João Pessoa 26/04/2018 01:01Hs

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Convidado para debate, Bolsonaro só recebe homenagens na CMJP

bolsonaro parlamentoO deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) usou a tribuna da Câmara Muncipal de João Pessoa (CMJP) nesta quinta-feira (19) para tentar explicar seus posicionamentos mais polêmicos e que são alvos de duras críticas de grande parte da imprensa brasileira e dos movimentos sociais. Apesar da proposta para a sessão especial ter sido discutir “o momento político atual” no país, o que mais se registrou foram declarações de apoio ao parlamentar e a real postura de alguns vereadores da Casa Napoleão Laureano.
Desde o início, a presença de Bolsonaro causou tumulto na CMJP. Apesar da recepção calorosa no aeroporto Castro Pinto, grupos contrários à presença do parlamentar foram proibidos de entrar na Casa, segundo a vereadora Eliza Virgínia (PSDB) – autora da proposta – “por estarem armados com facões e flechas”. Um detalhe é que grupos indígenas também eram aguardados no plenário. Na confusão, portas de vidro foram quebradas e seguranças ficaram machucados. A autoria dos fatos esbarrou na troca de acusações.
No fim, não houve debate. O que mais o que se viu na tarde de hoje foi a reunião de grupos que apoiam ou mesmo idolatram o deputado que – apesar de negar que suas viagens pelo país estejam ligadas a alguma intenção de disputar a Presidência da República em 2018 – era o tempo todo ovacionado com gripos de “presidente”. Ele chegou a receber a faixa verde e amarela de um fã ao final da sessão.
Sobre suas declarações polêmicas, Bolsonaro negou quase todas. Disse que não era contrário ao direito das mulheres, mas que o governo não pode interferir na liberdade que as empresas têm de gerir seus empregados. Falou ainda que não fazia distinção de raças e ressaltou que seu sogro é negro. “Sou contra as cotas. Não podemos admitir a política do coitadimo no Brasil. Estudou passou. No regime que eu defendo, trabalhou, comeu”, acrescentou.
Também disse que o homossexual é livre pra viver como quiser, mas que as políticas públicas que o governo federal tenta implantar para debater o assunto nas escolas não podem ser admitidas. Em relação à política de imigração, o deputado foi enfático. Destacou que a imigração é um “crime de controle sanitário” e que “não há registros da vida pregressa” dessas pessoas. Ele ainda defendeu que os cidadãos brasileiros possam ter porte de arma.
O filho de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, acompanhou o pai na visita e declarou várias vezes que eles não serão calados por qualquer movimento de minorias deste país. Fiel seguidor às ideias do pai, ressaltou que tentam distorcer as declarações do deputado, mas que eles estão acostumados com a perseguição. “Podem contar comigo para a redução da maioridade penal, para acabar com os nossos bilhões por ano que vão para as ONGs de direitos humanos que só atrapalham a vida do policial, que está na ponta combatendo todo tipo de criminalidade”, avisou.
Na sessão presidida por Bosquinho (DEM), os vereadores Eliza Virgínia (PSDB), Lucas de Brito (DEM) e Bruno Farias (PPS) tiveram palavras de apoio a vinda do parlamentar e enalteceram o papel de Bolsonaro na política brasileira. Contudo, o discurso mais empolgado foi o da vereadora Raissa Lacerda (PSD). Ainda que num passado recente ela tenha sido apoiadora de governos de esquerda na Capital paraibana, incluindo do prefeito Luciano Cartaxo (que era do PT antes de migrar para o PSD), a parlamentar bradou que é de direita e que sonha em ver o país sem o PT de Dilma e Lula.
De braços erguidos – que lembravam o famoso gesto do petista Genuíno quando fora preso no Mensalão e que tanto repudiam – a direita paraibana conseguiu voz na Casa Napoleão Laureano. O que ainda não se sabe é se conseguirá mais votos.
Thais Cirino