João Pessoa 26/05/2018 10:04Hs

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Leonardo DiCaprio de corpo e alma em “O Regresso”

Faroeste "O Regresso" pode finalmente dar o Oscar a DiCaprio

leo filmeAo comentar que assisti a “O Regresso” com qualquer um que acompanhe – ao menos um pouco – o mundo do cinema, a primeira pergunta é sempre a mesma: “E aí!? DiCaprio leva o Oscar?”. A resposta, claro, também não varia: “É bem provável”, respondo, normalmente para a felicidade de quem pergunta. Além de Leo ter se tornado ótimo ator, que escolhe bem seus filmes, uma figura simpática e uma espécie de queridinho injustiçado, é fato que a Academia é sádica e adora ver o sofrimento de atores. E sofrer, em “O Regresso”, é algo comum.
O filme dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu (vencedor dos Oscar de Melhor Filme, Roteiro e Direção em 2015 por “Birdman”) baseia-se na história real de Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), um explorador estadunidense que, durante uma expedição na qual servia de guia para um grupo de caçadores de pele, é traído e deixado para trás pelo grupo.
Ferido e sozinho, mas obcecado por sua vingança, Glass tem que enfrentar o frio extremo, animais selvagens, índios e outros exploradores para alcançar seu objetivo.
Entrega
Apesar da roupagem cult e do discurso de seu diretor, “O Regresso” é um filme com apelo pop, uma história simples com início, meio e fim bem definidos. É um filme de vingança, com poucos diálogos, e que oferece pouco para ser debatido a respeito.
A intenção de Iñárritu talvez tenha sido justamente essa, uma vez que, com uma trama simples, o que resta para o público discutir é quão difícil foi filmar isso ou aquilo, e admirar a belíssima fotografia de Emmanuel Lubezki, que torna o filme um espetáculo visual que merece ser consumido nas melhores salas de cinema.
Vegetariano, Leonardo DiCaprio comeu carne crua e realmente passou frio, se arrastou na neve e se machucou durante as filmagens – não só ele, como boa parte da equipe envolvida. Se ele realmente levar o Oscar, será merecido.
Além do já citado sofrimento, DiCaprio mostra, mais uma vez, que entrega a essencial mistura de intensidade e talento como poucos em Hollywood. Ainda, o ator saiu de sua zona de conforto, do papel daquele sujeito boa praça, mas de caráter duvidoso e capaz de explodir a qualquer momento.
Além das dificuldades do elenco, todo o filme foi gravado somente com luz do dia e em locações complicadas; quando a neve acabou no Canadá, por exemplo, foram todos para o Sul da Argentina.
A história, no fim, funciona bem, mas é rasa e merecia um clímax melhor e mais forte. Tom Hardy, apesar da indicação ao Oscar, entrega um vilão rabugento sem profundidade.
A tentativa do roteiro de integrar outras camadas ao filme (com alucinações do protagonista) também não funciona tão bem quanto deveria, o que faz de “O Regresso” um filme tecnicamente e visualmente impecável e com uma atuação para se aplaudir de pé, mas que carece de carisma.
O Regresso
Drama/ Aventura (The Revenant, EUA, 2015. 156min.)
Direção: Alejandro González Iñárritu
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Will Poulter, Domnhall Gleeson, Paul Anderson, Joshue Burge, Forrest Goodluck
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