João Pessoa 18/06/2018 11:32Hs

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Às vésperas dos 21 anos, Isabelle Drummond conta como foi crescer diante do público

Na TV desde os 6 anos, protagonista de ‘Sete vidas’ faz planos de cursar psicologia e assume lidar melhor com a fama atualmente: 'Quando você escolhe essa profissão, precisa entender que a relação com o público é parte fundamental'

globo-6jpoxr54a15skqnyj8f_originalRIO – Prestes a completar 21 anos, no dia 12, Isabelle Drummond poderia muito bem ter estrelado uma versão feminina do filme “Boyhood — Da infância à juventude”, protagonizado por Ellar Coltrane. O ator de Hollywood, hoje com 20 anos, interpretou, dos 6 aos 18, o garoto da história, que fala sobre a passagem de tempo e demorou 12 anos para ser filmada. No ar em um dos papéis centrais de “Sete vidas”, Isabelle também começou aos 6. E cresceu sob os olhares do público.

Apesar da pouca idade, ela tem a experiência de quem está em sua sétima novela. Só nos últimos anos, Isabelle emendou cinco trabalhos. Depois da Rosa, de “Cordel encantado” (2011), fez duas protagonistas, em “Cheias de charme” (2012) e em “Sangue bom” (2013). No ano passado, teve outro papel de destaque, em “Geração Brasil”. Para viver a patricinha Megan, sua primeira personagem com apelo mais sensual, mudou a cor do cabelo e ficou loura.

— Agora cheguei ao tom certo do cabelo que eu usaria. Mas me me olho no espelho e vejo a Júlia — diz, citando a personagem da atual trama das 18h, escrita por Lícia Manzo.

Apesar de admitir o cansaço por ter emendado vários trabalhos, a atriz explica que o tema de “Sete vidas” a encantou. E já coloca Júlia entre os seus trabalhos mais marcantes.

— Estou cansada fisicamente, pela falta de férias, mas também muito feliz. Hoje, vejo que tomei a decisão certa de ter aceitado esse trabalho. A novela passa uma mensagem muito bonita e tudo está acontecendo de forma tão harmoniosa. A equipe é unida e o resultado, lindo — elogia a atriz, que ainda não viu “Boyhood”.

  • A atriz aos cinco mesesFoto: Acervo pessoal

  • Aos 6 anosFoto: Acervo pessoal

  • Isabelle aos 8 anos de idadeFoto: Acervo pessoal

  • A atriz aos 9 anosFoto: Acervo pessoal

  • Aos 10 anosFoto: Acervo pessoal

  • Aos 13 anos, na novela “Eterna magia”Foto: Acervo pessoal

  • Aos 14 anosFoto: Acervo pessoal

  • Aos 14 anosFoto: Acervo pessoal

  • Aos 15 anos, num cruzeiro no CaribeFoto: Acervo pessoal

  • Aos 16 anos, em Londres, na sua primeira viagem sozinhaFoto: Acervo pessoal

  • Aos 16 anos, em Londres, na sua primeira viagem sozinhaFoto: Acervo pessoal

  • Aos 19 anos, nas gravações de “Sangue bom”Foto: Picasa / Acervo pessoal

  • Aos 20 anos, em Nova YorkFoto: Acervo pessoal

  • Aos 20 anosFoto: Acervo pessoal

Os papéis mais adultos têm mostrado a evolução de Isabelle que, na infância, fez sucesso como a boneca Emília, do “Sítio do Picapau Amarelo” (2001), onde atuou por seis anos. Hoje, ela parece ser uma profissional que sabe o que quer. Ao ser fotografada para a Revista da TV, no Projac, sugeriu cenários e disse que preferia aparecer de forma mais natural e menos posada.

A relação da atriz com a televisão começou ainda mais cedo do que a sua carreira. Aos 4 anos, ela já acompanhava novelas e brincava de encenar comerciais com a irmã, Maíra.

— Era uma época com muitos comerciais de TV com crianças. Eu achava aquilo maravilhoso e disse para a minha mãe que também queria participar. Ela acabou me levando numa agência, mas depois achou que era muito cedo para eu assumir tantas responsabilidades — recorda.

FILME DA XUXA

As várias fases de Isabelle Drummond na televisão – Fotos de Imagens de arquivo pessoal da atriz e de Daniela Dacorso e João Miguel Jr.

A estreia como atriz aconteceu em 2000, quando foi aprovada no teste para o elenco do filme “Xuxa popstar”. Em 2001, foi escalada para a minissérie “Os Maias”. Fez Rosicler, filha da protagonista, Maria Eduarda (Ana Paula Arósio). Naquele mesmo ano, entrou para “O sítio do Picapau Amarelo”. O teste, inicialmente, seria para interpretar Narizinho, mas, por conta de um erro de comunicação, Isabelle acabou decorando o texto da Emília:

— Na época, era tudo uma grande brincadeira. Não tinha noção de como essa atividade impactaria a minha vida. Como o elenco era quase todo formado por crianças, os diretores também se preocupavam em deixar o ambiente com um clima de recreação e uma rotina saudável. Mas todos sabiam que a hora de gravar era para gravar.

A adolescência da atriz também foi vivida no vídeo. O primeiro beijo (na ficção) aconteceu no especial de 40 anos da TV Globo, “História de amor”(2005), com Miguel Rômulo. Dos 14 aos 15, ela fez outra personagem marcante, a Bianca, de “Caras & bocas”(2009). Ao olhar para trás, Isabelle não reclama de ter começado a trabalhar cedo.

— Deixei de sair com os amigos e de ir a várias festas por conta do trabalho. Mas foi tudo de forma natural, atuar é o que sei e gosto de fazer.

assédio não incomoda

RELAÇÃO COM A FAMA

Enquanto dentro dos sets tudo correu naturalmente, lidar com a fama já não foi uma tarefa das mais fáceis para a atriz:

— Eu tinha um pouco de dificuldade. Uma vez, na Disney, queria brincar e vários brasileiros ficaram pedindo para tirar foto comigo, o que me deixou sem paciência — lembra a atriz: — A minha mãe sempre me disciplinou muito para dar atenção às pessoas, ela nunca deixou que eu agisse de forma errada. Quando você escolhe essa profissão, precisa entender que a relação com o público é parte fundamental, afinal, estamos dentro da casa deles quase todos os dias.

Hoje, Isabelle diz encarar melhor a exposição e que, com a experiência, consegue evitar certas surpresas:

— Gosto muito de ir ao hortifrúti, e nunca tive qualquer aborrecimento. É claro, se estou num dia que não quero ser fotografada ou mesmo falar com ninguém, evito ir a lugares como praias e shoppings.

A atriz nasceu e foi criada em Niterói, onde sua família vive até hoje. Por conta do trabalho, ela decidiu se mudar para a Barra da Tijuca, no Rio. Em casa, ela adora cozinhar — receitas saudáveis — e praticar ioga, que aprendeu por meio de um curso na internet. Na TV, assiste a filmes, novelas e séries (“Downton Abbey” é uma das prediletas). Quando está de folga, não pensa duas vezes e atravessa a Baía de Guanabara:

— Niterói é onde está a minha família, meu lar e boa parte dos meus amigos. É muito importante para mim estar ao lado deles — afirma a atriz, namorada do cantor Tiago Iorc, que canta “What a wonderful world” na abertura de “Sete vidas”.

Uma das mudanças que Isabelle teve com a vida adulta foi a independência da mãe, Damir, que deixou de acompanhá-la nos compromissos profissionais:

— Ela viveu muito para mim por um bom período e, até hoje, a gente se fala o tempo todo. Mas agora já não precisa me acompanhar, pode cuidar mais de si própria, do seu trabalho.

AMIGOS NA PROFISSÃO

A atriz na série ‘Os Maias’ (2001) – Reprodução

Nos bastidores da Globo, Isabelle também tem colegas que conheceu ainda pequena.

— A Ilíria, minha cabeleireira, por exemplo, está comigo desde que eu entrei na TV — enfatiza.

Hoje, a atriz faz questão de ter um cuidado especial com as crianças com quem atua.

— Estar numa novela é uma responsabilidade grande para uma criança, mesmo que ela própria não se dê conta disso. Qualquer coisa errada, pode marcá-la para o resto da vida. Tive sorte de sempre ter pessoas muito bacanas por perto.

Embora “Sete vidas” esteja no início, a atriz já faz planos para depois da novela. Um deles, estudar psicologia, é um desejo antigo que ela adiou desde que terminou o ensino médio, em 2012, por conta da TV. Na época, Isabelle estava no ar em um dos papéis que considera um dos seus mais marcantes, a “empreguete” Cida, de “Cheias de charme”.

— Aquela novela foi um momento de amadurecimento para mim. Terminei o ensinei médio no meio dela e comecei a ficar mais independente. Algumas pessoas vieram me dizer que perceberam uma mudança clara em mim entre o início e o fim da trama — pontua.

Parceiro de cena da atriz pela quarta vez em “Sete vidas”, Jayme Matarazzo afirma que é “sempre uma honra e um prazer dividir qualquer projeto” com ela.

— Isabelle é dona de um talento e de uma generosidade rara — destaca o ator.

Ao falar de atores que a influenciaram, Isabelle cita os nomes de Carlos Vereza e Malu Mader. Ambos fizeram participações especiais na época em que ela esteve no “Sítio”.

— Carlos é generoso e de uma sabedoria incrível. No “Sítio”, ele dizia que estava aprendendo comigo, mas é claro que quem estava aprendendo ali era eu. Já a Malu, era uma inspiração mesmo antes de conhecê-la. A sua atuação em “Força de um desejo” (1999) me marcou — comenta.

As duas foram colegas de elenco em “Sangue bom”, quando se tornaram amigas. Malu afirma que hoje Isabelle é quem lhe serve de inspiração:

— Acompanho a carreira dela desde o começo e, às vezes, tenho a impressão de que Isabelle já nasceu pronta, que se firmou rapidamente como uma atriz de ponta. Inclusive, estava pensando em ligar para ela para falar que estou adorando seu trabalho em “Sete vidas” — conta Malu.

Taís Araújo contracenou com Isabelle em “Cheias de charme” e diz que ela “é muito madura e determinada”.

— Ela é incrível! Foi um aprendizado ver uma menina tão jovem e tão certa do que quer. Na idade dela, eu já trabalhava, mas era uma pamonha. As pessoas faziam o que queriam de mim, da Belle não fazem, mas não fazem mesmo — afirma Taís.

LINHA DO TEMPO

6 anos – Estreou na minissérie “Os Maias”, em 2000, e começou a viver a Emília do “Sítio”, onde ficou por seis anos.

13 anos – Fez a sua primeira novela, “Eterna magia”.

15 anos – Interpretou Bianca em “Caras & bocas”.

18 anos – Fez a empreguete Cida na novela “Cheias de charme”.

19 anos – Viveu Giane em “Sangue bom”, trama de 2013.

20 anos – Com os cabelos platinados, interpretou a “it girl” Megan em “Geração Brasil”. Atualmente, faz a protagonista de “Sete vidas”.

O Globo