João Pessoa 23/05/2018 11:01Hs

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Com energia mais barata, inflação perde força em fevereiro

IPCA passou de 1,27% em janeiro para 0,90% no mês passado, com alívio nas contas de energia elétrica. Na contramão, maior pressão veio do grupo Educação

energia inflaçãoEstimativa para o IPCA no final deste ano é de alta de 7,59%, diz BC(Ricardo Moraes/Reuters)

A inflação oficial brasileira desacelerou de janeiro para fevereiro, passando de alta de 1,27% para 0,90%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 2,18%, e, em doze meses, a valorização é de 10,36%.

Os resultados, no mês e em doze meses, são os mais baixos desde outubro do ano passado, quando o IPCA avançou 0,82% na base mensal e 9,93% em 12 meses, última vez em que ficou abaixo dos dois dígitos.

A principal contribuição para a desaceleração do índice veio do grupo Habitação, de alta de 0,81% para recuo de 0,15%, com destaque para as contas de energia elétrica. “Este comportamento se deve à redução no valor da bandeira tarifária vermelha, que passou de 4,50 para 3 reais por cada 100 kilowatts-hora consumidos, a partir de 1º de fevereiro”, explica o IBGE. Outro grupo que desacelerou foi Transportes (de 1,77% para 0,62%), puxado pela queda de 15,83% nas passagens aéreas.

Na contramão, o grupo Educação foi o que mais pressionou o índice geral, com alta de 5,90%. O número reflete “os reajustes praticados no início do ano letivo, especialmente nos valores das mensalidades dos cursos regulares”, explica o IBGE.

Em seguida, o grupo que mais contribuiu foi Alimentação e Bebidas, com avanço de 1,06% em fevereiro ante janeiro. Neste grupo,os destaques foram a cenoura (23,79%) e farinha de mandioca (11,40%). A alta vista neste grupo, no entanto, foi quase a metade da registrada em janeiro, de 2,28%, o que colaborou para a desaceleração da inflação. Entre os produtos com preços em queda, destacam-se o tomate (-12,63%) e a batata-inglesa (-5,70%).

Ambos os grupos, Educação e Alimentação e Bebidas, tiveram contribuição de 0,27 ponto porcentual no resultado do IPCA de fevereiro.

Por região, o maior índice foi registrado em Salvador (1,41%), destacando-se a alta de 2,55% nos preços dos alimentos. Já o menor foi o de Vitória (0,28%), onde os alimentos ficaram em 0,36%, bem abaixo da média nacional (1,06%).

Economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central apontam que a estimativa para o IPCA no final deste ano é de alta de 7,59%. Ainda assim, o BC decidiu manter a taxa básica de juros em 14,25% diante da elevação das incertezas no cenário externo.

 

(Da redação)