João Pessoa 27/05/2018 19:37Hs

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Cássio Cunha Lima afirma ter recusado propina da Odebrecht nas eleições de 2014

O senador disse à Folha que tomou a atitude "correta, que lhe cabia, que foi recusar" a proposta feita pelo executivo da construtora Odebrecht

Em depoimento dado em junho à Polícia Federal, o senador afirmou que “reagiu imediatamente à proposta”, dizendo que “não poderia aceitar doação não-contabilizada” (Foto: Reprodução)

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB), afirmou em depoimento à Polícia Federal que ouviu de um executivo da empreiteira Odebrecht a proposta para que recebesse dinheiro em esquema de caixa dois para sua campanha ao governo da Paraíba, em 2014, e recusou a oferta. As informações são da Folha de São Paulo.

Ainda segundo a Folha, Cássio Cunha Lima não fez denúncia sobre a proposta em discursos no Senado, nem procurou a Polícia Federal ou outros órgãos de controle para alertar o que havia ocorrido em seu gabinete no Senado.

A afirmação do senador paraibano contradiz os depoimentos dos delatores da Odebrecht e o resultado da análise técnica feita pela Procuradoria Geral da República (PGR) no Drousys, o sistema de comunicação criado pela empreiteira para o “departamento de propina” da companhia, o Setor de Operações Estruturadas.

Os arquivos do Drousys estavam em um servidor em Estocolmo, na Suécia, e foram entregues como parte do acordo de delação premiada fechado pela Odebrecht com a PGR.

Segundo o relatório da PGR, planilhas encontradas em anexo de e-mails enviados em 2014 “corroboram as afirmações do executivo da Odebrecht Alexandre José Lopes Barradas, que revelou o pagamento de R$ 800 mil nas eleições de 2014, via caixa dois, em favor de Cássio Cunha Lima”. Segundo Barradas, o senador foi identificado pelos codinomes “Trovador” e “Prosador”.

O depoimento do senador foi dado em junho. Cássio disse Barradas apareceu para dizer que havia recebido autorização para fazer a doação após o pedido de ajuda para a sua campanha nas eleições de governo do Estado. “Barradas informou que somente poderia fazer uma doação eleitoral para a campanha do declarante de forma não oficial”, disse Cássio à Polícia Federal.

O senador disse que “reagiu imediatamente à proposta”, dizendo que “não poderia aceitar doação não-contabilizada”, e argumentou que a tratativa parou por ali e sua campanha recebeu R$ 200 mil do grupo Odebrecht de forma oficial, pelo braço petroquímico da companhia, a Braskem.

Barradas disse que o senador “demonstrou incômodo e preocupação” com a sugestão de caixa dois, mas que “aceitou receber os valores não contabilizados”. Segundo Barradas, o senador apresentou um assessor chamado Luiz como intermediário para o recebimento do dinheiro, que foi pago em duas parcelas de R$ 800 mil entregues em espécie em “um hotel na periferia de Brasília”. A Polícia Federal agora quer saber quem era Luiz.

O senador disse à Folha que o caixa dois em eleições “faz parte da cultura política brasileira” e que tomou a atitude “correta, que lhe cabia, que foi recusar” a proposta feita pelo executivo da construtora Odebrecht.

“Queria deixar registrado que o delator disse que fui o único a resistir ao caixa dois. Eu não pedi, resisti e não recebi.” Em seu depoimento, Alexandre Barradas disse que a princípio Cunha Lima recusou, mas depois aceitou a doação em caixa dois.

Cássio disse que há inconsistências no relato de Barradas. “Ele fala que entregou o dinheiro a um tal de ‘Luiz’ que ninguém acha. E num hotel que ele não lembra qual foi. Como é que você entrega um valor expressivo desses num local que foi combinado e não lembra o hotel que foi?”

Por Redação ClickPB via Folha de São Paulo