João Pessoa 21/05/2018 20:51Hs

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Defesa de Lula sobre Moro na Petrobras: ‘compromete a imparcialidade’

Magistrado participou de evento na sede da Petroleira nesta sexta (8); petroleira é uma das partes interessadas na operação Lava Jato

Defesa de Lula já contestou se Moro é imparcial o suficiente para julgá-lo

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou, nesta sexta-feira (8), que a participação do juiz federal Sérgio Moro , pela manhã, em um evento da Petrobras  como inaceitável. Moro julga ações, em Curitiba, das quais Lula é réu e já o condenou no caso do triplex do Guarujá, no litoral paulista.

“Em nenhum lugar do mundo seria aceitável que o juiz da causa fosse visitar uma parte para dar conselhos jurídicos a ela”, afirmou Cristiano Zanin , advogado de defesa de Lula  por meio de nota.

A petroleira foi pivô de boa parte das investigações da operação Lava Jato e vários ex-diretores da empresa, além de um ex-presidente estão presos e fizeram delação premiada. A Petrobras hoje é parte interessada no processo, uma vez que a Justiça Federal reconheceu que ela é vítima dos esquemas de corrupção investigados.

Exatamente por isso, Zanin criticou a presença de Moro no evento: “A Petrobras se habilitou como parte interessada nas ações penais que tramitam na Justiça de Curitiba. Algumas dessas ações estão pendentes de julgamento, inclusive envolvendo o ex-presidente Lula”.

Moro, o  juiz Marcelo Bretas , responsável pelos julgamentos da Lava Jato no Rio de Janeiro, e Cláudia Taya, secretária de Transparência e Prevenção da Corrupção do Ministério da Transparência, foram convidados para participar do 4º Petrobras em Compliance na sede da empresa, no Rio, no qual ela reforçou publicamente que está trabalhando dentro da legalidade. Moro discursou diante de diretores da petroleira e do atual presidente, Pedro Parente.

“O discurso feito hoje pelo juiz Sérgio Moro na sede da Petrobras por si só compromete a aparência de imparcialidade e pode motivar o reconhecimento da sua suspeição”, conclui Zanin.

Contra a corrupção

Em fala no evento, Moro fez sugestões à empresa, como o monitoramento da evolução financeiras de diretores da petroleira e o incentivo financeiro a quem fizer denúncias contra casos de corrupção.

“Talvez fosse o caso de se pensar em incentivos para a atuação do denunciante. Até se pensar em compensação financeira, por exemplo, desde que apresentada informação verdadeira e que, através dela, se desbarate um esquema de corrupção”, afirmou o magistrado. Mas ele reforçou que ninguém deve enriquecer com o esquema e que os valores seriam ‘módicos.

Perguntado por veículos de imprensa sobre as declarações da defesa de Lula sobre sua participação, Moro não quis se pronunciar.

A equipe do ex-petista já entrou com  várias ações que contestam a imparcialidade de Moro em relação aos julgamentos de Lula.

Ig