João Pessoa 15/08/2018 22:30Hs

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Enquanto 4,7 mil crianças são desnutridas, 12,1 mil são obesas

Dados são os mais recentes apresentados pelo Observatório da Criança e do Adolescente, da Fundação Abrinq

A Paraíba apresenta 4.740 casos de crianças menores de cinco anos com desnutrição grave, segundo dados apresentados pelo Observatório da Criança e do Adolescente nessa terça-feira (24). Em oposição, no mesmo período, são diagnosticadas 12.115 crianças menores de cinco anos com obesidade.

Em 2008, a pesquisa mostra 3.149 crianças desnutridas, o que equivale a 3,5% da população da época. Em 2017, os 4.740 casos equivalem a 3,3% das crianças paraibanas. Os anos de 2008 e 2009 apresentaram os maiores índices de desnutrição grave no período de nove anos, com 3,5% da população dessa faixa etária.

A desnutrição é a falta de nutrientes específicos, como ferro ou zinco, ou simplesmente a falta de calorias. Segundo a ONU, esta doença é responsável pela morte de 16 mil crianças todos os dias em todo o mundo. De acordo com a nutricionista Roberta Lins, a desnutrição está diretamente ligada a crianças que estão em situação de risco e vulnerabilidade.

Contraste

Os dados de 2008 mostram, no estado, 7.737 casos de obesidade em menores de cinco anos, sendo esses 8,5% da população dessa idade. Em 2017, a pesquisa apresenta 12.115 crianças diagnosticadas, representando 8,37% da população atual nessa faixa etária. Em nove anos, o maior índice de crianças diagnosticadas com obesidade era 9,8%, no ano de 2014.

A obesidade infantil acontece quando a criança está com peso maior que o recomendado para sua idade e altura. As faixas de Índice de Massa Corporal (IMC) determinadas para crianças são diferentes dos adultos e variam de acordo com gênero e idade.

“A questão da obesidade, tem a ver com acesso fácil à alimentação. O acesso à alimentação pronta, industrializada, que está mais fácil. Muitas vezes sai mais barato dar um refrigerante a uma criança do que um copo de suco. Dá mais trabalho fazer o suco de fruta e não dá o industrializado. O excesso de açúcar, de carboidrato nesses alimentos é muito maior, aí eu acabo fazendo com que essas crianças fiquem obesas. Aumenta um risco até do adolescente ou na vida adulta também com a obesidade”, explicou.

Segundo ela, o baixo nível de mobilidade também contribui para a obesidade. As crianças passam cada vez mais a usar aparelhos eletrônicos e se movimentando menos, o que faz com que elas gastem menos calorias do que ingerem. Para a nutricionista, uma das soluções seria procurar um especialista. Ela também apontou a responsabilidade das escolas neste processo.

“A solução é sempre procurar um profissional, o nutricionista para orientar os pais. Porque a criança até os cinco anos de idade, quem dá a alimentação dela são os pais. Ela acaba induzindo escolhendo o que quer, mas quem dá são os pais. É preciso orientar os pais. As escolas também têm esse papel de orientar, de diminuir os açúcares. Inclusive há uma campanha estadual para tirar o refrigerante. A escola também tem esse papel de educar na alimentação”, finalizou.

*Com Lorena Alencar