João Pessoa 20/06/2018 20:59Hs

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Datafolha: reprovação de Doria chega a 39% e supera aprovação

Marca negativa iguala a de Haddad - Aprovação cai a 29% em novembro

Para 39% dos paulistanos, o governo de João Doria (PSDB) é avaliado como ruim ou péssimo. É o que mostra a pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta 3ª feira (5.dez.2017).

Doria está há quase 1 ano à frente da prefeitura de São Paulo e viu sua reprovação triplicar neste período. A avaliação negativa do tucano atinge o mesmo nível de seu antecessor, o petista Fernando Haddad.

Depois de rápida ascensão no cenário nacional, Doria enfrenta 1 período de baixas. Já é considerado carta fora do baralho da próxima eleição presidencial. O prefeito travou uma guerra fria contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), fez uma série de viagens para outras cidades em dias úteis da semana, e acumulou problemas com a zeladoria da cidade –fatos que levaram ao aumento de sua reprovação pela população.

De acordo com a pesquisa, 39% dos moradores de São Paulo reprovam a gestão tucana. A taxa é exatamente o mesmo índice de desaprovação de Haddad ao final de seu 1º ano no comando da cidade, em 2013.

Doria ainda tem 29% de ótimo ou bom e 31% que apontam a gestão como regular. Só 1% não soube responder.

O Datafolha ouviu 1.085 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 28.nov e 30.nov na cidade de São Paulo, a margem de erro é de 3 p.p, para mais ou para menos. Alguns gráficos não somam 100%, devido aos arredondamentos.

No caso de Haddad, o mergulho nas pesquisas em 2013 ocorreu após os protestos de junho daquele ano, quando milhares de pessoas foram às ruas do país com uma série de reivindicações contra a classe política. A avaliação negativa dele se manteve alta até o fim do mandato, em 2016.

Já no caso de Doria, não ha 1 único fator para explicar este desgaste. Do início de 2017 até o momento atual, houve uma queda de 15 p.p na aprovação do tucano (44% para 29%), enquanto a reprovação nesse mesmo período cresceu 26 p.p (13% para 39%).

A cidade segue convivendo com seus transtornos diários, sem sinais claros de mudança em relação à gestão anterior, como as falhas de zeladoria. Outro fator que pode ter contribuído para a queda da avaliação do prefeito foi sua corrida pela vaga de candidato do PSDB ao Palácio do Planalto nas eleições de 2018. Doria travou uma disputa com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), mas não obteve sucesso.

Doria também fez uma série de viagens ao longo do ano. Foram 43 viagens em 11 meses. O tucano esteve em cidades de todas as regiões do Brasil e foi a outros países. Em alguns meses, como agosto e outubro, o prefeito fez uma viagem a cada 4 dias, de acordo com 1 levantamento do portal G1.

O prefeito também passou pela “crise da farinata”. Doria atropelou sua equipe ao anunciar a adoção de 1 complemento alimentar para a população pobre da cidade, produto feito à base de comida doada e próxima do vencimento. O prefeito voltou atrás diante da repercussão negativa, mas logo em seguida anunciou a inclusão do mesmo produto na merenda escolar, sem que o secretário da área tivesse sido avisado. Recuou novamente e depois abandonou a ideia.

Após perder esse fôlego eleitoral, Doria já sinalizou apoio a Alckmin para a Presidência, mas ainda tem esperança de uma eventual disputa ao governo do Estado. Para isso, além de convencer o PSDB, terá de se licenciar do cargo de prefeito em abril, deixando a cadeira nas mãos tucano Bruno Covas, seu vice.

EXPECTATIVA DA POPULAÇÃO

Segundo o Datafolha, atingiu o ponto mais alto da gestão a taxa daqueles que declararam que o prefeito fez menos pela cidade do que se esperava. Agora, são 70% (eram 64% em outubro).

Para 17% dos moradores, Doria fez o que se esperava dele, ante 10% que consideram a atuação dele acima da expectativa. Especificamente sobre os bairros dos entrevistados, 83% dizem que Doria fez menos do que se esperava e só 4% dos entrevistados consideram acima do esperado.

MAIOR APROVAÇÃO ENTRE OS MAIS RICOS

Entre as camadas mais altas da população, Doria registra 1 pico de aprovação, 45%, homens (32%) jovens de 16 a 24 anos (32%) e aqueles com nível superior completo (33%). Já entre os mais pobres, a reprovação do prefeito paulista é de 44%, mulheres (44%), pessoas de 35 a 44 anos (44%) e com ensino médio (41%).

ENTRE OS ÚLTIMOS PREFEITOS

Doria e Haddad tiveram a maiores rejeições no 1º ano de mandato em comparação aos últimos prefeitos da capital paulista. Após serem eleitos, Gilberto Kassab (hoje no PSD), José Serra (PSDB) e Marta Suplicy (hoje no PMDB) tiveram, respectivamente, 27%, 23% e 34% de reprovação depois de 1 ano –contra a marca de 39% tanto de Haddad como de Doria.

Poder360