João Pessoa 25/05/2018 03:20Hs

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Fitch reafirma rating do Brasil em BB, com perspectiva negativa

A agência de classificação de risco Fitch reafirmou na sexta-feira o rating BB do Brasil, com perspectiva negativa. Segundo ela, o rating do país é contido por fraquezas estruturais em suas finanças públicas e por seu alto nível de endividamento, por perspectivas de crescimento fracas e por indicadores de governanças mais fracos em comparação com seus pares. A Fitch citou ainda “o recente período de instabilidade política”, que pesa negativamente sobre a tomada de decisões. “Essas fraquezas são contrabalançadas pela diversidade econômica e pelas instituições civis consolidadas, com sua renda per capita maior que a da mediana dos BB”, disse a agência.

Na avaliação dela, a capacidade do Brasil de absorver choques é apoiada por uma taxa de câmbio flexível, pela posição de reservas internacionais “robustas”, por uma forte posição de credor externo soberano e por mercados de dívida dos governos domésticos desenvolvidos e enraizados. “Uma melhora no ambiente político, a redução de desequilíbrios externos e a aprovação de algumas microrreformas nos últimos meses apoiam o perfil de crédito”, considera a agência.

De acordo com a Fitch, a perspectiva negativa reflete as continuadas incertezas em relação à força e à sustentabilidade da recuperação econômica do Brasil, as perspectivas de médio prazo para a estabilização da dívida, diante dos grandes déficits fiscais, e o progresso na agenda legislativa, “especialmente relacionada à reforma na Previdência Social”. Para a agência, um ambiente político “desafiador” continua a impedir o progresso na reforma da Previdência, “que é importante para a viabilidade e a credibilidade de médio prazo do teto de gastos”. A Fitch diz ainda que o ciclo eleitoral de 2018 poderia também prejudicar o progresso das reformas e pesar sobre a recuperação econômica.

A Fitch espera uma retomada cíclica “moderada” no Brasil, com crescimento acelerando de 0,6% em 2017 para em média 2,6% entre 2018 e 2019, com recuperação no consumo, apoiada pela inflação mais baixa, que impulsiona os salários reais, pela estabilização da taxa de desemprego e da desalavancagem das famílias, o que abre espaço para maior crescimento e crédito ao consumidor. “Uma recuperação no investimento também é antecipada para 2018 e 2019”, afirma ela. “Os riscos de baixa para o crescimento poderiam vir de incertezas subjacentes políticas, fiscais e nas reformas”, sustenta a agência. A agência de classificação de risco Fitch apontou que o déficit fiscal do Brasil é alto, apesar de estar caindo, refletindo em larga escala a flexibilização da carga de juros devido às taxa de juros mais baixas.

O déficit fiscal do governo deve cair para 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e ficar em torno de 7% do PIB em 2018-2019, segundo a agência. De acordo com a Fitch, continua a pesar sobre a credibilidade fiscal do país o aumento das despesas obrigatórias e o desempenho pior das receitas, que frustraram a consolidação dos déficits primários, levando o governo a revisar para cima a meta do déficit fiscal primário para 2017-2020 duas vezes este ano. O governo renovou seu foco na agenda de reforma microeconômica para impulsionar a produtividade e as perspectivas de investimento. “Nos últimos meses, as autoridades aprovaram uma reforma trabalhista, lei de terceirização e uma legislação para converter uma taxa de empréstimo de longo prazo subsidiada em uma taxa de empréstimo a longo prazo baseada no mercado”.

Segundo a Fitch, embora importantes, as consequências positivas dessas iniciativas devem provavelmente demorar para se materializar. Riscos de curto prazo para atingir as metas fiscais incluem uma recuperação econômica fraca e a dificuldade em cortar gastos para enfrentar possíveis quebras na receita, especialmente em ano de eleição, apontou a agência. “Para além de 2018, um novo governo poderia também alterar as metas fiscais. Além disso, a implementação de uma reforma da Previdência e outras medidas de ajustes nos gastos serão necessárias para economizar as despesas e assegurar o cumprimento do limite de gastos no médio prazo.”