João Pessoa 24/05/2018 10:02Hs

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Reforma da Previdência: Alckmin vai reunir PSDB e defende fechamento de questão

Governador de São Paulo assumiu a presidência da legenda neste sábado

Alckmin, durante a 14ª Convenção Nacional do PSDB, realizada neste sábado – Jorge William / Agência O Globo

BRASÍLIA — O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que assumiu neste sábado a presidência do PSDB, anunciou em entrevista a convocação de uma reunião da legenda para debater a reforma da Previdência. Ele disse ser pessoalmente favorável a que o partido feche questão sobre o tema, o que significaria aplicar punição a quem votar contra.

— Eu pessoalmente sou favorável, já fiz a reforma em 2011, em São Paulo. Minha posição pessoal é pelo fechamento de questão — disse Alckmin.

Na sexta-feira, ao deixar o Senado, onde almoçou com Tasso Jereissati (CE) e outros senadores do PSDB, Alckmin disse que é “pública e claríssima” sua posição a favor da reforma da Previdência. Alckmin ressaltou, porém, que não falava em nome do PSDB e que era preciso aguardar a convenção nacional dos tucanos, neste sábado.

 

Alckmin ressaltou que o estatuto do partido exige maioria absoluta tanto na Executiva quanto na bancada da Câmara. Ele afirmou que vai ouvir a bancada e fazer uma reunião sobre o tema na próxima semana.

— Vamos ouvir a bancada e fazer a reunião com a executiva durante a semana — disse o tucano.

Presidente de honra do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma defesa enfática do apoio tucano à proposta da Previdência:

— A situação das aposentadorias está insustentável. Temos que votar a reforma da Previdência, com uma ou outra emenda na proposta, para acabar com privilégios, mas não podemos fechar os olhos e ceder à pressão das corporações, que são contra o povo.

A divisão interna no tucanato sobre ficar ou não no governo Michel Temer contaminou o debate sobre a reforma. Em uma reunião com a bancada na semana passada em Brasília, Alckmin foi avisado da resistência que havia ao projeto e, principalmente, ao fechamento de questão. Naquela oportunidade, o governador paulista disse ser mais importante o “convencimento”.

O partido não conseguiu nem sequer colocar em debate o fechamento de questão nas reuniões anteriores da Executiva. Na última tentativa, o secretário de de Previdência Social do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, e o relator da proposta na Câmara, Arthur Maia (PPS-BA), foram à sede do partido, mas, diante de avisos de esvaziamento da reunião, o então presidente interino, Alberto Goldman, avisou de antemão que o fechamento de questão não seria debatido.

PRIVATIZAÇÕES

Alckmin fez ainda uma defesa de privatizações e da redução do tamanho do estado. Citou como exemplo a EPL, empresa criada para gerenciar o projeto do trem bala. Destacou que não houve qualquer andamento do projeto do trem, mas que a estatal persiste.

— Vamos diminuir o tamanho do estado — afirmou. — O governo não tem dinheiro para tudo, para ser executor de tudo, e não vai fazer tudo bem feito — complementou.

O candidato já tinha abordado o tema no seu discurso na convenção. Afirmou que o partido tem “compromisso com as reformas que vão dar condições para o Brasil voltar a crescer”. E afirmou que a mudança na Previdência “é necessária para não termos brasileiros de duas classes”.

PPS FECHA QUESTÃO SOBRE PREVIDÊNCIA

Partido do relator da reforma, o PPS decidiu, por meio de sua executiva nacional, fechar questão a favor da reforma da Previdência. O partido, porém, tem muitas divisões internas e dificilmente dará seus nove votos ao projeto. O presidente da legenda, deputado Roberto Freire, lembrou que, mesmo quando ele ainda era ministro da Cultura do governo Temer, o partido se dividiu em relação à reforma trabalhista. Freire deu a entender que a legenda não deve punir quem contrariar a orientação.

— Quero trazer para a direção nacional, da qual eles todos (deputados) fazem parte, a decisão, que é uma postura política. Ninguém quer punir ninguém, quer dizer qual a posição política deste partido. Ou nós não temos? Não é falta de respeito a direção nacional fechar questão em algo fundamental para um partido reformista — disse Freire.

Até então, somente PMDB e PTB tinham fechado questão sobre o tema. Nos dois partidos, há promessa de punição a quem descumprir a orientação. A previsão do governo é de iniciar a votação da reforma em 18 de dezembro.

G1.Globo