João Pessoa 26/04/2018 03:47Hs

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No Estadão: Ricardo defende ajuste fiscal e estabilidade do governo


ricardo ajuste fiscal estdãoO governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), disse que, se o governo e o Congresso Nacional não derem uma resposta efetiva aos problemas que o País está enfrentando, sobretudo na área econômica, há o risco de perder também o ano de 2016. “É preciso muito mais do que um ajuste fiscal, não se pode inviabilizar a atividade produtiva no Brasil. O País perdeu o ano de 2015 e do jeito que estamos indo, sem respostas do governo federal e do Congresso Nacional, poderemos perder também 2016”, disse o governador, em entrevista ao Broadcast Político.
Coutinho, que esteve no Grupo Estado nesta quinta, defendeu a CPMF como instrumento para equacionar a necessidade de receitas para a área da saúde, que no seu entender é uma das maiores prioridades da sociedade. “Sou contra aumentar impostos, mas há males que são necessários e vivemos um momento grave”, disse, numa referência às finanças dos Estados, cada vez mais endividados e sem fonte de recursos para cobrir suas despesas. Ele citou que, na Paraíba, dobrou o número de leitos das UTIs sem recursos do SUS e aumentou em mais de 50% os leitos regulares. Com relação às finanças do Estado, a média de crescimento do PIB paraibano era de cerca de 10% ao ano. Este ano, com a crise, ele avalia que o crescimento não passará dos 3%.
Microcefalia. Além dos desafios econômicos, a Paraíba enfrenta o problema da microcefalia ­ é o segundo Estado do País a registrar o maior número de casos de bebês nascidos com malformação do cérebro, atrás de Pernambuco. Coutinho criticou o que classifica de “falta de visão social e sensibilidade” da equipe econômica do governo da presidente Dilma Rousseff que, segundo ele, fechou as torneiras dos recursos para áreas emergenciais, como a saúde, reduzindo os agentes e cortando verba para o combate ao mosquito Aedes aegypti, por exemplo. “Precisamos de uma ação coordenada do governo federal, cujo protagonismo parta do Ministério da Saúde.” Ele informa que, na próxima semana, terá uma reunião com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), para traçarem uma estratégia comum de combate ao problema. “Esse combate precisa estar absolutamente fora de qualquer proposta de ajuste fiscal”, ressaltou.
Delcídio. Ao comentar a prisão do ex­líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT­MS), o governador da Paraíba disse que o Brasil nunca passou por um momento tão conturbado quanto o atual. E alertou que isso poderá devolver novamente à estaca zero os esforços empreendidos para a aprovação das medidas de ajuste fiscal. “É preciso tirar o foco político/policial, infelizmente a política hoje
virou um grande desalento”, disse. Ele defende que, a despeito do atual cenário, é preciso que os congressistas deem uma resposta eficiente à sociedade, votando medidas que possam recolocar o País novamente no eixo do desenvolvimento.
A respeito do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB­RJ), também investigado no âmbito da Operação Lava Jato e acusado de possuir contas bancárias irregulares na Suíça, Ricardo Coutinho afirma que sua situação é “insustentável”. O governador criticou as manobras feitas pelo peemedebista para tentar continuar no comando da Casa legislativa, dizendo que isso só aprofunda a atual crise. “Ele (Cunha) não demonstra piedade pelo País”.
Governadores. Ricardo Coutinho participou, na quarta-feira (25) de um encontro com outros 14 governadores e lideranças do setor privado do Movimento Brasil Competitivo (MBC), em São Paulo, para discutir uma espécie de pacto social pela reforma do Estado e a elaboração de propostas que possam ser encaminhadas ao governo federal e ao Congresso Nacional com o objetivo de equacionar o atual cenário de crise.
Para o governador da Paraíba, o Brasil precisa de estabilidade. E na defesa da estabilidade, ele se coloca contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. “O Brasil precisa de estabilidade, suas instituições estão funcionando e não se pode tirar uma presidente só porque sua popularidade é baixa. O pior é o reflexo da paralisia econômica, este é o grande problema do País.” O pessebista defende a
adoção de uma agenda positiva para que os setores público e empresarial encontrem os caminhos para superar a crise, com a atuação conjunta do governo federal e Congresso Nacional.

Estadão