João Pessoa 22/09/2017 02:54Hs

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Gabarito: documentos permitem PC identificar centenas de ‘clientes’; alvos podem se entregar espontaneamente

O delegado da Polícia Civil da Paraíba, Lucas Sá, que é responsável por desbaratar uma organização criminosa que fraudava concursos públicos em todo o país, disse, nesta quinta-feira (18), que as investigações já permitiram identificar centenas de “clientes” beneficiados com cargos públicos, só no Estado da Paraíba.

Ele orienta esses concursados a se anteciparem a próxima fase da Operação Gabarito, que visa prender mais beneficiados pelo esquema, e assim conseguirem, de forma legal, privilégios com uma “colaboração premiada”.

Segundo o delegado, aqueles que não ajudarem ou não colaborarem, provavelmente terão suas prisões decretadas. O delegado garantiu que chegará a todos os envolvidos nas fraudes de concursos públicos investigadas por ele e sua equipe da Delegacia de Defraudações da Capital.

Os colaboradores, no entanto, mesmo que se apresentem, não deixarão de responder pela participação nas fraudes, mas podem ficar isentos de penalidades por terem feito parte de uma organização criminosa.

“Nós chegaremos a todos os envolvidos, sim! Já temos provas que nos permitem a identificação de centenas de pessoas e nos próximos dias aqueles que não comparecerem espontaneamente e não ajudarem na investigação possivelmente terão sua prisão decretada”, avisou.

Até ontem, pelo menos três pessoas concursadas já haviam se apresentado à polícia para confessar que se beneficiou do esquema. Detran, PRF, PM, Ministério Público, entre outros órgãos já se comprometeram a afastar, exonerar ou até mesmo demitir àquelas que burlaram o ingresso no serviço público no Estado.

Ontem, quarta-feira (17), a Polícia Civil de Alagoas conseguiu prender um servidor concursado do Detran da Paraíba, o último integrante da quadrilha que estava foragido. Erideywyd Henrique Omena Ferreira da Silva foi encontrado em uma residência no Conjunto Eustáquio Gomes, parte alta de Maceió.

Segundo a polícia, Erideywyd era um dos responsáveis pela logística da quadrilha, junto a um outro suspeito identificado como José Marcelino. Eles contratavam interessados e executavam a instalação e explicavam o funcionamento dos pontos eletrônicos utilizados durante as provas.

Além disso, ele também tinha a função de repassar as respostas aos candidatos envolvidos no esquema. Ele chegou a se inscrever como candidato em alguns dos concursos, e em Setembro de 2014 foi preso em flagrante por fraudes em um concurso para o cargo de auditor fiscal, mas depois foi liberado.

Erideywyd já tinha sido aprovado em oito concursos, todos fraudados pela quadrilha.


Entenda o caso

As fraudes começaram em 2005, e mais de 500 pessoas já foram beneficiadas com o esquema em pelo menos 70 concursos na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe e Piauí

Os suspeitos cobravam, em média, o valor correspondente a 10 vezes o salário inicial do cargo pleiteado. A venda do ‘kit completo de aprovação’ custava até R$ 150 mil. Em 12 anos, o valor acumulado pelo grupo com o esquema já passa de R$ 21 milhões, segundo Lucas Sá.

Ao todo, 27 pessoas já foram presas na operação, que investiga a participação de pelo menos 70 pessoas no grupo. A primeira etapa aconteceu no dia da realização das provas do concurso do Ministério Público do Rio Grande do Norte, quando 19 pessoas foram presas em flagrante tentando fraudar o concurso com pontos eletrônicos. Outros seis suspeitos foram presos na sexta-feira (12), durante a segunda etapa da operação.

PB Agora