João Pessoa 18/06/2018 11:29Hs

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Debate entre candidatos a prefeito de CG, no Sistema Correio, é marcado por críticas e apresentação de propostas

Os candidatos tiveram a oportunidade de apresentarem suas propostas aos eleitores, mas não se furtaram do confronto.

debate umO debate promovido pelo Sistema Correio da Paraíba na tarde desta segunda-feira (22) entre os candidatos a prefeito de Campina Grande foi marcado por críticas e apresentação de propostas. No primeiro bloco do debate, os postulantes debateram sobre saúde, coleta de lixo e habitação. No segundo bloco, eles abordaram sobre cozinhas comunitárias e restaurantes populares, política salarial dos servidores públicos e geração de emprego e renda na cidade. O terceiro e último bloco foi marcado por questionamentos políticos e considerações finais.

1º bloco

O primeiro a perguntar foi o candidato do PPS, Arthur Bolinha. Ele questionou o prefeito e candidato a reeleição, Romero Rodrigues (PSDB), sobre o número de mutilações realizadas no município.

O tucano destacou os investimentos em saúde no decorrer de sua gestão como o aumento de cirurgias eletivas, a implantação da Central de Imagens, atendimento de idosos, leitos, além da municipalização da AACD. Ele também lembrou da atenção aos casos de microcefalia. Ele observou, porém, que não poderia responder por mutilações, pois é um serviço que cabe ao Hospital de Trauma, gerido pelo governo do estado.

Arthur Bolinha disse que a cidade registrou mais de 600 mutilações, quando até 70% delas poderiam ter sido evitadas, o que, segundo ele, reflete o descaso público nos serviços de baixa, média e alta complexidade.

O candidato Adriano Galdino (PSB) indagou ao deputado federal licenciado Veneziano Vital do Rêgo (PMDB) acerca do serviço de coleta de lixo de Campina Grande.

O peemedebista lamentou que apesar dos 20 anos de administração do grupo Cunha Lima, foi na gestão dele que foi solucionado o problema do lixão. Ele lembrou que realizou mais de três mil obras na cidade. Segundo ele, sete paralisações na coleta de lixo ocorreram no município na gestão do prefeito Romero Rodrigues.

O socialista fez duras críticas aos governos de Romero e Veneziano e os acusou de fazerem política com interesses particulares, numa ‘gangorra política’ que precisa ser mudada, de acordo com ele.

Romero Rodrigues fez um questionamento direcionado a Arthur Bolinha. Ele quis saber do adversário o que ele planeja para a área habitacional da cidade.

O candidato do PPS considerou como uma “ação acertada” a construção do condomínio Aluízio Campos, mas adiantou que irá trabalhar para atrair empresas para as proximidades dessas localidades e prometeu dar continuidade às obras que estão em andamento na cidade.

Romero Rodrigues falou que sua gestão construiu mais de 2.800 unidades habitacionais e está entregando em breve 4.100 casas, num investimento de R$ 300 milhões.

Veneziano Vital do Rêgo perguntou a Adriano Galdino sobre a política do governo municipal para a área da saúde no quesito de gestão de pessoal.

O presidente da Assembleia Legislativa disse que a saúde de Campina Grande é um “caos” e está na “UTI”. Segundo ele, a população se queixa da falta de medicamentos e de médicos. Ele garantiu que se for eleito, irá fazer uma gestão com diálogo para buscar o equilíbrio fiscal, priorizando o funcionalismo.

Para Veneziano, a realidade na saúde do município é “desastrosa”, pois não há medicamentos e médicos nos PSFs, fruto, de acordo com ele, da “incompetência” da gestão atual. Ele prometeu cumprir o Plano de Cargo, Carreira e Remuneração (PCCR), respeitando os servidores.

2º bloco

O segundo bloco foi aberto por uma pergunta de Veneziano a Arthur Bolinha. Ele questionou Bolinha sobre os restaurantes populares e cozinhas comunitárias que estão fechados em Campina Grande.

Bolinha prometeu reabri-los e reconheceu o investimento de Veneziano no Plínio Lemos e lamentou o abandono na atual gestão. Ele assegurou que dos quatro candidatos a prefeito de Campina Grande é o único que não faz política profissional, que briga pelo poder, e por isso, é muito difícil para ele acreditar nas palavras de quem governou a cidade por oito anos e não fez as intervenções que promete agora.

Veneziano prometeu reabrir os restaurantes populares e ampliá-los para outros bairros que carecem desse atendimento.

Em seguida, Romero Rodrigues perguntou a Adriano Galdino se ele irá colocar em prática a declaração de que ele irá “rezar na cartilha do governador”, caso seja eleito, e qual a política salarial para o servidor que ele pretende implantar em Campina Grande.

O parlamentar disse que tem uma história de luta e de superação na política. Ele garantiu que não deve satisfação a nenhum político e que não é subserviente a ninguém, mas é leal e amigo. Para ele, Romero não foi competente em cobrar do estado supostos atrasos em repasses, denunciados pelo prefeito.

Romero trouxe à baila um pronunciamento do socialista de que iria “rezar na cartilha do governador” e lembrou que a própria irmã dele foi à Brasília para evitar a retirada de R$ 1,2 milhão em recursos de Campina Grande, como pretendia o estado. O tucano acusou o socialista de votar contra o servidor público e poderá levar a “política de perseguição” à prefeitura.

Logo após, foi a vez de Bolinha indagar Veneziano sobre dados econômicos de sua gestão que segundo ele, registrou diminuição no número de empregos.

Veneziano considerou “equivocada” a avaliação do adversário e usou uma pesquisa do Caged que atestou, conforme ele, a geração de 30 mil empregos na sua gestão. Ele também destacou as parcerias público-privada e lembrou dos concursos públicos que realizou na cidade quando prefeito.

Bolinha afirmou que a gestão fiscal no governo de Veneziano foi ineficiente e provocou a deterioração da cidade, num momento em que o país registrou seu maior nível de crescimento.

Adriano Galdino questionou o prefeito Romero Rodrigues sobre as cozinhas comunitárias e restaurantes populares na cidade.

Romero ponderou que recebeu a cidade de Campina Grande com salários atrasados e servidores com nomes no SPC e Serasa. Segundo ele, os programas foram interrompidos por conta de desvio de mais de R$ 2 milhões do programa Fome Zero. Ele revelou que foi notificado recentemente para que a prefeitura devolva mais de R$ 3 milhões ao governo federal, mas se comprometeu colocar os serviços em funcionamento, após ter “arrumado a casa”.

Para Galdino, as gestões de Romero e Veneziano fecharam os restaurantes e cozinhas, pois governam para as classes A e B, enquanto muitos pais de família estão com fome.

3º bloco

Romero Rodrigues perguntou a Veneziano por que ele abandonou a cidade no final de sua gestão, em 2012, ao abordar o atraso salarial e os lixos deixados nas ruas.

O peemedebista disse que Romero se transformou no “candidato ladainha”, pois sabe que assumiu uma gestão após suceder um mandato que realizou três mil obras. Ele destacou que implantou o pagamento dentro do mês trabalhado e cumpriu com os Planos de Cargo, Carreira e Remuneração. Ele lembrou que o TCE aprovou as contas de seus oito anos, pois tratou Campina Grande com seriedade, enquanto os servidores realizaram mais de dez paralisações na atual gestão.

Romero falou que o governo de Veneziano foi marcado por conflitos com os servidores e foi na sua gestão que os PCCRs foram cumpridos, assim como o piso salarial dos agentes de saúde e de endemias foram postos em prática.

Adriano Galdino pediu a Arthur Bolinha sua avaliação sobre a “gangorra política” protagonizada pelas famílias Cunha Lima, Ribeiro e Rêgo na cidade.

Para Bolinha, a administração de Campina Grande nos últimos 40 anos foi a pior possível, mas avaliou que Adriano Galdino não tem legitimidade para disputar as eleições, pois é a primeira vez que votará no município.

Galdino acusou Bolinha de estar com o discurso preparado, o que mostra a sua fragilidade, pois está acostumado a convive com os ricos, enquanto ele está interessado em defender o povo de Campina Grande.

Logo após, Veneziano perguntou a Romero sobre a implantação de bilhetagem eletrônica no sistema de transporte público.

O tucano destacou que o plano municipal de mobilidade urbana é destaque em nível nacional e reduziu a tarifa do transporte público reajustada por Veneziano. Além disso, ele lembrou que aumentou a frota de ônibus que atende os estudantes, assim como implementou  o passe legal.

Veneziano acusou Romero de mentir, pois aumentou a tarifa do transporte público três vezes em um ano e aproveitou para se comprometer a implantar o VLT na cidade.

Em seguida, Bolinha questionou a Galdino sobre suas declarações contra oligarquias, enquanto a família do socialista disputa a prefeitura em Pocinhos, seu reduto eleitoral.

O socialista disse que para uma oligarquia ser considerada é preciso levar em consideração os fatores econômicos e familiares e ele não é de família rica, nem de forte poder aquisitivo.

Para Bolinha, Galdino pretende fazer de Campina Grande uma filial de Pocinhos e o acusou de enquanto presidente da Assembleia Legislativa de não ter se preocupado com a crise hídrica da cidade.

Considerações finais

Veneziano destacou que Campina Grande o conhece e já o elegeu vereador, prefeito e garantiu a ele a maior votação de deputado federal. Ele evidenciou as três mil obras que empreendeu no município e conclamou a população a ir às ruas para resgatar a cidade administrativamente.

Adriano Galdino disse que pensa diferente e tem soluções e prioridades para Campina Grande e prometeu destinar os recursos da cidade para as pessoas que mais precisam.

Romero Rodrigues lembrou que enfrentou dificuldades, mas que venceu obstáculos e está olhando para o futuro da cidade, e por isso, pede novamente a confiança dos campinenses.

Arthur Bolinha disse que decidiu se candidatar a prefeito por não se ver representado pelas famílias que governam Campina Grande e se apresenta ao povo da cidade com o objetivo de resgatá-la.