João Pessoa 25/06/2018 02:27Hs

Início » Economia » Balança comercial apresentou superávit de US$ 541 milhões

Balança comercial apresentou superávit de US$ 541 milhões

balança comercialApós piora nas projeções de inflação na semana passada, as previsões contidas no Relatório de Mercado Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, voltaram a mostrar um índice menor para o ano que vem. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2017 caiu de 5,14% para 5,12%.

Quatro semanas atrás, estava em 5,29%. Para 2016, permaneceu em 7,31%. Um mês antes, estava em 7,21%. No dia 10 de agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação em julho foi de 0,52%. Na pesquisa Focus que se seguiu, houve piora nas estimativas do mercado financeiro. Por sua vez, no comunicado do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) e na ata da reunião, o BC havia informado que, pelo cenário de referência, que pressupõe a Selic (a taxa básica de juros) inalterada em 14,25% ao ano e um dólar a R$ 3,25, as projeções apontam para uma inflação em torno da meta de 4,5% já em 2017.

No cenário de mercado, que utiliza as trajetórias para os juros e o câmbio apuradas na pesquisa Focus, a inflação projetada para 2017 estava em torno de 5,3%, conforme a ata. Para 2016, a ata do Copom indicou que as projeções, tanto no cenário de referência quanto no de mercado, apontavam para uma inflação em torno de 6,75%. Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, as medianas das projeções para a inflação deste ano no relatório Focus pioraram, passando de 7,41% para 7,51%. Para 2017, permaneceram em 5,25%.

Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,20% e 5,29%. Já a inflação suavizada 12 meses a frente voltou a ceder, passando de 5,42% para 5,34% de uma semana para outra – há um mês, estava em 5,63%. As estimativas para os índices mensais mais próximos seguiram resilientes: as de agosto passaram de 0,32% para 0,33% (quatro semanas antes estavam em 0,30%). Para setembro, seguiram em 0,35%, sendo que um mês antes estavam em 0,36%.

O Relatório de Mercado Focus voltou a mostrar mudanças nas projeções para os preços administrados, tanto em 2016 quanto em 2017. A mediana das previsões do mercado financeiro para este indicador este ano passou de alta de 6,18% para avanço de 6,10%.

No próximo ano, as projeções também melhoraram e a mediana passou de alta de 5,35% para elevação de 5,30%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 6,38% para os preços administrados em 2016 e elevação de 5,50% para 2017. O BC contava com forte desinflação desse segmento para levar o IPCA para o intervalo de 4,5% a 6,5% em 2016 – uma perspectiva que vai ficando distante, pelos dados do Focus.

Nos últimos tempos, o dólar mais baixo também vinha colaborando. Em comunicações recentes, o BC enfatizou ainda que a retração econômica pode ajudar no processo de desinflação. Por outro lado, disse que a inflação corrente e as expectativas, ambas elevadas, seguram este processo.

Na ata do último encontro do Copom, a instituição projetou uma variação de 6,6% para os preços administrados em 2016 e de 5,3% para 2017. A pesquisa Focus mostrou também que a mediana do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de 2016 seguiu em 7,69% da última semana para esta. Há um mês, estava em 8,62%. Para o ano que vem, a mediana das previsões foi de 5,52% para 5,50%.

Quatro levantamentos atrás, essa previsão para 2017 estava em 5,55%. Os Índices Gerais de Preços (IGPs) são bastante afetados pelo desempenho do dólar e pelos produtos de atacado, em especial os agrícolas. Outro índice, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que é referência para o reajuste dos contratos de aluguel, passou de 8,06% para 8,04% nas projeções dos analistas. Quatro levantamentos antes estava em 9,04%. Para 2017, as previsões mostraram recuo de 5,53% para 5,51% – um mês atrás estava em 5,69%.

A mediana das previsões para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) de 2016 também caiu esta semana, de 7,51% para 7,47%. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 7,53%. Já para 2017, as expectativas para a inflação de São Paulo foram de 5,30% para 5,20%, ante 5,31% de um mês antes. As projeções do relatório Focus desta semana não alteraram as expectativas para a atividade do país em 2016, que continuaram mostrando uma forte recessão. Pelo documento, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano seguiram indicando retração de 3,20%. Há um mês, o mercado previa uma queda de 3,27%.

Para 2017, o cenário segue um pouco melhor, com perspectiva de PIB positivo. Ainda assim, o mercado prevê para o país, conforme o relatório Focus, um crescimento de apenas 1,20% no próximo ano, ligeiramente melhor que o 1,10% de uma semana atrás (mesmo valor projetado há um mês). Em junho, o BC informou no Relatório Trimestral de Inflação que sua nova estimativa para o PIB deste ano era de retração de 3,3%, ante baixa de 3,5% vista na edição anterior do documento.

No caso de 2017, a estimativa do Ministério da Fazenda, atualizada na semana passada, é de 1,6% de crescimento. Antes, estava em 1,2%. Essa nova estimativa constará no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), a ser apresentado ao Congresso até o fim do mês. No relatório Focus, as estimativas para a produção industrial ainda sugerem um cenário difícil. A queda prevista para este ano seguiu em 5,95%.

Para 2017, a projeção de alta da produção industrial foi de 0,75% para 1,05%. Já as projeções para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano passaram de 44,90% para 45,25%. Um mês atrás, estava em 44,45%. Para 2017, as expectativas no boletim Focus foram de 49,05% para 49,65%, ante projeção apontada um mês atrás de 49,00%.

O Relatório de Mercado Focus mostrou estabilidade nas estimativas para o câmbio deste ano. O documento indicou que a cotação da moeda estará em R$ 3,30 no encerramento de 2016, mesma projeção da semana anterior. Um mês atrás, estava em R$ 3,34. O câmbio médio de 2016 passou de R$ 3,45 para R$ 3,43 – um mês antes, estava em R$ 3,47.

Para o fim de 2017, a mediana caiu de R$ 3,50 para R$ 3,45 de uma divulgação para a outra – quatro semanas atrás estava em R$ 3,50. Já o câmbio médio de 2017 foi de R$ 3,41 para R$ 3,40 de um levantamento para o outro – estava em R$ 3,46 um mês atrás. No dia 12 de agosto, durante evento em São Paulo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou que a instituição poderá reduzir sua exposição cambial em ritmo compatível com o normal funcionamento dos mercados.

Ilan disse que é importante reduzir a intervenção, sem falar especificamente nos swaps cambiais. “É importante caminharmos para reformas microeconômicas que reduzam distorções e evitem intervenções demasiadas, aumentando a eficiência do mercado”, disse. Mesmo com o recuo acumulado do dólar ante o real neste ano, as projeções do mercado financeiro para a balança comercial seguem fortes.

Nesta semana, pelo Relatório de Mercado Focus, a estimativa de superávit comercial este ano seguiu em US$ 50,00 bilhões. Um mês atrás, estava em US$ 51,10 bilhões. Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2016 ficará em US$ 50 bilhões. Para 2017, porém, houve pior e as estimativas de superávit comercial foram de US$ 49,84 bilhões para US$ 48,40 bilhões de uma semana para outra – ante US$ 50,00 bilhões de um mês antes. No caso da conta corrente, as previsões para 2016 continuam com um déficit de US$ 15,00 bilhões, pela nona edição consecutiva.

Para 2017, o mercado prevê um rombo nas contas externas de US$ 20 bilhões, mesma projeção de uma semana antes. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 14,91 bilhões. Recentemente, o BC informou que no primeiro semestre deste ano o país acumulou déficit na conta corrente de US$ 8,444 bilhões. Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário nos dois anos.

A mediana das previsões para o IDP em 2016 permaneceu em US$ 65,00 bilhões de uma semana para a outra – estava em US$ 63,50 bilhões um mês antes. No primeiro semestre do ano, conforme os dados divulgados pelo BC, o IDP somou US$ 33,816 bilhões. Nas revisões promovidas pelo BC, a perspectiva é de ingresso de US$ 70 bilhões de IDP no País em 2016. Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto permaneceu em US$ 65 bilhões.

O relatório Focus mostrou que, na visão do mercado, para conter a inflação em 2016 a instituição precisará encerrar o ano com uma Selic (a taxa básica de juros da economia) elevada. A mediana do mercado financeiro para a Selic em 2016 permaneceu em 13,75% ao ano – mesmo patamar da semana anterior, quando o mercado havia elevado sua perspectiva para a taxa básica. Há um mês, estava em 13,25%.  Para o fim de 2017, o mercado seguiu projetando, pela oitava semana consecutiva, uma Selic a 11,00% ao ano.