João Pessoa 25/06/2018 11:34Hs

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Novas tecnologias para uma eleição rápida e segura

Enquanto alguns brasileiros ainda titubeiam ao votar eletronicamente pela desconfiança da segurança e do sigilo do voto eletrônico, em uma universidade no interior de São Paulo um grupo de estudantes trabalha exaustivamente nos testes de um sistema que pode vir a substituir o título eleitoral e outros documentos de papel.

A pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o grupo de 10 alunos da Universidade de Taubaté (Unitau), a 140 km de São Paulo, no Vale do Paraíba, orientado por cinco professores e apoiado por duas empresas privadas, realiza testes de capacidade de armazenamento de informações e segurança em cartões similares aos cartões de banco, dotados de chip, conhecidos como smart-card.

O sistema de votação atual exige que o eleitor apresente o título eleitoral e assine a lista de presença para que o mesário possa liberar a urna para o voto. Nesse novo sistema basta o eleitor inserir o cartão na máquina (parecida com máquinas de cartão de crédito) e colocar o dedo no leitor de digitais que a urna será habilitada automaticamente para o voto.

De acordo com o professor Luis Fernando de Almeida, diretor do Departamento de Informática da Unitau e coordenador da pesquisa, os estudos levam em conta a economia (cada cartão custa em média US$ 1,20, menos de R$ 2,50, para pequenas quantidades, o que não é caso do governo) e a flexibilidade de inclusão de novos módulos (instituições que vierem a adotar o sistema eletrônico) sem a necessidade da troca dos cartões. “No mesmo cartão você altera a informação quando uma nova instituição é incorporada”, explica. “É um compartilhamento seguro e que atende a áreas restritas.”

A praticidade de um possível novo sistema para as eleições pode facilitar a vida de quem está acostumado a portar todos os documentos dentro de uma carteira, por exemplo. O cartão em testes é capaz de armazenar informações do título de eleitor, documento de identidade, cadastro de pessoa física (CPF), carteira de habilitação, entre outras informações específicas e sigilosas dos diferentes órgãos do governo.

A Justiça Eleitoral faz parte do programa de implantação do novo RG, conhecido como RIC (Registro de Identidade Civil). O sistema em testes pelos pesquisadores de Taubaté avalia as inúmeras possibilidades de inclusão desses dados nos cartões inteligentes.

É justamente na segurança desse compartilhamento de informações do cartão inteligente que estão focados os estudos. Em três salas de 20m² cada, o grupo de jovens pesquisadores, com idade entre 20 e 22 anos, trabalha exaustivamente no desenvolvimento de ferramentas e sistemas que coloquem à prova toda a segurança do cartão. “É bem gratificante fazer parte disso, saber como funciona”, comenta o estudante de Engenharia da Computação, Nielsen Pirolla Ferrari, 21 anos, líder da equipe. “A gente não pode falar muito porque a informação é sigilosa, precisamos ser mais reservados”, responde ao ser questionado da curiosidade de outros estudantes sobre o funcionamento do novo sistema.

Embora as pesquisas sejam fomentadas por empresas da região, autorizadas pelo TSE, os modelos de cartões estudados usam um modelo genérico de dados, excluindo o uso de modelos proprietários (cartões com função exclusiva, fabricados por apenas uma empresa).

De acordo com o TSE, a ideia de convidar o meio acadêmico para pesquisas visa uma contínua melhoria do processo eletrônico de votação, além “da necessidade de evolução contínua da transparência e segurança no sistema para os diversos públicos envolvidos no processo eleitoral”.

Outras pesquisas estão sendo desenvolvidas para a melhoria do sistema brasileiro de votação por instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Universidade de Brasília (UnB), com foco em estudos técnicos para a evolução tecnológica do processo eleitoral, o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), com foco nas questões relacionadas a segurança do sistema eleitoral, e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), responsável pela auditoria do sistema eletrônico de votação implantado no Brasil desde 1996.

Fonte: Estadão