João Pessoa 19/06/2018 12:39Hs

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‘Na dúvida, absolve-se’, diz defesa de acusado de matar Vivianny Crisley, na PB

Defensora pública diz que não há provas periciais que provem que Allex matou a vítima. Em depoimento, réus confessaram que mataram Vivianny porque ela gritou.

“A dúvida favorece o réu. Tanto a dúvida da autoria, quanto a dúvida da efetiva participação no crime”, declarou a defensora pública Neide Vinagre, que está atuando na defesa do réu Allex Aurélio Tomás dos Santos, acusado de matar a vendedora Vivianny Crisley, em outubro de 2016. “Na dúvida, absolve-se. Na dúvida, não se coloca qualificadora. Uma qualificadora que não está provada”, disse.

Apenas Allex está enfrentando o júri popular nesta quarta-feira (28), no Fórum de Santa Rita. Os outros dois acusados de participarem da morte de Vivianny tiveram o julgamento adiado porque mudaram os defensores públicos por advogados particulares. Jobson Barbosa da Silva Júnior e Fágner das Chagas Silva só devem ser julgados em maio. Para o promotor Márcio Gondim, o adiamento foi uma manobra jurídica.

Sobre o adiamento, a defensora também disse que preferia que todos os réus fossem julgados juntos. Porém, por respeito aos presentes, ela não pediu adiamento. “Eu não queria fazer esse júri sem a presença dos outros réus porque seria importante que os outros réus dissessem qual a participação de cada um”, comentou.

A tese da defesa é que não há provas periciais de que Allex de fato matou Vivianny. Além disso, ela defende que a forma que a jovem foi morta não foi cruel. “A perícia concluiu que a ação do fogo ocorreu depois da morte. Não há como utilizar o fogo como um meio cruel para matar a vítima porque não foi o fogo que matou a vítima. O que matou a vítima foram os golpes do Junior”, declarou.

Para a defensora, no dia do crime, Vivianny estava na presença dos acusados por vontade própria. “Quem quiser, observe o processo desde o início e verifique se tem provas de que Vivianny foi forçada a sair dali com eles”, disse.

Allex Aurélio Tomás dos Santos é o único réu que vai enfrentar o júri popular nesta quarta-feira (28), em Santa Rita, PB; ele e mais dois são acusados de participar do assassinato da vendedora Vivianny Crisley (Foto: Dani Fechine/G1)Allex Aurélio Tomás dos Santos é o único réu que vai enfrentar o júri popular nesta quarta-feira (28), em Santa Rita, PB; ele e mais dois são acusados de participar do assassinato da vendedora Vivianny Crisley (Foto: Dani Fechine/G1)

Allex Aurélio Tomás dos Santos é o único réu que vai enfrentar o júri popular nesta quarta-feira (28), em Santa Rita, PB; ele e mais dois são acusados de participar do assassinato da vendedora Vivianny Crisley (Foto: Dani Fechine/G1)

Relembre o caso

Depois de encontrado o corpo da vítima, dois suspeitos foram presos no Rio de Janeiro e outro na Paraíba. À época em que foram presos e ouvidos, Allex Aurélio Tomás confessou que Vivianny Crisley foi morta porque começou a gritar após pegar uma carona com os três homens na saída do bar. A vendedora, então com 29 anos, foi morta com vários golpes de chave de fenda e teve o corpo queimado com ajuda de gasolina e um pneu, segundo perícia do Instituto de Polícia Científica (IPC).

A dupla, presa no dia 21 de novembro de 2016 no Rio de Janeiro, Jobson Barbosa da Silva Júnior, conhecido como Juninho, e Fágner das Chagas Silva, apelidado de Bebé, contou versões semelhantes do caso, mas contraditórias com a que foi dada por Allex no início das investigações.

Segundo eles, o trio conheceu Vivianny na noite do crime, no bar em que eles estavam e de onde saíram de carro para procurar outro lugar onde encerrar a noite. Como não acharam outro bar aberto, foram para a casa de Juninho, em Bayeux, próximo ao local onde o corpo de Vivianny foi encontrado.

Vivianny Crisley ficou desaparecida após festa em bar de João Pessoa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)Vivianny Crisley ficou desaparecida após festa em bar de João Pessoa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Vivianny Crisley ficou desaparecida após festa em bar de João Pessoa (Foto: Reprodução/TV Cabo Branco)

Segundo os próprios suspeitos, Juninho e Allex entraram na residência, enquanto Vivianny e Bebé ficaram dentro do carro. Juninho e Allex voltaram com as chaves de fenda e atacaram Vivianny, tiraram gasolina de uma moto, colocaram um pneu de bicicleta em cima do corpo e atearam fogo.

Outra contradição apontada pela polícia no depoimento de Allex é que ele informou ter voltado ao local onde o corpo estava no dia seguinte para tocar fogo no carro usado no crime, que era roubado. Allex disse que foi até o local com um quarto homem, que chegou a ser preso, mas depois a polícia identificou que essa informação não procedia e que ele fez tudo sozinho. Por isso, o delegado vai pedir que a prisão desse quarto homem seja revogada.

De acordo com os depoimentos dos três, a motivação do crime foi mesmo o fato dela ter gritado dentro do carro e ficar ‘perturbando’ o trio para ir para casa.

G1-PB