João Pessoa 24/04/2018 03:10Hs

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Fed reforça indicação de alta de juros em dezembro.

fed jurosJanet Yellen, presidente do Fed – Andrew Harrer / Bloomberg

RIO – O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reforçou que vê condições de elevar os juros do país em dezembro, conforme a ata da reunião de outubro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), divulgada nesta quarta-feira. O próximo encontro das autoridades do BC americano acontece em 15 de dezembro. As condições de alta “poderão ser encontradas quando do próximo encontro”, afirma o comunicado, com apoio da maioria dos participantes — apenas dois deixaram de apoiar o posicionamento.

Já em outubro, no pronunciamento realizado ao fim do encontro do Fomc, havia referências a dezembro como possível momento para a alta da taxa. Os EUA vêm mantendo os juros básicos perto de zero há sete anos, num empenho para dar força à economia. Mas a linguagem usada na ata divulgada nesta quarta-feira foi considerada incomum, pela objetividade com que apontou a data provável do movimento.

Cabe aos dirigentes do Fed avaliar os fundamentos e variáveis do país — inflação, nível de emprego, comércio internacional — e o cenário global já permitem que se inicie um ciclo de alta.

A decisão sobre a elevação da taxa nos EUA é determinante para as economias emergentes, pois uma vez que o país sobe as taxas, passa a atrair capitais até então canalizados para mercados menos seguros, porém mais rentáveis — como é o caso do Brasil — em virtude de taxas de juros e prêmios de risco mais altos. A saída de dólares pressiona para cima a cotação da moeda americana, o que contribui para a alta de inflação.
“Pode bem se tornar apropriado” elevar a taxa de referência em dezembro, apontou nesta quarta-feira o texto da autoridade monetária, com a maioria dos integrantes do Fomc concordando com avanço gradual do índice.

Na ata, o Fed afirmou que “diminuiu” a inquietude em relação ao sistema financeiro americano — que viveu um período de turbulência nos últimos meses — à economia mundial. Fatores internacionais, como a desaceleração da China e os baixos preços do petróleo, entraram nas considerações dos governadores do BC americano em reuniões anteriores, quando decidiram manter a taxa entre 0 e 0,25%.

“O sistema financeiro americano parece ter superado a turbulência nos mercados financeiros globais sem nenhum sinal de estresse sistêmico”, apontou a ata. “A maioria dos participantes avalia que diminuíram os riscos decorrentes da evolução econômica e financeira no exterior e julgou os riscos para as perspectivas da atividade econômica e do mercado de trabalho estão quase equilibrados.”

Após a divulgação do texto, nesta quarta-feira, o dólar avançou 0,2% contra o euro, a US$ 1,335, maior nível desde abril.

CAUTELA

Mas, apesar da esperança nas perspectivas de curto prazo, o Fed também debateu o que poderia se tornar uma preocupação central quando der início a seu primeiro ciclo de aperto monetário em uma década: o potencial da economia dos Estados Unidos.

Eles discutiram a a taxa de juros real de equilíbrio — aquela que, deduzida a inflação, seria consistente com o pleno emprego e com a meta de inflação do Fed, de 2%.

De acordo com estimativas dos técnicos, a taxa de equilíbrio provavelmente caiu abaixo de zero durante a crise e só se recuperou um pouco, e está “próxima de zero atualmente”.

Para o Fed, isso pode significar que talvez o índice de equilíbrio se manterá perto de zero e que há pouco espaço de manobra, se quiser evitar apertar as condições financeiras muito rapidamente.

Por conta desta preocupação com um novo normal de juros baixíssimos, “diversos” membros do Fed consideram “prudente” planejar outras maneiras de estimular a economia.

A preocupação é séria o suficiente para que “várias” autoridades do Fed entendessem que seria “prudente” planejar outras maneiras de estimular a economia se juros baixos se tornarem permanentemente.

O Globo