João Pessoa 24/06/2018 14:29Hs

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Dólar sobe a R$ 3,25, seguindo exterior e reagindo à fala de Levy; Bolsa avança quase 2%.

Ministro da Fazenda criticou presidente Dilma em evento privado, segundo jornal

DOLAR SOBE 3,26RIO — O dólar comercial registra valorização de 0,46% frente ao real nesta segunda-feira, cotado a R$ 3,255 para compra e a R$ 3,257 para venda. A divisa acompanha no Brasil a tendência global, uma vez que sobe frente às 16 principais moedas do mundo. O índice Dollar Spot, da Bloomberg, que compara a força do dólar em relação a uma cesta de moedas, registra alta de 0,62%.

O câmbio também reage à revelação, pelo jornal “Folha de S. Paulo”, de críticas feitas à presidente Dilma Rousseff pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o que pode dificultar seu trânsito político na aprovação do ajuste fiscal. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta, com o índice de referência Ibovespa avançando 1,75%, aos 50.971 pontos. As ações também acompanham os mercados internacionais, animados com a possibilidade de medidas de estímulo econômico na China.

“Fato é que o ministro já tem uma série de comentários ‘mal interpretados’ a respeito do governo, o que só dificulta a aprovação de suas medidas fiscais pelo Congresso”, escreveu o analista Cláudio Moura, da Elite Corretora, em comentário enviado a clientes.

João Medeiros, gerente de câmbio da corretora Pioneer, também vê alguma pressão no câmbio com a aproximação do fim do programa de intervenção do Banco Central. Termina amanhã a chamada “ração diária” de contratos de swap cambial, que equivale à venda de dólares no mercado futuro e visa a conter a volatilidade da moeda.

— A declaração do Levy lançou mesmo um mal estar no mercado. Mas acredito que está contando mais o fato de amanhã ser o último dia do leilão diário “swap cambial” pelo Banco Central. Isso mudará a forma de as empresas se protegerem da oscilação do dólar. A verdade é que todo mundo está percebendo que chegou a hora do dólar forte. Tem gente achando factível vê-lo entre R$ 3,40 e R$ 3,50 logo — disse.

No fronte global, a força do dólar hoje está mais uma vez ligada a especulações sobre o aumento de juros nos Estados Unidos. Na sexta-feira, a presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Janet Yellen, disse esperar que os taxas americanas subam ainda este ano e que elevações subsequentes sejam graduais. A declaração tende a esvaziar a esperança de alguns investidores de que os juros começarão a subir em 2016 — embora grande parte do mercado financeiro aposte que isso aconteça em setembro. Juros mais altos nos EUA valorizam o dólar.

ALTA GENERALIZADA NA BOLSA

Na Bovespa, a alta é generalizada, com 57 das 68 ações do índice Ibovespa registrando alta. As maiores contribuições para a alta do índice vêm dos bancos (Itaú Unibanco sobe 1,21%, enquanto o Bradesco avança 0,59%), da Ambev (+1,26%) e da Petrobras, que registra alta de 2,06% (ON, com direito a voto) e 1,92% (PN, sem voto).

A maior alta percentual é da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que sobe 6,52%. Os papéis chegaram a disparar 11%, sua maior alta em maios de cinco anos. Embora a empresa tenha divulgado, na sexta-feira, prejuízo de R$ 1,15 bilhão no quarto trimestre do ano passado, ela anunciou que pagará R$ 1,773 bilhão em dividendos, acima do esperado pelos investidores.

— O que está puxando os mercados é o noticiário de China, com possibilidade de estímulos, e a agenda corporativa, com alguns balanços. O que mais se destaca é o da Cesp — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

A fabricante de aeronaves Embraer sobe 3,57%. A companhia de São José dos Campos informou hoje que o Grupo Air France-KLM encomendou 17 E-Jets, com valor estimado de US$ 764 milhões. As empresas do segmento universitário também avançam, com a Estácio subindo 4,87% e a Kroton, 4,04%. As companhias tiveram alguns cursos aprovados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta segunda-feira.

AÇÕES SOBEM GLOBALMENTE

Na Europa e na Ásia, as ações subiram hoje, depois que o presidente do banco central chinês disse que o governo deve se esforçar mais para apoiar o crescimento do país. Zhou Xiaochuan afirmou que o ritmo econômico chinês caiu “um pouco” demais e que Pequim tem espaço para agir, seja por meio de taxas de juros ou com programas de compra de títulos (“quantitative easing”). O banco central chinês também aliviou nesta segunda-feira as políticas de empréstimo para compra da segunda moradia, em um momento em que o governo age para conter a queda dos preços imobiliários.

O índice de referência europeu Euro Stoxx sobe 1,18%, enquanto a Bolsa de Londres avança 0,34%. Em Paris, a alta é de 0,99% e em Frankfurt, de 1,37%.

Mas a valorização dos papéis é contida pela incerta quanto ao futuro da Grécia. O país deve apresentar hoje uma ista de reformas para garantir mais empréstimos do programa de resgate em curso. Mas o governo de Atenas precisa convencer as autoridades da troica — Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) — da eficácia do seu plano.

O Globo