

De acordo com o secretário, a secretaria é uma pasta muito grande, com mais de 10 mil funcionários, e um acúmulo de tarefas muito grande. “Assumo que nós deveríamos ter feito a resposta ao MPF de maneira mais rápida, mas neste caso a gente demorou um pouco mais”, reconheceu.

Na oportunidade, Adalberto Fulgêncio agradeceu ao apresentador Fabiano Gomes, pois “soube do inquérito através do Blog do Gordinho“, o que o “ajudou muito a responder ao Ministério Público 24 horas depois”.

Blog do Gordinho